Poesia 

FERA

FERA

Destruir o berço, a mata, a essência,

Que acalenta, com sons , cores e frutos

 O futuro que é da vida, não nos pertence.

 

 Matar a mãe, cuspir no prato que o alimenta,

 Suicidar-se, matar o futuro que é do filho,

 Da beleza, do sonho, de todos que ainda virão.

 

A ganância, grande herança do nada,

 Nos torna cegos, sem ver belezas

 E rezamos, infiéis hipócritas,

 Carrascos do ventre que nos gerou.

 

E perdidos os homens, tão sem caminho,

 Se matam, matando tudo, seu próprio ninho.

 Natureza que cria, que cura, que chora,

 Pelo filho que lhe devora as entranhas.

- Edmir Saint-Clair

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EDMIR SAINT-CLAIR  Poesia  UMA LÁGRIMA SÓ NÃO BASTA 

UMA LÁGRIMA SÓ NÃO BASTA

UMA LÁGRIMA SÓ NÃO BASTA

 

Por todos os amores perdidos

Por todos os sonhos abandonados

Por todas as manhãs desperdiçadas

Por todas as noites mal dormidas

Por todos os risos que não demos

Por toda essa saudade que me mata

Por todo esse deserto que me resta

Por toda essa gente que faz falta

Porque nunca mais é muito tempo,

E uma lágrima só não basta.

- Edmir Saint-Clair


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EDMIR SAINT-CLAIR  Pensamentos  Poesia  REFLEXÃO 1  Reflexões 

REFLEXÔES ESC

REFLEXÔES ESC

 

Post-it com poema: O quanto de mim tem lá fora, quanto de lá fora tem em mim, reflexão sobre identidade e percepção

"O quanto de mim tem lá fora?
Quanto de lá fora tem em mim?
Quem é o reflexo de quem?
Reflito no espelho quem sou,
Só para mim.
Mas, é apenas a minha visão,
o meu jeito de ver tudo,
refletindo no que vejo,
Refletido em mim."

— Edmir Saint-Clair

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EDMIR SAINT-CLAIR  ONDE TUDO SE ENCONTRA  Poesia 

ONDE TUDO SE ENCONTRA

ONDE TUDO SE ENCONTRA

 

Andei por muitos lugares, por perto, por longe 

                                                    e nas metades de caminhos,

Me detive onde havia música, onde havia olhares,

                                                                 paisagens e carinhos,

Também perdi muito tempo onde não deveria parar,

Onde os sorrisos não cabem não nos devemos demorar,

Encontrei muitos oásis, muitas pousadas amigas,

Também encontrei intrigas onde não deveria encontrar,

Em todas as praças encontrei crianças, encontrei amizades,                                                                 encontrei esperanças,

Pelos silêncios do mundo busquei por respostas, 

busquei por motivos, busquei por razões

                                                              que nunca encontrei.  

Vi que os lugares são muito diversos, 

                                            separados por distâncias infindas,

Todas mais lindas do que onde eu deveria estar,

Descobri o lugar onde tudo existe no mesmo momento 

                                                            e fazendo todo sentido,

Revelando os amigos, os amores e os sorrisos,

E, por fim, descobri que o final de todas as estradas 

                                                                                onde andei

Se encontram em mim.

Edmir Saint-Clair

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ALÉM DA CIÊNCIA  EDMIR SAINT-CLAIR  Poesia 

ALÉM DA CIÊNCIA

ALÉM DA CIÊNCIA

 

Envolver, envolver-se, ser envolvido,

Misturar-se, fazer parte, somar-se, dividir-se,

Nada mais abstrato que romper os limites do ser

Impossível dirá a ciência,

Mas não a sapiência que isso pode envolver

E nos envolver por vontade nossa de envolver-se

Nos mais abstratos mistérios do ser

Para ser fantástico tem que ser abstrato,

O mundano é banal demais,

Para a importância que a vida tem,

Tem que ter sapiência para se tornar mistério,

Por isso, me envolvo, envolvo e sou envolvido,

E me diluo em tudo.

Além da ciência,

Sou tudo e nada ao mesmo tempo.

Até o que não sei.

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A ARTE DO TEMPO  EDMIR SAINT-CLAIR  Poesia 

A ARTE DO TEMPO

A ARTE DO TEMPO

 


Sempre estivemos presos, sempre cada um em si

Faz parte da  história da humanidade

Presos às imagens, rótulos, marcas da futilidade

Da vida baldia que foge de si

Da inutilidade que não faz sentido, do que não tem alma...


Aconchego real são os outros, são os abraços trocados

São os toques, são os risos, são os cheiros,

É o calor de janeiro bronzeado para sempre na pele

São muitas coisas ao mesmo tempo

Multiplicando o tempo em arte

Que é tudo que nos resta fazer

Porque o resto é o nada mais


O nada, 

A única coisa na qual nos transformaremos

É isso que os anos nos jogam de volta no rosto

Enrugados e marcados

Pelos dedos dos tapas que nunca mais saíram

Entranharam, esculpindo sulcos na dura face

E expondo a fina arte que só o tempo é capaz inventar.

  – Edmir Saint-Clair


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AS CORES DO SONHO  BALDE DE TINTAS  EDMIR SAINT-CLAIR  Poesia  SONHO COLORIDO  TINTAS DE TODAS AS CORES 

TODAS AS CORES - Poesia

TODAS AS CORES - Poesia

 


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EDMIR SAINT-CLAIR  GENTE  Poesia 

GENTE - Poesia

GENTE - Poesia

 



Gente, quente, pulsante ser,

O lugar onde todo o universo, dentro pode conter.


É Carne e Sexo, sem nexo, 

Pura luz e seu reflexo,

viajante no complexo viver.


 Gente é preto, é branco,  é pranto 

que escorre e salga o susto de viver.


Sem saber é tudo e nada, 

 é pouco e muito 

é  meio e canto de prazer...


Gente é dia e noite, é jeito de viver,

É parte da brisa, do movimento do ar,

Do mar, do sol, do riso, do brilho da paixão.


Sempre buscando, desejando, querendo,

 Tanto quanto mais gente puder ser.


Gente é vida e morte, é sorte sem saber,

É sonho, é salto, é vôo da ilusão,


É simples, 

é nada, 

e nem precisa ser.


- Edmir Saint-Clair

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EDMIR SAINT-CLAIR  PLENO  Poesia 

PLENO - Poesia

PLENO - Poesia

 

Me darei inteiro,

Mas só a parte que te cabe, nunca tudo,

Porque sou muitos, tantos que nem sei,

E  você me dará o que quer e eu aceitarei se quiser,

Cobrar não está nesse roteiro, 

O inteiro pode estar numa fração

Só acredito no pleno, que mesmo se dando todo,

Ainda tem muitos todos para dar

Não sou metade, não busco metades,

Não acredito em metades

Porque às vezes até o pouco é demais

Seja o inteiro, a metade ou a fração

Em todos pode haver muitas verdades,

Em todos pode haver muita vontade, muito amor, muito tesão

Busco quem tenha sonhos próprios, os meus já os tenho

Preciso é de outros, para variar, para ter surpresas,

Para me encantar

Na verdade nem procuro, pois só assim poderei achar.


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EDMIR SAINT-CLAIR  O MELHOR LUGAR DO MUNDO  Poesia 

O MELHOR LUGAR DO MUNDO

O MELHOR LUGAR DO MUNDO

 O MELHOR LUGAR DO MUNDO

 O melhor lugar do mundo é o colo da mãe,

É no meio dos amigos, é onde nos sentimos em casa,

O melhor lugar do mundo é vencendo desafios,

É conquistando mares nunca d’antes navegados

                                                 com quem nos sentimos felizes,

É andando de bicicleta sem rodinhas,

                                               Com nosso pai nos amparando,

É no campo jogando bola ou búlica,

Ou Pique-bandeira e esconde-esconde,

O melhor lugar do mundo

                                          é numa brincadeira de criança,

É no abraço de um amigo, 

                                                É num beijo de namorados,

É o nosso canto no mundo,

É onde nos sentimentos aceitos e aconchegados.

O melhor lugar do mundo é dentro do coração

E da história de quem amamos.




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Contos  EDMIR SAINT-CLAIR  NOSSOS ENCONTROS  Poesia 

NOSSOS ENCONTROS

NOSSOS ENCONTROS

 


Ela sempre me esperava em absoluto silêncio.

 Ao sentir minha presença, sua respiração tornava-se mais intensa. Minha pulsação aumentava, tornava minha respiração quase difícil. A saudade aflorava forte. Me aproximava devagar, me aconchegando em seu corpo, sem tocá-la. Nada mais excitante do que a intenção de tocar sem tocar.

 O toque anterior ao toque. As sutilezas são a essência do prazer.

Não a tocava, apenas contornava seu rosto com o meu, a nano milímetros de sua pele, sem tocá-la, afastava seus cabelos com o nariz, até alcançar o pescoço. Sentir seu hálito fazia meu cérebro funcionar em outra sintonia, sensibilidade muito além da flor da pele.

 As sensações do tato, olfato, paladar e audição se acentuavam, se misturavam e nos transformavam. Cheiros, sons, texturas, sabores. A fome. Muita fome.

 Esse aproximar e tocar dos corpos fazia desaparecer o espaço entre eles, alma engolindo alma, corpo devorando corpo. Só o prazer nos alimentava. Luta feroz. Meu prazer era te levar à pequenas mortes. Sua fome animal dizia que íamos morrer, e morríamos, muitas vezes. E morríamos de novo. Colados como um quebra-cabeças perfeitamente encaixado. 

A vida resolvida para sempre.

Nossos encontros eram assim.

 Edmir Saint-Clair

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