FERA
Que acalenta, com sons , cores e frutos
Matar a mãe, cuspir no prato que o alimenta,
A ganância, grande herança do nada,
E perdidos os homens, tão sem caminho,
- Edmir Saint-Clair
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Que acalenta, com sons , cores e frutos
Matar a mãe, cuspir no prato que o alimenta,
A ganância, grande herança do nada,
E perdidos os homens, tão sem caminho,
- Edmir Saint-Clair
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Por todos os amores perdidos
Por
todos os sonhos abandonados
Por
todas as manhãs desperdiçadas
Por
todas as noites mal dormidas
Por
todos os risos que não demos
Por
toda essa saudade que me mata
Por
todo esse deserto que me resta
Por
toda essa gente que faz falta
Porque nunca mais é muito tempo,
E uma lágrima só não basta.
- Edmir Saint-Clair
"O quanto de mim tem lá fora?
Quanto de lá fora tem em mim?
Quem é o reflexo de quem?
Reflito no espelho quem sou,
Só para mim.
Mas, é apenas a minha visão,
o meu jeito de ver tudo,
refletindo no que vejo,
Refletido em mim."
— Edmir Saint-Clair
Andei por muitos lugares, por perto, por longe
e nas metades de caminhos,
Me detive onde havia música, onde havia olhares,
paisagens e carinhos,
Também perdi muito tempo onde não deveria parar,
Onde os sorrisos não cabem não nos devemos demorar,
Encontrei muitos oásis, muitas pousadas amigas,
Também encontrei intrigas onde não deveria encontrar,
Em todas as praças encontrei crianças, encontrei amizades, encontrei esperanças,
Pelos silêncios do mundo busquei por respostas,
busquei por motivos, busquei por razões
que nunca encontrei.
Vi que os lugares são muito diversos,
separados por distâncias infindas,
Todas mais lindas do que onde eu deveria estar,
Descobri o lugar onde tudo existe no mesmo momento
e fazendo todo sentido,
Revelando os amigos, os amores e os sorrisos,
E, por fim, descobri que o final de todas as estradas
onde andei
Se encontram em mim.
Edmir Saint-Clair
Envolver, envolver-se, ser envolvido,
Misturar-se, fazer parte, somar-se, dividir-se,
Nada mais abstrato que romper os limites do ser
Impossível dirá a ciência,
Mas não a sapiência que isso pode envolver
E nos envolver por vontade nossa de envolver-se
Nos mais abstratos mistérios do ser
Para ser fantástico tem que ser abstrato,
O mundano é banal demais,
Para a importância que a vida tem,
Tem que ter sapiência para se tornar mistério,
Por isso, me envolvo, envolvo e sou envolvido,
E me diluo em tudo.
Além da ciência,
Sou tudo e nada ao mesmo tempo.
Até o que não sei.
Sempre estivemos presos, sempre cada um em si
Faz
parte da história da humanidade
Presos
às imagens, rótulos, marcas da futilidade
Da
vida baldia que foge de si
Da
inutilidade que não faz sentido, do que não tem alma...
Aconchego
real são os outros, são os abraços trocados
São os toques, são os risos, são os cheiros,
É
o calor de janeiro bronzeado para sempre na pele
São
muitas coisas ao mesmo tempo
Multiplicando o tempo em arte
Que
é tudo que nos resta fazer
Porque
o resto é o nada mais
O nada,
A única coisa na qual nos transformaremos
É
isso que os anos nos jogam de volta no rosto
Enrugados e marcados
Pelos dedos dos tapas que nunca mais saíram
Entranharam, esculpindo sulcos na dura face
E expondo
a fina arte que só o tempo é capaz inventar.
– Edmir Saint-Clair
Gente, quente, pulsante ser,
O lugar onde todo o universo, dentro pode conter.
É Carne e Sexo, sem nexo,
Pura luz e seu reflexo,
viajante no complexo viver.
Gente é preto, é branco, é pranto
que escorre e salga o susto de viver.
Sem saber é tudo e nada,
é pouco e muito
é meio e canto de prazer...
Gente é dia e noite, é jeito de viver,
É parte da brisa, do movimento do ar,
Do mar, do sol, do riso, do brilho da paixão.
Sempre buscando, desejando, querendo,
Tanto quanto mais gente puder ser.
Gente é vida e morte, é sorte sem saber,
É sonho, é salto, é vôo da ilusão,
É simples,
é nada,
e nem precisa ser.
- Edmir Saint-Clair
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Me darei inteiro,
Mas só a parte que te cabe, nunca tudo,
Porque sou muitos, tantos que nem sei,
E você me dará o
que quer e eu aceitarei se quiser,
Cobrar não está nesse roteiro,
O inteiro pode estar numa
fração
Só acredito no pleno, que mesmo se dando todo,
Ainda tem muitos todos para dar
Não sou metade, não busco metades,
Não acredito em metades
Porque às vezes até o pouco é demais
Seja o inteiro, a metade ou a fração
Em todos pode haver muitas verdades,
Em todos pode haver muita vontade, muito amor, muito
tesão
Busco quem tenha sonhos próprios, os meus já os tenho
Preciso é de outros, para variar, para ter surpresas,
Para me encantar
Na verdade nem procuro, pois só assim poderei achar.
O MELHOR LUGAR DO MUNDO
O melhor lugar do mundo é o colo da mãe,
É
no meio dos amigos, é onde nos sentimos em casa,
O
melhor lugar do mundo é vencendo desafios,
É
conquistando mares nunca d’antes navegados
com quem nos sentimos felizes,
É
andando de bicicleta sem rodinhas,
Com nosso pai nos amparando,
É
no campo jogando bola ou búlica,
Ou
Pique-bandeira e esconde-esconde,
O
melhor lugar do mundo
é numa brincadeira de criança,
É no abraço de um amigo,
É num beijo de namorados,
É
o nosso canto no mundo,
É
onde nos sentimentos aceitos e aconchegados.
O
melhor lugar do mundo é dentro do coração
E
da história de quem amamos.
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Ela
sempre me esperava em absoluto silêncio.
Ao sentir minha presença, sua respiração tornava-se mais intensa. Minha pulsação aumentava, tornava minha respiração quase difícil. A saudade aflorava forte. Me aproximava devagar, me aconchegando em seu corpo, sem tocá-la. Nada mais excitante do que a intenção de tocar sem tocar.
O toque anterior ao toque. As sutilezas são a essência do prazer.
Não a tocava,
apenas contornava seu rosto com o meu, a nano milímetros de sua pele, sem
tocá-la, afastava seus cabelos com o nariz, até alcançar o pescoço. Sentir seu
hálito fazia meu cérebro funcionar em outra sintonia, sensibilidade muito além
da flor da pele.
As sensações do tato, olfato, paladar e audição se acentuavam, se misturavam e nos transformavam. Cheiros, sons, texturas, sabores. A fome. Muita fome.
Esse aproximar e tocar dos corpos fazia desaparecer o espaço entre eles, alma engolindo alma, corpo devorando corpo. Só o prazer nos alimentava. Luta feroz. Meu prazer era te levar à pequenas mortes. Sua fome animal dizia que íamos morrer, e morríamos, muitas vezes. E morríamos de novo. Colados como um quebra-cabeças perfeitamente encaixado.
A vida resolvida para sempre.
Nossos encontros eram assim.
Edmir Saint-Clair