O autoconhecimento é o único método que pode nos auxiliar no desenvolvimento de ferramentas internas eficientes que podem nos auxiliar na conquista de nossa autonomia decisória. Só o autoconhecimento é capaz de nos revelar o que nos move e o que nos paralisa; de nos mostrar as forças invisíveis que nos impulsionam ou nos freiam.
Compreender nossas próprias reações de forma acolhedora é um ato de protagonismo. Não se trata de julgar os próprios sentimentos — eles são parte inseparável da nossa natureza — mas, sim, de interpretá-los, compreendê-los e canalizá-los de forma consciente para que se tornem combustível para nos locomovermos existencialmente. Para que se convertam de ansiedade paralisante em motivação realizadora.
O livre arbítrio autêntico é o resultado de um árduo trabalho interno, diário e incansável. É uma de nossas maiores conquistas possíveis. É a única chance de transcendermos nossa natureza animalesca que nos impele, o tempo todo, a reagirmos no modo luta ou fuga.
Com resiliência e determinação, a troca de percepção se torna um hábito. O que antes ameaçava paralisar, pode se converter em combustível para o desempenho desejado. Se transformar em vontade de realizar.
O resultado é: energia psíquica reorganizada, foco determinado e a sensação concreta de estar no controle do que é possível ser controlado.
E assim, assumimos o poder de dirigir a nós mesmos. De caminhar na direção que desejamos.
Para mim, o livre arbítrio é um software que não vem instalado de nascença em nosso cérebro. Ao contrário, é difícil de ser adquirido, sendo assim, a maior conquista pessoal que um ser humano pode almejar.
Cabe a cada um desenvolver seu próprio software, aliando conhecimento e as ferramentas científicas disponíveis para auxiliar no aprofundamento do autoconhecimento. Não é fácil, nem garantido. É individual e solitário.
Mas, quem conquista o poder de conduzir a si próprio jamais será conduzido pela vontade dos outros.
Edmir Saint-Clair
