O DIA EM QUE CONHECI UMA LENDA
Eu tinha uns 12 anos e acabara de ganhar meu primeiro violão no último natal. Passava a maior parte do tempo entre a praia, as peladas à tarde e o violão no resto do tempo. Dias cheios, quentes e inesquecíveis.
O condomínio dos Jornalistas, no Leblon, fervia de crianças e adolescentes. Dos seis aos vinte havia gente de todas as idades. Bem no centro do condomínio havia um rinque de patinação que servia, principalmente, para o pessoal ficar sentado nas bordas. No centro, tinha de tudo, menos gente patinando. À noite, a festa continuava com brincadeiras de polícia e ladrão com 50 crianças em cada time correndo por uma área que corresponde a um quarteirão inteiro do Leblon cheio de árvores e com espaço à vontade. Era uma festa diária e interminável.
Os quase adolescentes como
eu, ficavam conversando e tocando violão, tentando chamar a atenção das meninas. Eu ficava olhando e tentando
repetir a posição dos dedos no meu violão. Eu levava jeito e em pouco tempo
estava tocando algumas coisas mais simples, Carpenters, James Taylor,
Carole King e outros adocicados do gênero. Dos brasileiros eram poucos que
faziam sucesso na nossa roda; Novos Baianos surgindo, Milton Nascimento e o clube da esquina,
Mutantes e o Terço eram as exceções.
Mas, quem fazia sucesso naquelas férias era James Taylor. Naquele dia, depois da décima repetição de “You've got a friend” senti que era hora de subir para casa, naquela época ainda tinhamos hora determinada pelos pais para voltar.
Quando cheguei à minha portaria, já estava esperando o elevador um cara alto, jovem, muito magro e com os cabelos penteados de um jeito engraçado. Puxou conversa quando viu meu violão. Falou que era da Bahia e estava na casa dos primos, Horácio e Heloísa, que eu conhecia desde sempre, apesar de serem mais velhos do que eu. Disse que era cantor e que iria se apresentar no Festival Internacional da Canção da Rede Globo. Fiquei entusiasmado com aquilo, o cara era muito simpático e gente boa, o que não era comum, já que os “caras mais velhos” não davam a menor importância para pirralhos como eu. Quando chegou meu andar, abri a porta, me voltei para ele e perguntei:
- Como é seu nome? Vou
assistir você na TV.
Ele respondeu sorrindo:
- Raul Seixas.
- Edmir Saint-Clair
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