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O PRIMEIRO DIA DE FÉRIAS

Primeiro dia de férias

Depois de doze prestações mensais de trabalho quitadas, finalmente, adquiri minhas férias próprias. Primeira manhã, férias novinhas, zero quilômetro, toda equipada com réveillon, verão e um monte de surpresas que, espero, aconteçam.

Chego à conclusão de que, sem dúvida, o verdadeiro fruto do trabalho são as férias. Uma vadiagem remunerada, sem culpa, admirada e almejada por todos.  Sinto que o cérebro está em festa, animado. Vem-me à memória uma frase que não sei de quem é, mas é boa: “Com o coração em festa e a alma a gargalhar”. Sou o retrato dela no momento, a caminho do mar.

O sinal demora a abrir. Tudo bem, estou de férias, tenho tempo. 

Não é à toa que, quando os médicos não sabem mais o que fazer por um paciente estressado, receitam férias. Até hoje, a ciência farmacológica não descobriu nenhum remédio melhor. Nem homeopatia, nem shiatsu, nem rivotril, nem cloroquina; Férias. Deveriam testar uma psicanálise praiana, feita debaixo da barraca e tomando água de coco... quem sabe?

O melhor dia das férias é o primeiro. Tudo ainda está por acontecer, cabe tudo. Ainda não existe tempo passado para haver frustração, só futuro, só expectativas boas. Fico surpreso, depois de um período de afastamento, provocado por essa coisa chamada trabalho, seria natural um certo período de readaptação praieira. Mas, surpreendentemente, já no primeiro minuto sinto-me totalmente à vontade. A praia do Leblon é, literalmente, a minha praia. A textura da areia, nem muito fina nem muito grossa, perfeita. A textura da areia das praias dessa orla, do final do Leblon até o Leme, tem uma consistência única. A areia de cada praia do mundo é como uma impressão digital, é exclusiva daquela praia. A areia encontrada em uma determinada praia é criada pelo seu entorno. Ou seja, não existe areia igual ao da praia do Leblon/Ipanema, que na realidade são uma só, dividida apenas pelo canal do Jardim de Alah.

    Numa rápida passagem de olhos, analiso as condições de vento, mar e a melhor posição para minha cadeira. Isso tudo exige certa ciência, não é para qualquer um, tem que ser da terra, minhôco. A praia do Leblon, às terças-feiras de um dia qualquer, é meu paraíso particular. Tem cheiro de férias desde que me entendo por gente. O mesmo cheiro, essa mesma praia, que sempre me fazem ter a sensação de colo de mãe, misturado com o som desse mar que me embala. Um carinho da vida. Um beijo da brisa que sopra. Meu lugar especial no mundo.

Agora, com licença, estou de férias e já escrevi muito. Tenho mais o que não fazer.  

 - Edmir Saint-Clair

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A COPA DO MUNDO EM CIMA DOS CARROS

 

Ano 1970,  Brasil Tricampeão Mundial. O Leblon comemorou entusiasticamente, saindo às ruas a cada partida. As turmas se reuniam para ver os jogos e a batucada rolava animada. Na final a festa ultrapassou o bairro e se juntou às outras pela cidade toda. Uma só festa. A turma do Condomínio dos Jornalistas fechou a Av. Ataulfo de Paiva e parava carros e ônibus que passavam buzinando e gritando a senha mágica: “É campeão!”

 Esse grito tomou conta de cada cantinho do Leblon e do Rio. Bandeiras, faixas, camisas, qualquer coisa verde amarela ou qualquer coisa que tivesse a ver com futebol servia para vestir a cidade tricampeã, o país tricampeão! Foi a primeira vez na vida que vi e vivi a sensação do país inteiro parar.

Foi inesquecível. Comemorei em cima do carro do Seu Waldenor, pai da Lena, Tetê e Gugu, em cuja casa uma turma grande assistiu a todos os jogos da Copa sem mudar a camisa porque estava dando sorte, e ainda tinha aquelas lourinhas lindas.

Elas moravam no primeiro andar do prédio que fazia esquina da Rua Almirante Pereira Guimarães com Av. Ataulfo de Paiva. A energia era eletrizante naquela minha primeira Copa do Mundo, onde meu interesse já não era só pelo futebol. Deu sorte, tricampeões!

 Seu Waldenor tinha um fusca que, generosa e despojadamente, colocou no meio do trânsito caótico-comemorativo e nos levou pela praia, depois da vitória na final, até a Av. Atlântica lotada e carnavalesca. Eu estava vivendo um dia histórico que ficaria para sempre na memória do país.

No fusca do Seu Waldenor umas dez crianças/adolescentes iam dentro e mais umas 15 iam penduradas no teto, capô e onde desce para se segurar. A velocidade do trânsito era menor do que um velho andando, por isso, não oferecia perigo.  Hoje, penso que o carro dele deve ter ficado completamente amassado, amarrotado com tanta gente em cima da lataria. Seu Waldenor era um cara muito do bem, um pai bem legal com os amigos das filhas. Todas lindas. Minhas irmãzinhas para toda a vida. Não sei por que, mas, naquele ano, nessas comemorações a moda era ficar em cima dos carros trafegando, mesmo antes da final, as vitórias a cada partida eram comemoradas assim. Alguns carros andavam em velocidade normal, com jovens em cima da lataria externa. Ainda bem que essa moda passou, era muito perigoso. Alguns passavam em velocidade maior, gritando e causando alvoroço.

Moda é uma coisa irracional, sempre foi e cada época tem suas loucuras peculiares. Mas, não me lembro de nenhuma notícia disso ter causado acidentes mais graves, o que é surpreendente.

De lá pra cá, esqueci de muiiitas coisas, menos do time Tricampeão do mundo: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gerson e Rivelino. Jairzinho, Tostão e Pelé.

Foi a primeira Copa do Mundo da qual me lembro perfeitamente. Eu morava no Condomínio dos Jornalistas. No Tetracampeonato de 94, morava na Rua Carlos Góes e, no Penta de 2002, na Av. Bartolomeu Mitre.  Cada uma comemorada à moda de sua época. Todas no Leblon. Meu pedaço de mundo. Lembrar, às vezes, é tão bom...

- Edmir Saint-Clair

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