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A RECEITA DA FELICIDADE

 

Todos os dias pipocam dúzias de textos sobre o tema Felicidade. Livros são lançados, artigos escritos, vídeos e todo tipo de arquivos são produzidos e vem se juntar a uma incontável biblioteca sobre o assunto.
Ao refletirmos sobre isso, vemos que existem milhares de rótulos cujo cerne é a felicidade: psicologia, filosofia, autoajuda, meditação, sexoterapias, práticas tântricas, yogas e outras centenas de "cadeiras" da matéria.
"A Felicidade não existe,
o que existe são momentos felizes".
Peninha
Por mais óbvia e simplória que essa frase pareça, a princípio, trás uma verdade incômoda e nem um pouco romântica. Em seu enunciado, já determina sua finitude inexorável.
Que tipo de felicidade transcendental é essa que a humanidade tanto busca? Uma felicidade perene e inalterável, onde cessa a tristeza e a contrariedade.
Um "foram felizes para sempre..."
Assim colocado, fica fácil vermos que a felicidade como um estado permanente é uma utopia absoluta. Se transformaria em tédio em pouco tempo, faz parte da inquieta natureza humana.
Mas, se a pensarmos como apenas momentos de pleno gozo da existência, a filosofia "Peninha" é absolutamente verdadeira.
A maioria de nós, que já passou de certa idade, tem razoável certeza de que existem muitos momentos onde nos sentimos plenos, felizes. Pelos mais variados motivos.
Saber perceber esses momentos, enquanto estão acontecendo, é fundamental no processo de aprender a ser feliz. Aprender a nos cercarmos de situações que possam deflagrar aquela sensação tão desejada.
Esse processo é desenvolvido intuitivamente durante a vida, e a forma como esse aprendizado se consolida. em cada um. é o que determina a capacidade ou a incapacidade de alcançar esses momentos. Se desenvolveremos ou não a capacidade ser feliz.
Ser feliz é um aprendizado, um mérito pessoal. Uma conquista. Uma consequência da busca sincera por nossa verdade essencial.
A consciência do agora, do exato momento em que estamos sendo felizes, é o que completa a felicidade tornando-a plena como um gozo total do ser.
É por esse momento que a humanidade vive. Para sermos palco, em nosso interior, de uma explosão espetacular e plena de sentimentos e sensações que são absolutamente compensadoras.
Ás vezes, sua exteriorização não passa de um leve sorriso. Outras, é, literalmente, como um gol do seu time num estádio lotado só com torcida a favor. Um espetáculo!
Para que essas sensações, emoções e sentimentos se somem e explodam, é preciso que aconteça uma progressão sincronizada dos acontecimentos detonadores daquelas descargas químicas certas , únicos em cada ser.
Esse conjunto de fatores, muito pessoais e individualizados, se juntam e fazem nosso sistema orgânico produzir uma série de hormônios, em quantidades e proporções exatas, de tal forma que o resultado é a descarga daquelas sinapses únicas que provocam a sensação que chamamos de Felicidade. A plenitude indescritível.
Esse processo é extremamente individual e único. Sequer no mesmo indivíduo acontece exatamente da mesma forma duas vezes. O simples fato de já ter ou de nunca ter acontecido já determina essa originalidade.
Pensando assim, na felicidade como um conjunto de fatores que nos faz sentir bem por um período de tempo, podemos sim encontrar esses ingredientes que nos causam bem estar, e traduzi-los em decisões e atitudes que nos proporcionem mais prazer do que incômodos. O aumento da frequência dos momentos prazerosos funciona como reforço, é um tipo de treino para o nosso cérebro, aumentando as possibilidades de que os fatores disparadores daquele estado mental se repitam, aumentando a chance de sentir novamente aquelas sensações maravilhosas. Ou seja, quanto mais vezes nos sentirmos felizes, mais vezes seremos felizes de novo. Felicidade gera felicidade.
Para que tenhamos o discernimento necessário para saber o que nos agrada, o que não faz diferença e o que nos contraria, é preciso autoconhecimento. É preciso aprender a se feliz.
Prestar atenção nos próprios sentimentos e reações é fundamental. Ter a capacidade de perceber onde estão nossos limites requer autocrítica e conclusões, muitas vezes, incômodas e perturbadoras. Ninguém gosta de reconhecer suas limitações, fraquezas e carências.
Depois dessa etapa, vem uma tão difícil quanto: estipular os nossos limites externos.
Até onde deixar que os outros opinem, influam e nos cobrem por nossas decisões de âmbito pessoal? Até onde deixar, e quem vamos deixar que "se meta em nossa vida".
Até onde dar satisfação de nossos atos, e a partir de onde nossas motivações e propósitos são questões sobre as quais não devemos satisfação a ninguém? A independência emocional é fundamental para realizarmos nossa essência. É preciso estabelecer limites e até onde permitiremos que outras pessoas interfiram em nossos processos. Para isso, é preciso que nos coloquemos como o único responsável capaz de produzir nossa própria felicidade.
É complicado. Mas, ninguém disse que não seria.
Para formular nossa própria receita de felicidade, primeiro é preciso descobrir quais ingredientes nos agradam e em que quantidades devem ser usadas, para que o resultado nos traga a satisfação da vida com sabor.
E, como seria bom, se pudéssemos deixar essa receita como herança para nossos filhos. Como a receita de um bolo da vovó.
Mas, infelizmente, essa receita só vai servir para o próprio.
É pessoal e intransferível.
E, quando a gente pensa que está chegando a uma conclusão, entra mais alguém na história e dana-se tudo de novo.
Se sozinho já é difícil, imagina a dois...

- Edmir Saint-Clair

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UM CLIQUE E NADA FOI COMO ANTES

 

Um clique e nada foi como antes.
Não estou me referindo a nenhum clique eletrônico. Refiro-me aquele que acontece dentro de nós. Aquele raro momento em que percebemos o instante exato em que uma mudança interior se concretiza.

É o segundo logo após uma mudança definitiva. Aquele ponto em que percebemos que uma mutação interior acabou de acontecer. É um cruzar de braços diferente de como sempre cruzamos antes. Tão diferente, que nos gera surpresa. Não me lembro de tê-lo sentido as inúmeras vezes que já deveriam ter acontecido antes, para quem já viveu várias décadas. Senti isso apenas algumas vezes na vida e nem sempre quando era de se esperar. E nunca como dessa vez.

Talvez, porque hoje tenho mais consciência do agora, do que ocorre exatamente no momento presente,  percepção essa que só conquistamos com o  acúmulo de experiências que só o tempo nos proporciona. Quando a maturidade chega. Dessa vez, me chegou através desse clique e de forma absolutamente clara. No banho, embaixo chuveiro.

O banho é um dos momentos em que mais me ocorrem pensamentos “filosóficos” e transcendentais.  Adoro água, de preferência do mar, mas a do chuveiro, também, é ótima. O banho, para mim, é sempre um momento muito agradável. Desde adolescente... mas, o motivo agora é outro.

Sentindo a água morna batendo na cabeça, escorrendo pelo corpo, nem me lembro sobre o que divagava. Lembro-me apenas de ter mudado de posição embaixo do chuveiro.

 De repente, assumi uma postura corporal diferente, inédita. Nada espetacular ou perceptível para qualquer outra pessoa que estivesse me observando. Se estivesse sendo gravado por uma câmera, nem assim seria perceptível para qualquer outra pessoa, mesmo que me conhecesse muito bem. Mas, para mim, foi tão diferente que me causou grande surpresa. Quase um susto. Um cruzar de braços, um reposicionamento do corpo, que culminou com uma postura geral completamente diferente. Chegou a me soar estranho.  

Naquele momento, senti perfeitamente a concretização interior de uma mudança profunda, definitiva e surpreendente. Algo aconteceu que me fez diferente do que era segundos antes. Gostei do que senti. Achei delicioso mudar. Quero mudar mais, visitar meus outros eus possíveis. 
O acúmulo desses cliques costuma causar maturidade,  sabedoria e a abertura de portais mentais para a percepção de possibilidades infinitas.

- Edmir Saint-Clair

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IMAGINAÇÃO: UMA FACA DE DOIS GUMES

 

Segundo Platão, existe um plano das idéias.

Toda realidade que percebemos é um reflexo dessas idéias.

O plano das idéias é onde se origina uma das faculdades mentais que nos diferenciam de outras espécies, a imaginação. A capacidade de ver com a mente coisas que não, necessariamente, existem no plano real, naquele momento. É a capacidade de projeção de algo ou situação abstrata.

Criatividade x Fantasia?

As duas nascem no plano da imaginação, e se confundem a princípio. A criatividade é ativa, a fantasia é passiva. Ambas fazem parte do plano das idéias e são derivadas da nossa faculdade de imaginar coisas.

São as duas faces de uma mesma moeda, com uma diferença fundamental: não tem o mesmo valor quando se trata de produzir algo novo.

O lado positivo da imaginação produz a criatividade, que se manifesta na ânsia de viabilização daquilo que foi imaginado, resultando em sua realização efetiva.

A criatividade pressupõe um projeto de amanhã. Evolui, torna- se um trabalho e realiza-se.

A fantasia, apesar de muitas vezes festejada, tem um aspecto bastante negativo; nem sempre evolui para ser um projeto de construção de um amanhã. Muitas vezes pode substituir, perigosamente, o processo trabalhoso dessa construção e ir direto para o estado de prazer imediato que a fantasia pode proporcionar. Para quem não acredita no próprio potencial de realização, a fantasia é tudo que resta. A fantasia busca o prazer imediato, busca apenas um alívio, um caminho mais fácil.

 Ela não pensa em construir sua própria realização, apenas sonha inconsequente. A fantasia, quando é levada apenas como brincadeira, um recreio da mente, é muito saudável. É normal fantasiarmos ser um pop-star ou um ídolo famoso. Quem nunca se apresentou para um maracanãzinho lotado, aplaudindo de pé, enquanto cantava embaixo do chuveiro? Enquanto ficar só embaixo do chuveiro, essa fantasia não passará de uma brincadeira deliciosa e inconsequente. Enquanto ficar no plano da diversão e do prazer, ela servirá plena e saudavelmente à sua natureza, que é realizar-se em si mesma.

Mas, sozinha ela não atende às nossas necessidades básicas de sobrevivência.

Nossa mente é palco constante de ambigüidades traiçoeiras. A partir do poder de imaginar, tanto podemos evoluir na direção da imaginação criativa quanto para a fantasia paralisante. Via de regra, desenvolvemos as duas vertentes, de modo que, no início do processo imaginativo, fica muito difícil prever para que direção aquele pensamento irá pender. No nascedouro das idéias, elas não tem diferença alguma, são a mesma coisa: nossa mente abstraindo e paramaterializando uma projeção. Somos capazes de imaginar eventos bastante complexos.

O destino que damos a nossa imaginação é o que faz toda a diferença.

Podemos arregaçar as mangas e tentar produzir o que imaginamos ou podemos nos sentar e ficar fantasiando como seria bom se aquilo se realizasse como ficaria feliz, famoso, bonito, rico e tudo que poderia usufruir como conseqüência. A fantasia, nesses casos, pode alcançar estágios perigosos e delirantes, principalmente, em indivíduos com uma realidade já fragilizada.

O interessante dessa história, é que, quando bem dosada, a fantasia pode ser um elemento propulsor da imaginação. Assim como imaginar criativamente, fantasiar os resultados também faz parte do mecanismo de motivação pessoal. Se for encarada como uma das possíveis conseqüências de um processo, será saudável. Mas, caso se torne o único evento derivado da imaginação, será infrutífero e inócuo. Muitas vezes, chegando a se tornar extremamente danoso e doentio.

- Edmir Saint-Clair

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O DIA EM QUE CONHECI UMA LENDA

 O ano era 1972.  Janeiro, férias escolares. Eu tinha uns 12 anos e acabara de ganhar meu primeiro violão no último natal. Passava a maior parte do tempo entre a praia, as peladas à tarde e o violão no resto do tempo. Dias cheios, quentes e inesquecíveis. O condomínio dos Jornalistas, no Leblon, fervia de crianças e adolescentes. Literalmente, dos seis aos vinte havia gente de todas as idades. Bem no centro do condomínio havia um rinque de patinação que servia, principalmente, para o pessoal ficar sentado nas bordas. No centro, tinha de tudo, menos gente patinando. Os mais novos jogavam “roda de bobinho” aos sábados depois de sermos expulsos do campo pelos mais velhos. À noite, a festa continuava com brincadeiras de polícia e ladrão com 50 crianças em cada time correndo por uma área que corresponde a um quarteirão inteiro do Leblon.

Os quase adolescentes como eu, ficavam conversando e alguns tocavam violão. Eu ficava olhando e tentando repetir a posição dos dedos no meu violão. Eu levava jeito e em pouco tempo estava tocando algumas coisas mais simples, America, Carpenters, James Taylor, Carole King e outros adocicados do gênero. Dos brasileiros eram poucos que faziam sucesso na nossa roda; Novos Baianos surgindo, Milton Nascimento, Mutantes e alguns dessa tribo.

Os FIC (Festivais Internacionais da Canção da Globo) estavam em decadência e já não despertavam tanto a nossa atenção como antes. Só a minha, que sempre fui ligadíssimo em música desde que me entendi por gente, e me interessava por tudo. Acompanhava pelo jornal o passo a passo das etapas e sabia quem eram todos os participantes, tanto da fase nacional quanto da internacional.

Mas, quem fazia sucesso naquelas férias era James Taylor. Naquele dia, depois da décima repetição de “You've got a friend” senti que era hora de subir para casa, bateu o sono.

Quando cheguei à minha portaria, já estava esperando o elevador um cara alto, jovem, muito magro e com os cabelos penteados de um jeito engraçado. Puxou conversa quando viu meu violão. Falou que era da Bahia e estava na casa dos primos, Horácio e Heloísa, que eu conhecia desde sempre, apesar de serem mais velhos do que eu. Disse que era cantor e que iria se apresentar no FIC da Globo. Fiquei entusiasmado com aquilo, o cara era muito simpático e gente boa, o que não era comum, já que os “caras mais velhos” não davam guarida para pirralhos como eu. Quando chegou meu andar, abri a porta, me voltei para ele e perguntei:

- Como é seu nome? Vou assistir você na TV.

Ele respondeu sorrindo:

- Raul Seixas.

- Edmir Saint-Clair



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DEIXA PRA LÁ

  

    Um homem fraco e mal educado quase derruba uma senhora, e toma-lhe o lugar no assento do ônibus.  José observa tudo e fica revoltado, mas pensa:

-Deixa pra lá. 

    João está a várias dezenas de minutos na fila para pagar uma conta. Uma mulher, aproveitando-se de sua beleza e da feiúra dele, pede, insinuante que ele deixe-a passar na sua frente. Ele desconcerta-se e pensa:

-Deixa pra lá.

     Nada é mais patético do que o Deixa pra lá nosso de cada dia. 

É nele que o mal floresce.

Edmir Saint-Clair

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CENAS DESCONCERTANTES

Um jovem monge tibetano , recém-chegado em Copacabana, resolve perguntar a um rapaz que passava:

- Como faço para chegar até o Cristo Redentor?

O rapaz faz um sinal apontando para o celular do jovem monge. O monge o entrega ao rapaz que o pega e sai correndo.

Edmir Saint-Clair

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É PRECISO SABER SE SENTIR FELIZ

 

Uma relação leve e espontânea parecia estar surgindo e ela não queria acelerar aquela evolução que acontecia tão naturalmente. Era gostoso e divertido toda vez que se encontravam, o que estava se tornando cada vez mais frequente. Ela adora a liberdade que a solteirice proporciona. Já fizera a felicidade dos pais, da família, das amigas e a sua própria, realizando o casamento que todos esperavam, inclusive ela mesma. Agora, sentia-se livre. 

A separação fora sem sobressaltos e menos tristeza do que ela imaginava e gostaria. De lá pra cá, pequenos namoros sazonais a satisfaziam plenamente, acordar ao lado de alguém tornara-se tão raro quanto indesejado, fazendo com que ela confundisse um pouco as coisas depois daquele delicioso café da manhã servido na cama.

         Mas, deu-se conta que só conseguia sorver plenamente aquele momento com a leveza da alma que acorda já descobrindo-se desperta, exatamente pela raridade da ocasião, pela conjunção improvável e aleatória; momentos que redimem a vida e justificam o caos.

O momento onde o nosso desejo se encontra com a gente. 

É preciso saber perceber quando tudo já deu certo. É preciso saber se sentir feliz.

Edmir Saint-Clair

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ESTAMOS PENSANDO DEMAIS

 

Estamos sobre carregando nosso cérebro com uma quantidade nunca antes imaginada de informações por minuto. Nos chegam por todos os lados e vindas de todo tipo de fontes imagináveis. Se não formos seletivos e atentos, terminamos entrando em grupo de terraplanistas sem nem saber como chegamos ali... É um caso muito sério.

As redes sociais excitam o cérebro não deixando que ele tenha pequenos “períodos de descanso” entre um foco e o próximo. A maioria das vezes os pensamentos se atropelam, um querendo passar na frente do outro, um querendo parecer mais importante que o outro. Isso causa cansaço e confusão mental que, por vezes, as noites de sonos não conseguem recuperar.

Se não tomarmos muito cuidado podemos submeter nosso cérebro a uma sobrecarga com consequências imprevisíveis.

Pensar demais nos faz passar muito mais tempo trancados em nossas mentes do que vivendo a realidade. E assim, os problemas se agigantam. Pensar demais não quer dizer pensar melhor. A maioria das vezes ocorre exatamente o contrário, entra-se num hiper foco e, consequentemente, perdemos a visão periférica que nos situa com relação a todo nosso entorno físico e psíquico.

Quando somos estimulados não temos controle, porque pensar é algo que não podemos evitar. Mas, tudo em exagero faz mal e uma pane mental pode fazer grandes estragos.

Não é a toa que a meditação, a arte de silenciar o cérebro, é tão procurada como um elixir do equilíbrio e da tranquilidade.

Cada vez mais a observação brilhante do grande poeta e pensador Ferreira Gullar faz todo sentido: “A arte existe porque a vida não basta.”.

Daí a gigantesca importância das artes, da diversão, dos amigos, da praia, do futebol e de tudo que nos faz sorrir e não pensar. 

A verdade é, que quando estamos felizes não pensamos em nada, e é quando existimos mais do que nunca.

Edmir Saint-Clair

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AMAR E SER FELIZ

Fruto do mais legítimo acaso, caiu-me nas mãos um livro particularmente necessário para mim, naquele momento. 

O livro realmente me impressionou, como há muito não acontecia.

Identifiquei-me profundamente com os pensamentos ali expressos. Trata-se da transcrição de uma palestra do filósofo francês contemporâneo André Comte-Sponville. O nome do livro é Felicidade, desesperadamente. Ele faz um passeio pela história da filosofia e, através da ótica de várias escolas  filosóficas, discorre sobre as emoções humanas, particularmente o amor.

O livro me fez compreender o que sempre pensei e nunca havia conseguido enunciar e entender de forma tão clara e objetiva.

A identificação com a condução do raciocínio em torno do tema proposto pelo escritor foi completa. A primeira coisa que me fez ver, é que eu havia, finalmente, compreendido o que é amar de verdade, para mim. Não no sentido de intensidade mas, no sentido de profundidade e amplitude. E, principalmente, no sentido da ação.

O verdadeiro amor é aquele que desperta, espontaneamente, nossas melhores características pessoais. O lado mais humano, amigo, parceiro. É o que provoca a atitude de fazer o outro feliz em cada interação. É o cuidado de utilizar a percepção, que a sintonia com a pessoa amada provoca, para chegar aos mais deliciosos e nobres requintes de amor, carinho e tudo mais torna uma relação apaixonante.  E, por causa dessas atitudes bonitas para com o ser amado, nos vemos mais bonitos, iniciando um ciclo muito saudável. Nossa autoestima aumenta, o que nos faz amar o amor que sentimos pela outra pessoa. E, esse ciclo se estende ao sermos retribuídos e, por isso, amamos ainda mais a pessoa que nos faz sentir todo esse prazer de viver. Isso aumenta e se fortalece a medida em que transformamos esse amor em novas atitudes, nos fazendo capazes de sentir felicidade pela felicidade do outro.

Cada um do seu jeito, com as suas verdades. Unidos apenas pela felicidade de estar junto. Pela alegria e o prazer que o amor proporciona.

É preciso aprender a amar e isso leva tempo. E, na maioria das vezes, dói aprender. 

 A felicidade não existe para o amor dos imaturos, do desejo egoísta que quer o objeto porque não o tem. Do que quer a posse, o controle, o poder de manipular o outro através dos sentimentos. Estes estão condenados a infelicidade.

Acredito no amor que trás consigo a possibilidade real de felicidade. Que nos faz sentir alegria apenas com o pensamento de que a pessoa amada existe e, também, nos ama. A simples idéia da existência do outro já é razão de sentir alegria.

No amor verdadeiro não existe posse. Existe desejo. Não existe obrigação. Existe vontade. Cada encontro acontece porque o desejo impulsionou. Porque trás prazer e alegria.

O prazer de se sentir o objeto de desejo do nosso objeto de desejo é indescritível, é o momento mais mágico da vida.

O amor verdadeiro é saudável, é a sensação de prazer pelo prazer do outro; é multiplicar por dois as possibilidades de felicidades, para ambos.

Um dia chegaremos lá...

- Edmir Saint-Clair

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A NECESSIDADE DE DESEMPENHO E A PARALISIA EXISTENCIAL

Há períodos em que nos vemos tomados

por uma espécie de paralisia existencial.

Agoniante e insuportável.


É como naquela brincadeira de criança que, de repente, alguém grita “estátua” e todo mundo tem que parar na posição que estiver. Ninguém se mexe. A gente pensa, mexe os olhos, respira, mas não se mexe.

São muitas idéias, muitos projetos e uma falta total de ação. Uma impossibilidade física de produzir, mesmo com toda a matéria prima pronta, organizada na cabeça e energia saindo pelo ladrão. Falta aquele clique que desencadeia o desenrolar dos acontecimentos. Mas, não clicamos. Adiamos. Não dá trabalho algum, mas não clicamos. Não agimos, não fazemos o que temos e queremos fazer. A ansiedade aumenta, o bolo no peito sufoca, porque falta-nos a ação. Como se o nosso corpo não obedecesse ao comando. Uma agonia perturbadora que pode chegar a extremos.

O cobrança por alto desempenho tem nos levado a quadros de ansiedade capazes de nos tirar o impulso de agir até mesmo para buscar ajuda . Além da cobrança do mercado de trabalho temos, mais importante do que essa, a nossa própria cobrança interna, não raro, ainda mais cruel.

Esse compromisso compulsório com algo que nem sabemos direito o que é, está presente o tempo inteiro, diariamente, em todos os campos de atuação, nos fazendo adoecer e causando, muitas vezes, distúrbios incapacitantes. A ansiedade paralisante é apenas uma delas.

Gera uma inquietação onipresente e oculta, que sempre tem como subproduto cumulativo sentimentos negativos sobre si mesmo, que subtraem porções significativas de nossa qualidade de vida e saúde, a cada minuto. 

Não existe um motivo evidente que, por si só, justifique o estado permanente de tensão. Mas, ele está lá, atrapalhando, incomodando e, às vezes, paralisando. Uns dizem que é medo do sucesso, outros que é medo do fracasso. E, por aí, se desenvolvem milhares de teorias que vendem como água no deserto, sob a forma de literatura de autoajuda.

O compromisso com o desempenho, em todos os aspectos, que nos é imposto por todos os lados reais e virtuais, é algo terrível que pode nos empurrar para uma vida muito pesada e difícil.

Precisamos deixar de lado essa cobrança cruel e desumana que a "sociedade", essa entidade fantasmagórica que age nas sombras dos nossos próprios pensamentos, nos impõe. 

Quanto menor nosso autoconhecimento maior será essa influência negativa, se manifestando nas várias formas desse transtorno paralisante. Ela pode chegar a níveis literalmente insuportáveis. Por vezes, até respirar fica difícil.

Quanto maior nosso autoconhecimento, autoestima,  ferramentas psicológicas aprendidas e nossa rede de apoio humano, menos esse condicionamento social cruel e determinante nos influenciará.

Ainda bem que vivemos em tempos onde as terapias oferecidas pela neuro-psicologia já nos oferecem recursos para transformar toda essa agonia e ansiedade em crescimento, evolução e qualidade de vida.

Há saída.


 - Edmir Saint-Clair

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O PRIMEIRO DIA DE FÉRIAS

Primeiro dia de férias

Depois de doze prestações mensais de trabalho quitadas, finalmente, adquiri minhas férias próprias. Primeira manhã, férias novinhas, zero quilômetro, toda equipada com réveillon, verão e um monte de surpresas que, espero, aconteçam.

Chego à conclusão de que, sem dúvida, o verdadeiro fruto do trabalho são as férias. Uma vadiagem remunerada, sem culpa, admirada e almejada por todos.  Sinto que o cérebro está em festa, animado. Vem-me à memória uma frase que não sei de quem é, mas é boa: “Com o coração em festa e a alma a gargalhar”. Sou o retrato dela no momento, a caminho do mar.

O sinal demora a abrir. Tudo bem, estou de férias, tenho tempo. 

Não é à toa que, quando os médicos não sabem mais o que fazer por um paciente estressado, receitam férias. Até hoje, a ciência farmacológica não descobriu nenhum remédio melhor. Nem homeopatia, nem shiatsu, nem rivotril, nem cloroquina; Férias. Deveriam testar uma psicanálise praiana, feita debaixo da barraca e tomando água de coco... quem sabe?

O melhor dia das férias é o primeiro. Tudo ainda está por acontecer, cabe tudo. Ainda não existe tempo passado para haver frustração, só futuro, só expectativas boas. Fico surpreso, depois de um período de afastamento, provocado por essa coisa chamada trabalho, seria natural um certo período de readaptação praieira. Mas, surpreendentemente, já no primeiro minuto sinto-me totalmente à vontade. A praia do Leblon é, literalmente, a minha praia. A textura da areia, nem muito fina nem muito grossa, perfeita. A textura da areia das praias dessa orla, do final do Leblon até o Leme, tem uma consistência única. A areia de cada praia do mundo é como uma impressão digital, é exclusiva daquela praia. A areia encontrada em uma determinada praia é criada pelo seu entorno. Ou seja, não existe areia igual ao da praia do Leblon/Ipanema, que na realidade são uma só, dividida apenas pelo canal do Jardim de Alah.

    Numa rápida passagem de olhos, analiso as condições de vento, mar e a melhor posição para minha cadeira. Isso tudo exige certa ciência, não é para qualquer um, tem que ser da terra, minhôco. A praia do Leblon, às terças-feiras de um dia qualquer, é meu paraíso particular. Tem cheiro de férias desde que me entendo por gente. O mesmo cheiro, essa mesma praia, que sempre me fazem ter a sensação de colo de mãe, misturado com o som desse mar que me embala. Um carinho da vida. Um beijo da brisa que sopra. Meu lugar especial no mundo.

Agora, com licença, estou de férias e já escrevi muito. Tenho mais o que não fazer.  

 - Edmir Saint-Clair

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ÁGUAS DE MARÇO EM LONDRES

 

A última coisa que se espera, quando estamos em outro país, no caso a Inglaterra, é que um inglês saiba uma letra de Tom Jobim melhor do que a gente, que é brasileiro e carioca.

Estava vivendo um tempo em Londres, maravilhado com aquela mágica atmosfera londrina da segunda metade dos anos 80. Uma das coisas me levou até lá foi a música.

Uma das características mais fascinantes da cidade é a quantidade de lugares onde se pode ouvir música ao vivo. Nos parques, estações de metrô e restaurantes, na hora do almoço. A partir do entardecer a oferta aumenta e não existe lugar no mundo com mais estabelecimentos com música ao vivo.

Os pubs londrinos são famosos, não se precisa acrescentar nada ao que já foi dito quanto a isso.

Tive vontade de tocar num pub londrino. Uma apresentação solo. Voz e violão, como nunca havia feito ou sequer cogitado até aquele momento. Um pocket show de bossa-nova. Nunca fui bom em decorar nem as minhas próprias letras, mas como eram todas em português, mesmo que eu errasse ninguém perceberia. A vida inteira participei de bandas, nunca havia feito uma apresentação solo.

Meus amigos ingleses se encarregaram de conseguir o lugar para que eu realizasse minha fantasia musical.

Era um restaurante bastante agradável e espaçoso. Claro e arejado, nem parecia ser londrino. O pequeno palco era baixo e a altura do som era regulada como música ambiente. Não incomodaria quem estivesse conversando. Perfeito para mim.

Uma experiência similar a dos músicos de churrascaria, mas em Londres. Pelo menos, não tinha ninguém conhecido se o fiasco acontecesse. Isso me trazia calma.

Depois de desfilar um monte de Djavan, Toquinho, Gil, Tom e Vinícius, resolvi finalizar o set cantando Águas de Março.

Durante toda a apresentação, uma mesa próxima demonstrara estar gostando. Das sete ou oitos pessoas, um homem em particular estava bastante entusiasmado. Inclusive, me pareceu cantar algumas em português. Pelo tipo físico, era inglês com certeza.

Quando iniciei o primeiro “é pau, é pedra...”, do que seria a última musica, ele se levantou, subiu o pequeno degrau do palco e fiz-lhe um gesto encorajando-o a se aproximar. Parei de tocar, ele se apresentou gentilmente e disse que sabia a letra da música, em português...

Quase lhe respondi:

- Que bom, porque eu mesmo não sei...

Mas, achei melhor não.

O inglês pegou o microfone auxiliar e começamos o dueto mais surreal da minha vida. Como eu sabia que aquele restaurante era freqüentado quase que exclusivamente por ingleses, e eles não tem o costume de decorar a letra de Águas de março, não me preocupara com minha amnésia musical até aquele momento.

Mas, o desgraçado sabia a letra todinha... E, a partir da segunda estrofe , eu comecei a misturar pau com pedra, com toco, com fim do caminho, com chuva e o inglês tentando ir atrás do que eu falava...

Claro, afinal o brasileiro ali era eu. Se tinha alguém errando a letra em português só poderia ser ele!

Logo após soar o último acorde daquele desastroso dueto internacional, o pobre inglês aproximou-se, nitidamente constrangido, e ficou se desculpando por um bom tempo por ter se atrapalhado com letra. Afinal, disse ele, o português é uma língua muito difícil... No que eu concordei prontamente.

 Ele ficou tão inconformado que quase confessei que quem errara a letra inteira fora eu. Ele acertara tudo. 

Mas, achei melhor deixar quieto.

– Edmir Saint-Clair

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