COACH LITERÁRIO

O ORIENTADOR LITERÁRIO é um profissional que acompanha, ensina e participa de todo processo de criação de um livro. Um profissional técnico, especializado em criação, um professor de escrita e um parceiro, ao mesmo tempo. Experimente, é terapêutico e libertador. Perpetue as histórias que só você tem para contar.
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O MOMENTO EM QUE A FELICIDADE ACONTECE

 

Uma relação leve e espontânea parecia estar surgindo e  Clara não queria acelerar aquela evolução que acontecia tão naturalmente.  

Era gostoso e divertido toda vez que se encontravam, o que estava se tornando  mais frequente.

Ela adora a liberdade que a solteirice lhe proporciona.

 

Já fizera a felicidade dos pais, da família, das amigas e a sua própria, realizando o casamento que todos esperavam, inclusive ela mesma.

Agora, sentia-se livre.

 A separação foi sem sobressaltos e bem menos tristeza do que ela imaginava.

De lá pra cá, pequenos namoros sazonais a satisfaziam plenamente, acordar ao lado de alguém tornara-se tão raro quanto indesejado, fazendo com que ela percebesse que novos sentimentos estavam nascendo naquele momento, depois de um delicioso café da manhã servido na cama.

 Clara deu-se conta que só conseguia sorver plenamente aquele momento, com a leveza da alma que acorda já descobrindo-se desperta, exatamente pela raridade da ocasião, por uma conjunção do improvável com o aleatório;

... um daqueles momentos que redimem a vida e justificam o caos.

Quando nada se espera e tudo acontece.

O momento onde o nosso desejo se encontra consigo e se realiza com a cumplicidade de alguém especial, numa comunhão harmônica... natural e espontânea.

  É preciso aprender a se deixar levar pela alegria de experimentar a vida dando certo e acertando em cheio.

 É preciso saber se sentir feliz, no momento em que a felicidade está acontecendo.

 E gravar, o mais profundamente possível, cada um desses raros momentos, no infinito da nossa alma eterna .

Edmir Saint-Clair


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OS LACERDINHAS (O INCÊNDIO DA PRAIA DO PINTO)

Versão em podcast está sendo produzida.

Nunca mais vi um Lacerdinha.

Nem ouvi falar. Pensando bem, faz muitos anos, décadas, que não tenho notícia. O Lacerdinha é um inseto do tamanho de um mosquito pernilongo, só que preto, mais encorpado e sem as pernas longas. E o Lacerdinha não transmitia doenças.

Não era um mosquito, era um inseto pretinho que infestava o Leblon, principalmente as transversais, numa certa época do ano. Minhas lembranças deles estão ligadas à época em que morava na Rua José Linhares.

No final da tarde, eram cigarras cantando e Lacerdinhas caindo das árvores. Às vezes nos olhos. Ardia e coçava muito! Deixava os olhos inchados e mãe preocupada.

Eles eram atraídos por roupa clara, principalmente as amarelas. Por vezes, atingia os olhos e provocavam irritação e ardência intensas. 

Esses minúsculos insetos - (mediam poucos milímetros) - eram chamados de Lacerdinha, em referência a um antigo político carioca, Carlos Lacerda, governador no tempo do estado da Guanabara.

Descobrimos que eles ficavam nas folhas mais novas das árvores, que ainda estavam enroladas. A gente as desenrolava e surgiam um monte de Lacerdinhas em seu interior.

Para mim, os Lacerdinhas despertam uma lembrança marcante. Uma história que me provoca vergonha até hoje. Eu tinha uns 5/6 anos e era acostumado a brincar na rua. Havia muitas crianças, tanto no meu prédio quanto nos vizinhos.

 Naquele tempo no Leblon, a maioria das casas tinha uma empregada que morava na favela Praia do Pinto ou na Cruzada São Sebastião. Quando, por algum motivo, a empregada da minha mãe levava o filho para o trabalho, no caso a minha casa, ele se tornava um amigo a mais, que passaria o dia brincando comigo, meu irmão e nossos outros amigos.

Seu apelido era Bilico, o nome era Bernardo, o dia era sábado, 10 de maio de 1969, véspera do Dia das Mães. Dona Celestina e minha mãe estariam ocupadas preparando o almoço comemorativo do dia seguinte.

Bilico era muito gente boa, mais novo que eu, um ano. e mais velho que meu irmão apenas alguns meses. Era negro com os dentes grandes e brancos. Era tímido, mas engraçado, falava de uma maneira diferente que eu achava legal. Quando Bilico passava o dia lá em casa fazia tudo junto comigo e meu irmão; assumia a nossa rotina, almoçava, tomava banho, brincava, lanchava, descia para brincar conosco e era sempre divertido.

Nesse dia, Bilico chegou cedo tomou café conosco e descemos pra rua pra brincar. Sábado não tinha aula e o dia era todo nosso.

Era época de Lacerdinha.

Dentre os garotos que brincavam na rua, tinha um que era especialmente assustador para mim e meu irmão. O Arlindo era mais velho, mas não andava com os garotos da idade dele. Andava conosco, dois a três anos a menos. Nessa idade, isso faz uma grande diferença.  Gostava de nos intimidar e bater. Ninguém ficava com pena quando o pai dele aparecia chamando-o, sempre gritando e batendo nele. Nós Também tínhamos medo do pai dele.

Nessa tarde, estávamos catando Lacerdinhas nas árvores. Abríamos as folhas e ficávamos observando os Lacerdinhas se mexendo lá dentro.

De repente, o Arlindo pega uns Lacerdinhas no dedo e enfia com violência no olho do Bilico, que observava, curioso, bem de pertinho.

−  Tá com fome? Toma neguinho!

Arlindo falou aquilo com mais raiva do que lhe era peculiar, todos tomamos um susto. E ele nem conhecia o Bilico...

Bilico começa a coçar o olho e a chorar com a ardência.

Todos os meninos começaram a rir. Menos eu, meu irmão e o Bilico, que saiu andando e chorando na direção da portaria do nosso prédio.

Lembro que foi um sentimento estranho e desconfortável que eu nunca havia experimentado antes (anos mais tarde eu saberia que o nome era constrangimento), e que nunca me saiu da memória. Eu senti vergonha de alguma coisa que não sabia o que era.

Bilico não subiu para nossa casa, ficou num canto da portaria chorando baixinho. Falou que se chegasse lá em cima chorando e com o olho inchado sua mãe iria brigar com ele. Não queria que ele arrumasse confusão com os "filhos das madames".

Depois de algum tempo, ele parou de chorar e subimos. Pela escada. Naquela época, os empregados e "pessoas de cor" só podiam subir pelo elevador de serviço. Bilico só subia pela escada.  Quando chegamos em casa, a primeira coisa que Dona Celestina viu foi o olho do filho inchado e muito vermelho. Não falou nada, mas fechou a cara. Chamou o Bilico para a cozinha e de lá só o vimos quando eles foram embora, bem mais tarde. Lembro bem da cara de choro dele se despedindo da gente.

Aquele sábado me marcou para sempre.

Naquela mesma noite, um misterioso e devastador incêndio irrompeu e tomou conta da favela vizinha. Queimou por toda a madrugada e por muitas horas seguintes, consumindo tudo e deixando centenas e centenas de família sem teto e sem nada. Era dia 11 de maio de 1969, Dia das Mães.

A casa da Dona Celestina e do Bilico pegou fogo e virou cinzas, junto com toda a favela da Praia do Pinto.

         Não sobrou nenhum barraco de pé.

Dona Celestina nunca mais voltou, e o Bilico nunca mais veio passar o dia conosco.

Tenho muitas saudades deles e me lembro dos dois com muito carinho. Até hoje...

-  Edmir Saint-Clair


A favela banida


A história sobre o incêndio da favela Praia do Pinto.

EQUIPE TESTEMUNHA OCULAR


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O MONGE DE COPACABANA

Jorge havia passado sete anos no Tibet. Não porque fosse um espiritualista nato, mas para fugir de uma grave acusação envolvendo brigas de gangues que haviam culminado em homicídio. Ele não tivera participação direta no evento, mas fazia parte da turma que participou do crime e não tinha como provar que não estava no local no momento do ocorrido. Sem lhe restar esperança, sua família o sugeriu uma fuga para algum lugar onde não pudesse ser encontrado.

Jorge tinha um primo que se tornara, há pouco, monge no Tibet, que lhe ofereceu abrigo até que as coisas serenassem no Brasil. Para um praticante de lutas e frequentador assíduo de brigas de rua ou qualquer coisa parecida, seria uma mudança absoluta e, muitos apostaram, impossível.

Sem opção, Jorge partiu rumo ao Tibet. A caminho do mosteiro onde ficaria hospedado, teve acesso as últimas notícias sobre o julgamento de seu caso. Ele havia sido sentenciado há 8 anos de prisão, em regime fechado. Jorge deu graças a Deus por estar tão longe, não suportaria nem um mês numa penitenciária brasileira. Esse pensamento serenou sua alma.

Sete anos depois, Jorge aterrissa no galeão de volta a sua cidade natal e já resolvido com a justiça brasileira. É seu recomeço.

Sente-se um homem completamente diferente daquele valentão ridículo que fora um dia. Os ensinamentos que recebera o transportaram para outra dimensão dentro de si mesmo. No caminho até a casa dos pais, em Copacabana a primeira coisa que reconheceu foi a decadência do aeroporto, que já estava decadente há sete anos. A segunda, foi o cheiro da baía de guanabara saindo da ilha do governador. Nada mudara, mas, para ele, tudo mudara. Lembrou-se de um dos princípios básicos da sabedoria tibetana: quando você muda por dentro, tudo por fora muda junto.

Era verdade, nada do que via o incomodava mais.

Assim que terminou de tomar o café da manhã de boas-vindas que os pais lhe haviam preparado, resolveu ir até a praia de Copacabana, sua areia natal. Seus novos ares monásticos eram puro êxtase com tudo a sua volta. Os pais, o velho porteiro do prédio, a secretária doméstica que o viu crescer e todos que o viam exclamavam sobre a mudança impressionante que Jorge havia sofrido.

Jorge, a cada observação de alguém, pensava:

“A mudança interior, realmente, provoca muitas mudanças no mundo ao redor."

Chegou na praia, sentou-se, colocou seu celular e sua carteira ao lado e assumiu a postura tradicional de meditação. Havia poucas pessoas naquele dia nublado. Fechou os olhos e, ao som do barulho das ondas, meditou profundamente, Estava em paz.

Quando abriu os olhos, seu celular, sua carteira e toda calma e serenidade, que havia trazido do Tibet, haviam sumido.

Copacabana não é para amadores, nem para monges.

Depois disso, Jorge desistiu de fundar um templo para meditação e abriu mais uma academia de Jiu-Jitsu em Copacabana.

Edmir St-Clair

PARALISIA FUNCIONAL


Há períodos em que nos vemos tomados

por uma espécie de paralisia, agoniante e insuportável.


É como naquela brincadeira de criança que, de repente, alguém grita “estátua” e todo mundo tem que parar na posição que estiver. Ninguém se mexe. A gente pensa, mexe os olhos, respira, mas não se mexe.

São muitas idéias, muitos projetos e uma falta total de ação. Uma impossibilidade física de produzir, mesmo com toda a matéria prima pronta, organizada na cabeça e energia saindo pelo ladrão. Falta aquele clique que desencadeia o desenrolar dos acontecimentos. Mas, não clicamos. Adiamos. Não dá trabalho algum, mas não clicamos. Não agimos, não fazemos o que temos e queremos fazer.

A ansiedade aumenta, o bolo no peito sufoca, porque falta-nos a ação. Como se o nosso corpo não obedecesse ao comando. Uma agonia perturbadora que pode chegar a extremos.

O cobrança por alto desempenho tem nos levado a quadros de ansiedade capazes de nos tirar o impulso de agir até mesmo para buscar ajuda . Além da cobrança do mercado de trabalho temos, mais importante do que essa, a nossa própria cobrança interna, não raro, ainda mais cruel.

Esse compromisso compulsório com algo que nem sabemos direito o que é, está presente o tempo inteiro, diariamente, em todos os campos de atuação, nos fazendo adoecer e causando, muitas vezes, distúrbios incapacitantes. A ansiedade paralisante é apenas uma delas.

Gera uma inquietação onipresente e oculta, que sempre tem como subproduto cumulativo as crenças negativas sobre si mesmo, que subtraem porções significativas de nossa qualidade de vida e saúde, a cada minuto. 

Não existe um motivo evidente que, por si só, justifique o estado permanente de tensão. Mas, ele está lá, atrapalhando, incomodando e, às vezes, paralisando. Uns dizem que é medo do sucesso, outros que é medo do fracasso. E, por aí, se desenvolvem milhares de teorias que vendem como água no deserto, sob a forma de literatura de autoajuda.

O compromisso com o desempenho, em todos os aspectos, que nos é imposto por todos os lados reais e virtuais, é algo terrível que pode nos empurrar para uma vida muito pesada e difícil.

Precisamos deixar de lado essa cobrança cruel e desumana que a "sociedade", essa entidade fantasmagórica que age nas sombras dos nossos próprios pensamentos, nos impõe. 

Quanto menor nosso autoconhecimento maior será essa influência negativa, se manifestando nas várias formas desse transtorno paralisante. Ele pode chegar a níveis literalmente insuportáveis. Por vezes, até respirar fica difícil.

Quanto maior nosso autoconhecimento, autoestima,  ferramentas psicológicas aprendidas e nossa rede de apoio humano, menos esse condicionamento social cruel e determinante nos influenciará.

Ainda bem que vivemos em tempos onde as terapias oferecidas pela neuro-psicologia já nos oferecem recursos para transformar toda essa agonia e ansiedade em crescimento, evolução e qualidade de vida.

A boa notícia é que existe saída.


 - Edmir Saint-Clair

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QUEM TEM SAUDADE DO MERTHIOLATE ARDIDO?

 

Acho fantásticas as oportunidades únicas que as mídias sociais nos proporcionam para observar o comportamento humano. Não existe lugar onde as pessoas se exponham mais. Conheço pouquíssimas que conseguiram se manter à parte até agora.

Hoje, é a principal fonte de dados sobre hábitos, comportamentos e opiniões. Não fossem as limitações impostas pelos famosos algoritmos que limitam o alcance de cada perfil, os institutos de pesquisas nunca mais teriam que sair às ruas. 

Quem estuda para entender sobre pesquisa e estatística, sabe como interpretar esses dados, podendo-se chegar a saber até a cor da roupa de baixo que a pessoa usa, quantas vezes por dia vai ao banheiro ou bebe água.

Tenho algum conhecimento técnico de como tabular e interpretar pesquisas, por ser publicitário e escritor, e isso tem uma valia inestimável para subsidiar meus trabalhos.

Dentre algumas postagens recorrentes, uma tem me chamado a atenção em especial: a exaltação das surras de cinto, de sandálias, tapas e outras lembranças da truculência e agressividade de certas práticas "educacionais" praticadas até poucos anos.

Causa-me estranheza a que ponto chega o saudosismo e a melancolia de alguns. Além, é claro, da falta de conhecimento sobre os incríveis avanços da ciência em todos as áreas do desenvolvimento humano.

Nunca pensei que veria meus contemporâneos se tornarem tão reacionários e resistentes a passagem do tempo, aos avanços dos conceitos, costumes e entendimentos sobre os processos que nos constituem, a ponto de fazerem declarações louvando surras de cinto e outras barbaridades praticadas e que, graças a evolução dos conhecimentos, foram banidas da esfera do aceitável.

As mesmas pessoas que proclamavam a paz e o amor no final do século 20, hoje, se dizem saudosas das surras de sandália ou de um tapa estalando na pele. Cadê a paz e o amor, principalmente com os filhos? Era só modinha? Parece que no Brasil, era sim.

Quando vejo as surras com sandálias, cintos e varas sendo consideradas e saudadas como “ferramentas educacionais” que fazem falta "hoje em dia", sinto muito mais pena do que raiva.

Quem tem saudade de um tempo em que apanhava com aqueles apetrechos é porque deve estar, atualmente, apanhando muito mais dolorosamente da vida. Deve estar se sentindo tão excluído do mundo, que o ruim de ontem lhe parece melhor do que a vida lhes oferece hoje.

A raiva deve ser tanta que o desejo é sair dando porrada em tudo que lhes desagrada, pela solidão que a evolução lhes impõe, por não conseguir compreendê-la.

 Mas, essa obsolescência tem cura; o conhecimento e a autodeterminação.  

Há sempre coisas novas a serem descobertas, coisas interessantes, sejam quais forem os interesses.

Novidades estão sendo criadas, descobertas e pensadas todos os dias. E, não existe melhor forma de manter a importância da vida do que se importar com ela, do que cultivar a curiosidade. Do que continuar tendo a sede de saber os porquês.

A vida só se importa com quem se importa com ela.

A certeza é a pior inimiga da evolução. Quem acumula muitas certezas e não deixa espaço para novas dúvidas e mudanças, se torna obsoleto.

O obsoleto não tem mais importância, não tem serventia e já não conta mais, é carta fora do baralho.

Deve ser muito triste se sentir obsoleto, que é a mais dolorosa característica de quem perde o trem da história; a inutilidade existencial.

Para esses, a passagem do tempo arde muito mais do que o mais ardido dos merthiolates de antigamente. 

 - Edmir Saint-Clair



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PRECISANDO VER SESSÃO DA TARDE

 

 Estava mesmo precisando ver uma Sessão da Tarde. 

Não estou falando do programa da Globo que deu origem ao que, hoje, é um rótulo cinematográfico brasileiro para designar produções açucaradas e fantasiosas. Em tempos de streaming, filme tipo Sessão da tarde pode ser em qualquer horário. Basta ser um daqueles em que o bem vence o mal, a amizade vence o egoísmo e o amor vence tudo.  A gente precisa disso, de sonhos, de esperança e de utopias ingênuas e aleatórias.

 É assim que nós, seres humanos, conseguimos nos reabastecer de esperança para continuar nossas batalhas pessoais, superpotencializando nossas qualidades e projetando-as em heróis e heroínas, que são tudo que não conseguimos ser em nosso dia a dia. E, já que a neurociência caminha para provar que realidade é uma “produção cinematográfica” original e única, do cérebro de cada um de nós, às vezes, é preciso fabricar ao menos a ilusão de um final feliz, embarcando na beleza dos contos, quase infantis.

 É a nossa hora do recreio na vida, um intervalo na realidade, onde brincamos e nos reabastecemos de sonhos e nos permitimos viver mais leves, provando que todos nós, no fundo, ansiamos pela redenção da vida.

Por aqueles momentos em que temos certeza absoluta de que a vida, às vezes, tem até trilha sonora e que vale, mesmo a pena, ser vivida.

Edmir St-Clair

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1985 - MEU ROCK IN RIO

 Janeiro de 1985. Verão quente, ano novinho em folha e o maior festival de Rock de todos os tempos há pouco mais de uma hora de distância de pular do meu mais improvável sonho para o maior palco que eu já havia visto na minha frente.

Uma linha especial de ônibus foi criada, exclusivamente, para levar o público do festival, coletando-o a partir de vários pontos determinados do Rio de Janeiro.

Eu e uma galera gigante do Leblon, terminamos de lotar um dos ônibus logo no primeiro ponto. A tensão, a expectativa e a proximidade de algo tão especial gerava o tipo de ansiedade mais saudável que existe, aquela que nos faz entender totalmente a expressão "rindo à toa".  No ônibus cheio, os sorrisos à mostra eram tão evidentes, que a impressão é que alguém contou uma hilária e interminável piada. Qualquer movimento virava motivo para uma gargalhada.

Chegamos ao local do festival ainda dia claro, poucos minutos antes dos portões serem abertos. Todos os dias o ritual era o mesmo. Os portões se abriam, passávamos pelas roletas e pela revista da segurança, que só estava interessada em coibir armas e objetos metálicos.

Cigarros podiam, de todos os tipos.

O pôr do sol foi deslumbrante, com ultraleves voando por sobre um público jovem e absolutamente extasiado diante da grandiosidade de tudo em volta. A paisagem, o sol se pondo nas montanhas da cidade maravilhosa e os primeiros acordes da música tema do festival tocando numa altura e qualidade de som que o Brasil nunca havia ouvido.

"Todos numa direção, numa só voz, numa canção

Todos num só coração, num céu de estrelas...

Se a vida começasse agora, se o mundo fosse nosso de vez,

Se a gente não parasse mais de sonhar...de cantar....de viver."

E todos cantavam com a propriedade contagiante e autêntica dos jovens dos anos 1970 e 80, que viviam numa cidade que desejava Paz e Amor e acreditava nisso, por mais ingênuo que, hoje, isso possa parecer.

E, foi nesse clima que assisti a um show mágico e maravilhoso do cantor James Taylor, num sábado ainda sem chuva, num céu completa e absurdamente estrelado, sentado ao lado de dezenas de amigos que ouviram aquelas mesmas músicas, comigo, nas festinhas de adolescentes.

Foi um dos shows mais emocionantes que já presenciei.

Aquela noite, houve uma catarse gigante entre o público e um James Taylor extasiado diante de 250 mil pessoas que cantavam junto suas músicas. Ele estava vindo de um período de declínio acentuado na carreira, e naquela noite, aconteceu sua redenção.

 O sucesso daquela apresentação teve uma repercussão tão grande e impressionante que impulsionou novamente sua carreira, e ele sentiu isso ainda no palco, durante a apresentação.

E externou essa emoção através da sua arte, presenteando o público com uma apresentação emocionada, emocionante e perfeita, e muito mais longa do que o que estava previsto.

Tocou e cantou com o entusiasmo de um iniciante, todos os seus grandes sucessos, não faltou nenhum.

 O que se passou foi sublime, uma poesia em forma de vida.

Público e artista vivendo, durante mais de duas horas e meia, a mesma intensidade de emoções que ficaria, para sempre, na história de ambos.

O primeiro Rock in Rio me presenteou, ainda, com um show inesquecível da banda inglesa QUEEN, onde foi feita a histórica filmagem do coro de mais de trezentas mil pessoas cantando a música “Love of My Life”, perpetuando aquele como um dos grandes momentos da carreira da Banda e do lendário Fred Mercury.

Presenciei ele, e todos os músicos da banda QUEEN, ficarem em absoluto estado de graça e completamente extasiados com o que estavam assistindo. A emoção deles era visível. 

Eu vi, estava lá e cantei junto.

E, no último dia, assisti, pela primeira vez, a banda que mais toca a minha alma: a lendária banda inglesa YES.

A emoção mágica que senti vendo aquela apresentação incrível e deslumbrante, permanece até hoje.

Foi perfeito para fechar o último dia do maior festival de Rock de Todos os Tempos.

Essa é a minha parte da história de um Festival que ficou para a história de muitas e muitas gerações e virou uma lenda no mundo inteiro.

Edmir Saint-Clair

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            Recebi várias manifestações com relação a crônica "Meu Rock in Rio - 1985",

todas tão cheias de lembranças intensas quanto as minhas.

Resolvi fazer uma edição com imagens da época e a música tema.

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O SOFRIMENTO FANTASMA

 


O mundo está em sofrimento. 

O mundo animal e vegetal, aquático e terrestre 

estão degradados, aviltados e estuprados em suas essências.

Bilhões de escravos de poucos senhores. Senhores que também sofrem. Um sofrimento invisível e constante, onipresente e multi-estimulado.

Nossa civilização é nossa principal doença. A ausência de sentido faz milhares de vítimas fatais de si mesmas por dia.

Na era das relações líquidas, que Zygmunt Bauman descreve com tanta precisão, a nuvem de insegurança e medo que sempre pairou sobre a humanidade, cresceu muito e abarcou todos os tipos e níveis de relações, indiscriminadamente. O resultado é a sensação de desamparo absoluto e geral.

Mas, é mais do que isso. Todos sentem, mas não sabem o quê, exatamente,  sentem. Apenas sentem um incomodo terrível e inominável.

Algo concreto e, ao mesmo tempo, muito difuso, quase metafísico.

Não sabemos porque sofremos, apenas sabemos que sofremos. É um sofrimento tão visceral e tão escondido que nunca foi nomeado.

É um sentimento sem nome.

Uma sensação, uma emoção, um estado de angústia que é constantemente descrito, mas que nunca se chegou a um consenso sobre seu nome e aonde se esconde em nós.

E que ninguém conta para ninguém. E todos fingem que não sofrem, porque não sabem que o outro também sofre.

Por ajudar a esconder tudo isso de nós mesmos, é que fazem tanto sucesso os Facebooks, Instagrans, Tik toks, Tinders, WhatsApp e toda sorte de mídias sociais para todas as bolhas e taras.

É muito pesado admitir o próprio sofrimento, é melhor fingir que ele não existe, porque, afinal, nem sabemos porque ele existe e, apesar de seu peso insuportável, não temos forças para arregaçar as mangas, deixar todo o resto de lado e partir em busca de uma solução, qualquer solução, que faça a vida valer a pena.

A admissão de um sofrimento endógeno e inexplicado, que parece ser inato na maioria dos humanos, é um dos maiores tabus da contemporaneidade.

Me arrisco a dizer que esse sofrimento fantasma é a mãe de todos os tormentos.

Será que o âmago dessa questão continua sendo a nossa consciência da própria morte que, por nos causar tamanho pavor, termina por nos impedir de usufruir plenamente o esplendor da vida?

O ser humano não teme apenas a própria morte, teme, também, a morte de tudo e de todos que ama.

É muita morte para temer.

Precisamos nos ajudar a transformar esse labirinto em um caminho apreciável.

E só conseguiremos fazer isso, juntos.

 Edmir Saint-Clair


CONVERSAS NECESSÁRIAS

 

Todos nós temos pendências emocionais e existenciais. Assuntos que nos incomodam muito e que, por isso mesmo, evitamos pensar e abordar.

Algumas dessas questões são com pessoas importantes e queridas em nossas vidas. Importantes demais para que as deixemos se perderem de nós, e nós delas, sem que aconteça uma tentativa de esclarecimento que deixe, ao menos, a alma mais leve. Alguma atitude que nos permita dizer: 

- eu tentei de verdade.

Quantas vezes, nos pegamos divagando numa suposta conversa com aquela ex-companheira(o) com quem vivemos um grande amor, mas tivemos um final confuso e cheio de mal-entendidos. Ou, a conversa com o parente muito próximo, com quem tivemos conflitos nunca esclarecidos. Às vezes, nos afastamos de pessoas queridas por nunca termos tido a iniciativa de ter uma conversa que pudesse trazer luz aquele assunto pendente. Apenas para esclarecer, para clarear a questão e buscar um entendimento. Sem vencidos, nem vencedores.

A vida não é e nunca foi uma competição.

A maioria de nós, tem a tendência a ir acumulando pendências emocionais. Questões mal resolvidas, que foram varridas para debaixo do tapete. Situações espinhosas que nos causam um mal-estar interior. Das quais não nos damos conta, na maior parte do tempo, mas que brotam nos momentos mais improváveis e desagradáveis, sempre atrapalhando alguma coisa boa.

Isso quando não são despertadas já tarde demais, quando já não podemos fazer mais nada.

Situações que poderiam ter sido esclarecidas e não foram, provocam mais que frustação, provocam distanciamento.  E por isso, se retroalimentam, criando distâncias que se tornam intransponíveis. Que ficarão para sempre, nódoas que incomodarão em todo dia branco. Aquela pontinha de espinho que nunca deixa de incomodar.

Uma coisa é certa, não adianta tentar tocar em frente uma relação que sofre com pendências. Não adianta tentar varrer para debaixo do tapete. Porque na vida não tem tapete, e o chão é sempre bem duro. E não tem embaixo, nem em cima, é tudo a mesma vida, uma coisa só. E uma só vez. Não tem reprise, não tem segunda chance.

Não podemos deixar tudo a cargo do tempo. Essas conversas necessárias têm que acontecer, sob pena de se transformarem naquelas terríveis dores nas costas que nos fazem entrevar diante de seu peso invisível. Temos que correr atrás, agir para esclarecer nossos mal-entendidos com as pessoas queridas. Não podemos deixar algo tão importante por conta do acaso. É muito arriscado, a vida é uma só.

O tempo passa sem parar, nem por um segundo, e se deixarmos por conta dele as distâncias podem se alongar até que a possibilidade de volta não exista mais. Não existe relação, em nenhum nível, que não possa ser estragada pela falta de esclarecimentos mútuos sobre assuntos mal resolvidos.

A mágoa deixa marcas, nódoas, cria barreiras e distâncias que o tempo não resolve, ao contrário, só alimenta.

Esclarecer pendências com as pessoas queridas é necessário. O orgulho bobo ou a infantilidade de querer ter razão é algo pouco inteligente e muito, muito prejudicial.  Uma conversa sincera onde a única intenção seja o entendimento mútuo, é o único caminho para que a distância definitiva não se estabeleça.

Poder ver, através do olhar de quem amamos, a nossa versão mais bonita, é um dos momentos mais sublimes e felizes que podemos experimentar na vida.

 Sentir que somos amados por quem amamos é ser feliz.

Diminuir essa possibilidade, através do afastamento de pessoas queridas, é perder um pedaço gigante da felicidade que nos é possível.

Definitivamente, varrer pendências sentimentais, com pessoas que nos são caras, para debaixo de um tapete que não existe, é um erro que pode nos custar muito caro.

Pode nos custar quem amamos. 

 – Edmir Saint-Clair

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O DIA EM QUE CONHECI UMA LENDA

  Janeiro, férias escolares. 

Eu tinha uns 12 anos e acabara de ganhar meu primeiro violão no último natal. Passava a maior parte do tempo entre a praia, as peladas à tarde e o violão no resto do tempo. Dias cheios, quentes e inesquecíveis. 

O condomínio dos Jornalistas, no Leblon, fervia de crianças e adolescentes. Literalmente, dos seis aos vinte havia gente de todas as idades. Bem no centro do condomínio havia um rinque de patinação que servia, principalmente, para o pessoal ficar sentado nas bordas. No centro, tinha de tudo, menos gente patinando. À noite, a festa continuava com brincadeiras de polícia e ladrão com 50 crianças em cada time correndo por uma área que corresponde a um quarteirão inteiro do Leblon cheio de árvores e com espaço à vontade. Era uma festa diária e interminável.

Os quase adolescentes como eu, ficavam conversando e e tocando violão, tentando chamar a atenção das meninas. Eu ficava olhando e tentando repetir a posição dos dedos no meu violão. Eu levava jeito e em pouco tempo estava tocando algumas coisas mais simples,  Carpenters, James Taylor, Carole King e outros adocicados do gênero. Dos brasileiros eram poucos que faziam sucesso na nossa roda; Novos Baianos surgindo, Milton Nascimento e o clube da esquina, Mutantes e o Terço eram as exceções.

Os FIC (Festivais Internacionais da Canção da Globo) estavam em decadência e já não despertava a nossa atenção como antes. Só a minha, que sempre fui ligadíssimo em música desde que me entendi por gente, e me interessava por tudo. Acompanhava pelo jornal o passo a passo das etapas e sabia quem eram todos os participantes, tanto da fase nacional quanto da internacional.

Mas, quem fazia sucesso naquelas férias era James Taylor. Naquele dia, depois da décima repetição de “You've got a friend” senti que era hora de subir para casa, naquela época ainda tinhamos hora determinada pelos pais para voltar.

Quando cheguei à minha portaria, já estava esperando o elevador um cara alto, jovem, muito magro e com os cabelos penteados de um jeito engraçado. Puxou conversa quando viu meu violão. Falou que era da Bahia e estava na casa dos primos, Horácio e Heloísa, que eu conhecia desde sempre, apesar de serem mais velhos do que eu. Disse que era cantor e que iria se apresentar no FIC da TV Globo. Fiquei entusiasmado com aquilo, o cara era muito simpático e gente boa, o que não era comum, já que os “caras mais velhos” não davam a menor importância para pirralhos como eu. Quando chegou meu andar, abri a porta, me voltei para ele e perguntei:

- Como é seu nome? Vou assistir você na TV.

Ele respondeu sorrindo:

- Raul Seixas.

- Edmir Saint-Clair


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TERRA PLANA, DOENÇAS E A DESIGUALDADE INTELECTUAL


É difícil acreditar que essa

“Teoria” da Terra Plana possa ser levada a sério

por alguém com um pingo de capacidade mental.

O ser humano é, sem dúvida, um animal com uma característica muito peculiar: é o único que consegue desaprender.

Uma onça, por exemplo, que atacar um porco-espinho adulto, via de regra, terá dolorosas lembranças espetadas em sua boca e focinho. A probabilidade desta mesma onça atacar novamente um porco-espinho é mínima ou nula dali pra frente. Essa lição nunca será esquecida durante toda a vida do felino. Ela jamais vai duvidar ou questionar o que aprendeu através de sua experiência prática. Após o evento, será muito pouco provável que volte a se arriscar.

O ser humano é diferente, parece sofrer de uma triste capacidade de retroceder em seu processo evolutivo, de involuir, de desaprender. Parece não se importar em jogar fora conquistas importantes e fundamentais para sua própria segurança, para que sua vida seja potencialmente melhor.

O recrudescimento da ignorância é o mais preocupante sintoma da desorientação mental pela qual nossa sociedade parece padecer atualmente. A Terra plana é um desses sintomas. Para que alguém acredite que a terra é plana tem que, necessariamente, desacreditar de todo o progresso conquistado pela ciência nos últimos séculos. Praticamente tudo desde Galileu Galilei até hoje. E, pior, tem que acreditar numa imensa e colossal Teoria da Conspiração, claramente doentia e psicótica.

 Não hesito em apontar que a pior crise que o Brasil vive hoje é a intelectual. A decadência de nosso sistema de ensino tem se refletido de forma trágica nas escolhas realizadas por nossos cidadãos quando votam para escolher seus representantes, demonstrando como são facilmente enganados, ludibriados e conduzidos como um "admirável gado novo" de Zé Ramalho.

 A ignorância é sempre terreno fértil para que emerja o que há de pior numa sociedade. Por isso, mantê-los nessa situação de incapacidade intelectual é tão interessante para políticos e religiosos. É fácil controlar quem acredita em qualquer coisa. Qualquer mentira um pouco mais elaborada ganha ares de verdade para quem não tem preparo nem capacidade crítica.

 O Sarampo que já havia sido erradicado há anos volta a preocupar bastante nosso país. O caso é sério e grave. Um absurdo, uma abominação. E, não só os não vacinados estão em risco, toda a população está.

Não sem motivos, essa onda de ignorância que parece estar aumentando de forma galopante, deixa claro um aspecto sobre o qual não vejo comentários ou preocupações manifestadas: o abismo da desigualdade intelectual.

Sob esse prisma as projeções são dignas das piores distopias imaginadas, por enquanto, como ficção.

É muito mais difícil presenciarmos alguém questionar a importância de uma vacina quando ela tem o mínimo de conhecimento formalmente adquirido de fonte com competência reconhecida.

O pior aspecto da desigualdade intelectual é que ela cria um abismo onde deveria haver uma ponte.

Ela impossibilita o entendimento entre as pessoas no seu dia a dia. Chega a criar barreiras linguísticas entre indivíduos que falam a mesma língua, dada a diferença de capacidade de entendimento recíproco. Gera antipatia onde deveria haver empatia. Abre espaço para todo tipo de crenças, superstições e teorias estapafúrdias, desagregadoras e perniciosas.

Um paraíso para mentiras, agora rebatizadas como fake News.

O desconhecido sempre foi o pior dos fantasmas para o ser humano. E, ele sempre tenta preencher esse buraco, provocado pela ignorância, com qualquer coisa que aplaque seu medo. Mesmo que seja a mais insana e absurda das explicações.

A aproximação do estado com a religião sempre causou grandes tragédias e retrocessos de séculos para os povos que experimentaram esse tipo de aventura insana e maléfica.

Nesse panorama, abre-se espaço para o sarampo, poliomielite, febre amarela, falsos profetas (aqui, uma nítida redundância), políticos hipócritas (também redundante), ladrões, criminosos e canalhas de todos os tipos em todos os segmentos da atividade humana.

Abre espaço para o retrocesso. A ignorância abre espaço para o desentendimento, para a mentira, para o mau-caratismo, violência, racismo, homofobia, doenças, misoginia e para tudo que há de pior na natureza humana. Se temos alguma missão na vida, com certeza uma delas é conseguir evoluir a ponto de erradicar esses piores aspectos de nossas mentes e personalidades.

Por isso, a solução nunca estará no passado, porque a única solução é evoluir. E, para isso, a expansão do conhecimento deve ser ininterrupta. Temos que fazer diferente do que sempre fizemos para alcançar resultados que nunca alcançamos.

Que resultados? Viver com menos aflições, com menos medo e com menos doenças, para que cada um possa ser o mais feliz que conseguir. Parece simples e é.

Dentre outras coisas, o conhecimento nos faz acreditar no futuro, no surgimento dessas novas possibilidades.

Não tenho a menor dúvida de que só o conhecimento, advindo da ciência, poderá nos salvar desse delicado momento que a civilização humana atravessa.

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Esse texto foi publicado originalmente em 09 de julho de 2019. 

 – Edmir  Saint-Clair
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