RÁDIO 101 SMOOTH JAZZ - N.Y.

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A RECEITA DA FELICIDADE

 

Todos os dias pipocam dúzias de textos sobre o tema Felicidade. Livros são lançados, artigos escritos, vídeos e todo tipo de arquivos são produzidos e vem se juntar a uma incontável biblioteca sobre o assunto.
Ao refletirmos sobre isso, vemos que existem milhares de rótulos cujo cerne é a felicidade: psicologia, filosofia, autoajuda, meditação, sexoterapias, práticas tântricas, yogas e outras centenas de "cadeiras" da matéria.
"A Felicidade não existe,
o que existe são momentos felizes".
Peninha
Por mais óbvia e simplória que essa frase seja, a princípio, trás uma verdade incômoda e nem um pouco romântica. Em seu enunciado, já determina a finitude inexorável de cada momento.
Mas, que tipo de felicidade transcendental é essa que a humanidade tanto busca? Uma felicidade perene e inalterável, onde cessam as tristezas e contrariedades.
Um "foram felizes para sempre..."
Assim colocado, fica fácil vermos que a felicidade, como um estado permanente, é uma utopia absoluta. Se transformaria em tédio em pouco tempo, isso faz parte da inquieta natureza humana.
Mas, se a pensarmos como apenas momentos de pleno gozo da existência, a filosofia "Peninha" é absolutamente verdadeira. Dependemos dos altos e baixos para sermos felizes. Precisamos do ruim para valorizar o bom. É ser humano. Precisamos estabelecer relações de valor para decidirmos entre umas coisas e outras.
A maioria de nós, que já passou de certa idade, tem razoável certeza de que existem muitos momentos onde nos sentimos plenos, felizes. Pelos mais variados motivos.
Saber perceber esses momentos, enquanto estão acontecendo, é fundamental no processo de aprender a ser feliz. Aprender a nos cercarmos de situações que possam deflagrar aquela sensação tão desejada é como descobrir o mapa que leva a nossa mina pessoal e intransferível de felicidades. Nosso reduto. Pena que só alcancemos isso na maturidade...
Esse processo é desenvolvido intuitivamente durante a vida, e a forma como esse aprendizado se consolida em cada um é o que determina a capacidade ou a incapacidade de alcançar esses momentos. Se desenvolveremos ou não a capacidade ser feliz.
Ser feliz é um aprendizado, um mérito pessoal. Uma conquista. Uma consequência da busca sincera por nossa verdade essencial.
A consciência do agora, do exato momento em que estamos vivendo as emoções e explosões de bons sentimentos, é o que completa a felicidade, tornando-a plena como um gozo total do ser.
É por esses momentos que a humanidade vive. Para sermos palco, em nosso interior, de uma explosão espetacular e plena de sentimentos e sensações que são absolutamente compensadoras e indescritíveis.
Ás vezes, sua exteriorização não passa de um leve sorriso. Outras, é, literalmente, como um gol do seu time num estádio lotado só com torcida a favor. Um espetáculo!
Para que essas sensações, emoções e sentimentos se somem e explodam, é preciso que aconteça uma progressão sincronizada de acontecimentos detonadores daquelas descargas químicas certas e extremamente precisas , únicas em cada ser.
Esse conjunto de fatores, muito pessoais e individualizados, se juntam e fazem nosso sistema orgânico produzir uma série de hormônios, em quantidades e proporções exatas, de tal forma que o resultado é a descarga daquelas sinapses únicas que provocam a sensação que chamamos de Felicidade. A plenitude indescritível.
Esse processo é extremamente individual e único. Sequer no mesmo indivíduo acontece exatamente da mesma forma duas vezes. O simples fato de já ter ou de nunca ter acontecido já determina essa originalidade.
Pensando assim, na felicidade como um conjunto de fatores que nos faz sentir bem por um período de tempo, podemos sim encontrar esses ingredientes que nos causam bem estar, e traduzi-los em decisões e atitudes que nos proporcionem mais prazer do que incômodos.

O aumento da frequência dos momentos prazerosos funciona como reforço, é um tipo de treino para o nosso cérebro, aumentando as possibilidades de que os fatores disparadores daquele estado mental se repitam, potencializando a chance de sentir novamente aquelas sensações maravilhosas. Ou seja, quanto mais vezes nos sentirmos felizes, mais vezes seremos capazes de sermos felizes de novo. Felicidade gera felicidade.
Para que tenhamos o discernimento necessário para saber o que nos agrada, o que não faz diferença e o que nos contraria, é preciso autoconhecimento. É preciso aprender a se feliz.
Prestar atenção nos próprios sentimentos e reações é fundamental. Ter a capacidade de perceber onde estão nossos limites requer autocrítica e conclusões, muitas vezes, incômodas e perturbadoras. Ninguém gosta de reconhecer suas limitações, fraquezas e carências.
Depois dessa etapa, vem uma tão difícil quanto: estipular os nossos limites externos.
Até onde deixar que os outros opinem, influam e nos cobrem por nossas decisões de âmbito pessoal? Até onde deixar, e quem vamos deixar que "se meta em nossa vida".

Até onde dar satisfação de nossos atos, e a partir de onde nossas motivações e propósitos são questões sobre as quais não devemos satisfação a ninguém? A independência emocional é fundamental para realizarmos nossa essência. É preciso estabelecer limites e até onde permitiremos que outras pessoas interfiram em nossos processos. Para isso, é preciso que nos coloquemos como o único responsável capaz de produzir nossa própria felicidade.
É complicado. Mas, ninguém disse que não seria.
Para formular nossa própria receita de felicidade, primeiro é preciso descobrir quais ingredientes nos agradam e em que quantidades devem ser usadas, para que o resultado nos traga a satisfação da vida com sabor.
E, como seria bom, se pudéssemos deixar essa receita como herança para nossos filhos. Como a receita de um bolo da vovó.
Mas, infelizmente, essa receita só vai servir para o próprio.
É pessoal e intransferível.
E, quando a gente pensa que está chegando a uma conclusão, entra mais alguém na história e dana-se tudo de novo.
Se sozinho já é difícil, imagina a dois...

- Edmir Saint-Clair

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UM NATAL INESQUECÍVEL

 

           Há alguns anos não festejava o Natal na minha casa encantada, o apartamento 1004 do Amarelo, no Condomínio dos Jornalistas, no Leblon. Apesar de morar no Rio, sempre passava as festas com a família, em Brasília. Naquele ano não fui.

No dia 24 de dezembro, acordei angustiado, era a primeira vez que não sentia a agitação característica desse dia especial acontecendo na casa dos meus pais. A árvore de natal armada na sala com direito a pisca-pisca ligado dia e noite. Esse ano a luzes não estavam piscando nem tinha árvore e eu senti falta. Eu já me achava adulto, mas, com certeza ainda não era. Aquele dia estava sendo uma experiência totalmente nova para mim. Um dia como eu nunca havia vivido antes.

     Para suprir aquela inquietude, resolvi chamar uma galera para levar um som lá em casa, depois das comemorações natalinas familiares. O combinado foi começar por volta de uma hora da manhã.

Desde cedo, a agitação no meu andar começou, como sempre, com as portas abertas dos apartamentos da Dona Letícia e da Dona Élida, exalando cheiros deliciosos de assados e outros quitutes. Logo que saí no corredor fui intimado a comparecer às duas ceias, que, no meio da noite, se fundiam numa só. Prometi que não faltaria, seria a primeira parada depois da ceia na casa da Dona Lila, mãe do Dedé, que já havia me convidado desde que soubera que eu passaria sozinho.

O transcorrer da véspera de Natal no Condomínio dos Jornalistas era uma festa desde que o dia nascia.

Chegavam pessoas de todos os cantos para os encontros familiares. Pessoas que, normalmente, não frequentavam as áreas comuns o faziam nesse dia, e o clima de festa se instalava.

O bar do Seu Antônio e da Dona Maria ficava lotado. Seu Joaquim não parava um minuto no sobe e desce pelos apartamentos do condomínio, abastecendo-os de cerveja e refrigerantes. Até o forno industrial do bar era cedido, gratuitamente, para alguns moradores e ficava lotado de assados.

 Era possível sentir no ar a harmonia que reinava.

 Minhas lembranças são de uma comunhão geral. Não havia quem passasse e não fosse recebido com um Feliz Natal, ao qual sempre retribuía contagiado pelo mesmo entusiasmo. Era dia de desejar felicidades a qualquer pessoa que entrasse no Jornalistas.  

A sensação era de que os corações floresciam. Em nenhum outro dia do ano havia tantos sorrisos.

Passar na casa dos amigos para as felicitações era uma tradição do Jorna e, naquela noite, a comilança foi interminável. Voltei para a minha casa, completamente empanturrado das melhores comidas de Natal que se pode imaginar. Fiz um tour gastronômico por todos os pratos típicos da culinária brasileira. Acho que foi naquele dia que comecei a ter barriga...

Apesar da saudade, naquele primeiro Natal que passei sem minha família, várias outras mães, pais e irmãos me acolheram. Não me senti sozinho um minuto sequer nem naquele dia, nem naquela noite.

Passadas as comemorações familiares, era hora da festa na minha casa encantada, o 1004. O primeiro a chegar foi o Dedé com um digestivo salvador. Logo vieram Abelha, Bode, Mito, Marquinho e a violada começou cada um no seu instrumento e eu com o lendário violão do Sig.

Não demorou para que os astros da noite também chegassem: Babalu, Kássio, Mário Japão, Cláudio Urubu e o Tuca. E foram chegando mais amigos e amigas e mais amigos de amigos e mais amigas de amigas e gente que eu nunca tinha visto antes. Porque era natal.

Fechamos a noite todos cantando e tocando juntos, acompanhando nosso amigo Cláudio Urubu em sua música mais bonita, em parceria com Raul Seixas, declarando ao mundo que íamos todos “... ficar com certeza Malucos Beleza”.

Acho que ficamos.

Edmir Saint-Clair

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A COPA DO MUNDO EM CIMA DOS CARROS

    Ano 1970,  Brasil Tricampeão Mundial. O Leblon comemorou entusiasticamente, saindo às ruas a cada partida. Eu ainda era um pré-adolescente, mas as turmas dos mais velhos se reuniam para ver os jogos e a batucada rolava animada. Na partida final, a festa ultrapassou o bairro e se juntou às outras pela cidade toda. A av. Ataulfo de Paiva e a Visconde de Pirajá se transformaram numa enorme passarela da alegria tricampeã! Uma só festa. A turma do Condomínio dos Jornalistas fechava a Av. Ataulfo de Paiva e parava carros e ônibus que passavam buzinando e gritando a senha mágica: “Tri-campeão!”

 Esse grito tomou conta de cada cantinho do Leblon, Ipanema e do Rio de Janeiro inteiro. Bandeiras, faixas, camisas, qualquer coisa verde amarela ou qualquer coisa que tivesse a ver com futebol servia para vestir a cidade tricampeã, o país tricampeão! Foi a primeira vez na vida que vi e vivi a sensação do país inteiro parar. Uma alegria indescritível.

Foi inesquecível. Comemorei em cima do carro do Seu Waldenor, pai da Lena, Tetê e Gugu, em cuja casa uma turma grande de pré-adolescentes assistiu a todos os jogos da Copa de 70, sem mudar a camisa porque estava dando sorte. Além da inédita emoção compartilhada, nas partidas acompanhadas numa TV P&B, ainda tinha aquelas lourinhas lindas. 

Elas moravam no primeiro andar do prédio que fazia esquina da Rua Almirante Pereira Guimarães com Av. Ataulfo de Paiva. A energia era eletrizante naquela minha primeira Copa do Mundo, onde meu interesse já não era só pelo futebol. Deu sorte, tricampeões!

 Seu Waldenor tinha um fusca que, generosa e despojadamente, colocou no meio do trânsito caótico-comemorativo e nos levou pela praia, depois da vitória na final, até a Av. Atlântica lotada e carnavalesca. Eu estava vivendo um dia histórico que ficaria para sempre na memória do país.

No fusca do Seu Waldenor umas dez crianças/adolescentes iam dentro e mais umas tantas iam penduradas no teto, capô e onde desce para se segurar. A velocidade do trânsito era menor do que um velho andando, por isso, não oferecia risco.  Hoje, penso que o carro dele deve ter ficado completamente amassado, amarrotado com tanta gente em cima da lataria. Seu Waldenor era um cara muito do bem, um pai bem legal com os amigos das filhas. Todas lindas. Minhas irmãzinhas para toda a vida, até hoje. Não sei por que, mas, naquele ano, nessas comemorações a moda era ficar em cima dos carros trafegando, mesmo antes da final, as vitórias a cada partida eram comemoradas assim. Alguns carros andavam em velocidade normal, com jovens em cima da lataria externa. Ainda bem que essa moda passou, era muito perigoso. Alguns passavam em velocidade maior, gritando e causando alvoroço.

Moda é uma coisa irracional, sempre foi e cada época tem suas loucuras peculiares. Mas, não me lembro de nenhuma notícia disso ter causado acidentes mais graves, o que é surpreendente.

De lá pra cá, esqueci de muiiitas coisas, menos do time Tricampeão do mundo: Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gerson e Rivelino. Jairzinho, Tostão e Pelé.

Foi a primeira Copa do Mundo da qual me lembro perfeitamente. Eu morava no Condomínio dos Jornalistas, no Leblon. Meu pedaço de mundo. Lembrar, às vezes, é tão bom...

- Edmir Saint-Clair

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AMADURECER


O amadurecimento é o resultado de um aprendizado contínuo e profundo de como conviver com as próprias angústias, ansiedades, incertezas, inseguranças e todo esse conjunto de afetos. Eles definem nosso estar mais profundo. Se nos sentimos de bem ou de mal com a própria vida.

Vivemos uma época de grandes desequilíbrios. A segunda década do século 21 está nos impondo modificações profundas e surpreendentes. Perdemos antigas referências que norteavam nossas ações e muitos dos valores que nos guiavam estão obviamente caducos e obsoletos, deixando-nos desorientados. 

Instituições seculares, que sempre estabeleceram os parâmetros para a humanidade, como a Igreja, a Família e o próprio Estado, foram profundamente afetadas em suas estruturas fundamentais e tentam se reinventar a todo custo adequando-se aos novos padrões e demandas que regem as novas leis de mercado, para onde tudo e todos convergem inevitavelmente. 

Até as escolas e universidades já não são mais os únicos detentores dos meios para se alcançar o conhecimento. O Google disponibiliza o acesso a todas as bibliotecas da  maioria das instituições geradoras e distribuidoras em todos os ramos do conhecimento humano.

 As principais referências culturais e religiosas se esvaziaram de forma inédita. A dúvida sobre tudo se alastrou, invadindo todos os espaços e aumentando ainda mais a fragilidade e a insegurança que a psiquê humana luta a todo instante para superar.

Segundo o filósofo dinamarquês Kierkegaard, o ser humano busca desesperadamente um sentido, um significado para seu viver mundano, que lhe resgate do vazio que trás em si.

Na busca por significados tentamos dar sentido à vida, e esse sentido pode estar em qualquer lugar e pode ser qualquer coisa, desde que consiga nos iludir e nos fazer acreditar que aquilo tenha significado suficiente para aplacar nossa angústia  fundamental.

Quanto mais imaturos somos, mais facilmente aceitamos os significados que os mercados nos impõe, acreditando piamente que aqueles valores são, também, os nossos. E, a esmagadora maioria aceita o que recebem sem qualquer tipo de questionamento durante toda a sua existência. Seja no mercado das crenças e religiões, moda, artes, esportes, costumes,  educação e em todo tipo de exploração econômica envolvendo as necessidades humanas.

Amadurecer é entender esse mecanismo e, principalmente, preencher-se com o prazer que só o autoconhecimento e a experiência dos anos é capaz de ensinar. É reconhecer-se humano, entendo o que acontece consigo e interferindo conscientemente para melhorar-se e ir além do que a própria programação genética e cultural lhe designou. Isso é evoluir. 

Acima de tudo, amadurecer é aceitar que na maioria das vezes a vida não vai ter significado algum, a não ser nos raros momentos que fazem todo o resto valer a pena.

- Edmir Saint-Clair

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REGENERADO

 

Ninguém o chamava mais para nenhum evento social do condomínio de alto luxo em que morava há pouco mais de quatro meses, na Barra da Tijuca. Era arquiteto e andava ganhando concorrências públicas aos montes, graças aos conhecimentos do pai e do sogro que,  juntos, lhe garantiam trabalhos. Ele era talentoso e sempre se dedicara aos estudos, nem precisaria das mamatas. Mas, nunca saberia disso, uma pena para sua autoestima. Esses trabalhos, ainda lhe garantiam boa mídia, que lhe garantia novos trabalhos, que lhe pagavam cada vez mais. Ou seja, ele estava mais do que garantido, numa espiral ascendente. Um perfeito produto das capitanias hereditárias cariocas.

Mas, de nada adiantava seu sucesso naquele reduto de iguais. Parecia que ninguém gostava de sua presença. Até que sua esposa lhe jogou na cara com todas as letras:

- A mulher do Dantas me falou que ninguém aguenta você porque você ganha todas.

- Como assim?

- Ela disse que em todas as dúvidas nas conversas você está sempre certo...ninguém aguenta mais.

Então, o problema era esse! Por isso, em tão poucos meses, ninguém comentava mais nada na frente dele...

Aquele condomínio era composto por moradores absolutamente iguais e qualquer um que apresente uma diferença claramente perceptível é rejeitado. E esse era o grande pecado de Felinto: ganhava todas as discussões e estava sempre certo. Não que fosse um gênio, os outros é que deixavam muito a desejar...

No meio daqueles $abichõe$, e em tempos de Google, uma dúvida não leva mais que 15 segundos para ser sanada. E fosse qual fosse o assunto não tinha erro, o Felinto estava sempre certo. Um belo sábado, em que ele chegou no bar dos tenistas, onde o pessoal se reunia, apesar de ninguém jogar tênis, uma discussão acalorada sobre em que ano foi lançado o Chevette acontecia.  Felinto não teve dúvida e falou:

-Dia 24 de abril de 1973.

Todos ficaram em silêncio. Sabiam que Felinto estava certo, ele sempre estava. E, na milésima vez, ninguém mais ousou contestar-lhe. Nem naquele dia, nem em qualquer outro. Havia sido a gota d'água. A partir dali, sempre que Felinto chegava num ambiente onde uma conversa acontecia, o silêncio baixava. Ninguém queria correr o risco de falar algo errado e passar a vergonha de ser corrigido em público pelo Felinto. Ficou conhecido como o "desmancha bolinho" do condomínio, onde ele chegava o grupo se dispersava rapidamente.

    Até que aquele dia,  sua esposa teve a ideia que salvaria suas vidas comunitárias. Combinaram a estratégia e a esposa ficou de conseguir uma oportunidade para que pudessem colocá-la em prática.

        Com pena do casal, as esposas do condomínio (esposa em condomínio da Barra não tem nome, é só esposa) resolveram ajudar a pobre da Marilda, esposa do Felinto.

Elas organizariam uma festa e não avisariam aos maridos que o casal Felinto e Marilda seria convidado. Quando todos já tivessem chegado, o casal rejeitado apareceria de surpresa,  não dando opção de fuga aos convidados.

Na ocasião, uma das esposas louras do condomínio combinou com Marilda que faria perguntas ao Felinto, e este teria que responder errado. Ela faria uma segunda, e de novo ele deveria errar. E assim por diante, até que sua fama estivesse completamente arruinada. Não seria difícil, os $abichõe$ de condomínios da Barra não são muito espertos para coisas que exijam raciocínio.

Chegada a grande noite, o casal esperou ansioso o horário combinado. Eles deveriam chegar apenas após os últimos convidados. Seguiram a risca as instruções. Como sempre, assim que entraram no deck da piscina onde se realizava o evento, o silêncio foi tomando conta do local. Quando eles já começavam a se sentir por demais incomodados, a anfitrião brada:

- Felinto, duvido que você saiba em que ano foi lançado o forno de micro-ondas?

Silêncio total. Além do inusitado daquela pergunta completamente aleatória e sem sentido, a anfitriã ousara mais do que qualquer um jamais se atreveria.

Felinto quase responde na bucha, mas sua mulher consegue dar-lhe um beliscão a tempo. Convicto como sempre, Felinto responde:

- 1957!

Seguem-se os 15 segundos mais torturantes da vida de Marilda. Felinto parece tranquilo enquanto todos os presentes consultam seus iPhones. De repente, ouve-se um grito como se fosse um gol do Flamengo no maracanã:

- Errooouuuuuu!!!!

Os presentes vibram e festejam. Marilda é a mais empolgada. Mas, antes que a vibração adormecesse, a anfitriã o desafia novamente:

- Felinto, em que ano inventaram o secador de cabelos?

Fez um silêncio ainda maior do que o primeiro.

Felinto hesita, contempla a face alegre da esposa e responde:

- 1932!

Não demorou muito até que todos os presentes explodissem num só grito:

- Errooooouuuuu!!!

    Outros se animaram e todos quiseram desafiar o Felinto, que vibrava cada vez que perdia. Marilda, finalmente, teve sua noite se sentindo  uma legítima moradora de um condomínio da Barra da Tijuca. 

    A partir daquela noite viveram felizes até um trair o outro. Ela com a vizinha do lado e ele com o vizinho do outro. Mas, nenhum dos dois se mudou do condomínio e continuam amigos e felizes até hoje. 

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O MOMENTO EM QUE A FELICIDADE ACONTECE

 

Uma relação leve e espontânea parecia estar surgindo e ela não queria acelerar aquela evolução que acontecia tão naturalmente. Era gostoso e divertido toda vez que se encontravam, o que estava se tornando cada vez mais frequente. Ela adora a liberdade que a solteirice proporciona. Já fizera a felicidade dos pais, da família, das amigas e a sua própria, realizando o casamento que todos esperavam, inclusive ela mesma. Agora, sentia-se livre. 

A separação fora sem sobressaltos e menos tristeza do que ela imaginava e gostaria. De lá pra cá, pequenos namoros sazonais a satisfaziam plenamente, acordar ao lado de alguém tornara-se tão raro quanto indesejado, fazendo com que ela confundisse um pouco as coisas depois daquele delicioso café da manhã servido na cama.

         Mas, deu-se conta que só conseguia sorver plenamente aquele momento com a leveza da alma que acorda já descobrindo-se desperta, exatamente pela raridade da ocasião, pela conjunção improvável e aleatória; momentos que redimem a vida e justificam o caos. Quando a mágica maior acontece.

O momento onde o nosso desejo se encontra com a gente e se realiza com a cumplicidade de alguém especial. Uma comunhão de tudo.

É preciso aprender a perceber quando a vida está dando certo e acertando em cheio. 

É preciso saber se sentir feliz no momento em que a felicidade está acontecendo. É indescritível. E raro.

Edmir Saint-Clair

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AMAR E SER FELIZ

Fruto do mais legítimo acaso, caiu-me nas mãos um livro particularmente necessário para mim, naquele momento. 

O livro realmente me impressionou, como há muito não acontecia.

Identifiquei-me profundamente com os pensamentos ali expressos. Trata-se da transcrição de uma palestra do filósofo francês contemporâneo André Comte-Sponville. O nome do livro é Felicidade, desesperadamente. Ele faz um passeio pela história da filosofia e, através da ótica de várias escolas  filosóficas, discorre sobre as emoções humanas, particularmente o amor.

O livro me fez compreender o que sempre pensei e nunca havia conseguido enunciar e entender de forma tão clara e objetiva.

A identificação com a condução do raciocínio em torno do tema proposto pelo escritor foi completa. A primeira coisa que me fez ver, é que eu havia, finalmente, compreendido o que é amar de verdade, para mim. Não no sentido de intensidade mas, no sentido de profundidade e amplitude. E, principalmente, no sentido da ação.

O verdadeiro amor é aquele que desperta, espontaneamente, nossas melhores características pessoais. O lado mais humano, amigo, parceiro. É o que provoca a atitude de fazer o outro feliz em cada interação. É o cuidado de utilizar a percepção, que a sintonia com a pessoa amada provoca, para chegar aos mais deliciosos e nobres requintes de amor, carinho e tudo mais torna uma relação apaixonante.  E, por causa dessas atitudes bonitas para com o ser amado, nos vemos mais bonitos, iniciando um ciclo muito saudável. Nossa autoestima aumenta, o que nos faz amar o amor que sentimos pela outra pessoa. E, esse ciclo se estende ao sermos retribuídos e, por isso, amamos ainda mais a pessoa que nos faz sentir todo esse prazer de viver. Isso aumenta e se fortalece a medida em que transformamos esse amor em novas atitudes, nos fazendo capazes de sentir felicidade pela felicidade do outro.

Cada um do seu jeito, com as suas verdades. Unidos apenas pela felicidade de estar junto. Pela alegria e o prazer que o amor proporciona.

É preciso aprender a amar e isso leva tempo. E, na maioria das vezes, dói aprender. 

 A felicidade não existe para o amor dos imaturos, do desejo egoísta que quer o objeto porque não o tem. Do que quer a posse, o controle, o poder de manipular o outro através dos sentimentos. Estes estão condenados a infelicidade.

Acredito no amor que trás consigo a possibilidade real de felicidade. Que nos faz sentir alegria apenas com o pensamento de que a pessoa amada existe e, também, nos ama. A simples idéia da existência do outro já é razão de sentir alegria.

No amor verdadeiro não existe posse. Existe desejo. Não existe obrigação. Existe vontade. Cada encontro acontece porque o desejo impulsionou. Porque trás prazer e alegria.

O prazer de se sentir o objeto de desejo do nosso objeto de desejo é indescritível, é o momento mais mágico da vida.

O amor verdadeiro é saudável, é a sensação de prazer pelo prazer do outro; é multiplicar por dois as possibilidades de muitas felicidades.

Um dia chegaremos lá...

- Edmir Saint-Clair

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AMIGOS: O LADO TRISTE DOS REENCONTROS

 

Em tempos de mídias sociais, onde ou se é “gratidão” ou se é Hater, o que mais lemos são postagens muito longe do que todos sabemos ser a realidade que vivemos, percebemos, sentimos e pensamos. Sim, são pelo menos esses quatro os estágios para o processamento mínimo de algum evento digno de registro.

Com o passar dos anos, todos vamos sofisticando a forma como processamos nossas experiências pessoais. Estamos constantemente fazendo isso. Eventualmente, revisitamos experiências anteriores e as resignificamos. Graças a essas experiências, acabamos por ganhar um conhecimento empírico a respeito de nós mesmos que nos permite ser mais assertivos em nossos posicionamentos e opiniões. À evolução desse processo é o que chamamos de amadurecimento.

Nesses tempos de quarentena, é inevitável que esse processo de lembrar eventos adormecidos seja potencializado.

Como conseqüência imediata, sentimos recrudescer os mesmos sentimentos que experimentamos na ocasião original. Está aí uma excelente oportunidade para resignificarmos esses incômodos fantasmas que nos atrapalham quase sem percebermos. Assim, como, também, reforçar aqueles positivos que reforçam nossas crenças pessoais e autoestima.

Tenho revisitado, na memória, muitos desses eventos e recontatado vários amigos, que não via há tempos, pelas redes sociais.

Pena nem todos percebem e aproveitam, de forma inteligente, tudo o que a passagem do tempo pode nos proporcionar.

Ficar velho todos os que não morrerem antes ficarão. Mas, amadurecer não, exige trabalho interno, é mérito. Ser uma pessoa madura dá trabalho, não é pra qualquer um. É preciso ser gentil, ser amigo dos amigos e ter atitudes que aumentam a auto-estima e o respeito alheios. Ser gente boa oferece muitas vantagens, mas quem é gente boa de verdade não o é por elas. É porque amadureceu.

Sim, amadurecer é gostoso e faz muito bem à autoestima e funciona, também, para que nossos amigos continuem a gostar e a confiar em nós. Mudar é gostoso e desafiador. Muitas vezes nos leva a ter surpresas muito boas conosco mesmos, nos descobrindo melhores do que antes. E o que é ser melhor? Isso é um parâmetro personalíssimo e de importância fundamental, um derivado da maturidade, o autoconhecimento. Exige uma pré-disposição para aceitar e introjetar as constantes mudanças pelas quais passamos como resultado de nossas experiências diárias.

Nunca entendi alguém bater no peito e declarar que “sempre fui assim e não vou mudar”!  Mesmo sendo um imbecil que ninguém suporta... 

Amadurecer significa, também, aprender como cada um de nossos amigos gosta ou não gosta de ser tratado. Aprendemos a sofisticar nossa empatia. E, é um dever de cada um desenvolvê-la constantemente, caso contrário corremos o risco de nos tornarmos inconvenientes, chatos e repetitivos.

Envelhecer sem amadurecer é aprisionar nossa criança num corpo de velho.

Houve época em que eu tinha certo ranço e muita dificuldade ao ter que lidar com certos amigos de adolescência que não tinham amadurecido. Ao contrário, depois dos 50 pareciam ter regredido. Era quase insuportável ter aturá-los em certos eventos, e isso é muito triste.

Não sou psicólogo para ficar construindo teorias de como e porque acontece isso com algumas pessoas, mas testemunho constantemente esse fato.

Uma coisa é um encontro de amigos num churrasco, onde todos estão ali para ser criança mesmo, para brincar e se divertir. Não é dessas ocasiões que estou falando.

Estou falando daqueles que não mudam sua forma de tratar o mundo por não terem percebido que o passar do tempo trás a necessidade de novas posturas e atitudes, mesmo, e principalmente, com os velhos amigos.

É inteligente e agradável aprendermos o valor da gentileza, do carinho e da confiança, que são valores que levam ao aprofundamento das amizades. Não existe nada mais compensador do que reverenciar e ser reverenciado pelos amigos.

O tempo passa, e algumas brincadeiras e comportamentos, que eram comuns quando em crianças e adolescentes, não tem mais lugar quando nos tornamos adultos. Por mais óbvio, nem todos atentam para esse aspecto nevrálgico das relações.

Muitas vezes, nos reencontros, presenciais ou virtuais, esse é um ponto que pode causar muito embaraço quando nos deparamos com pessoas que não perceberam essas sutilezas, essa lapidação que a vida nos exige.

É comum, quando somos jovens demais, praticarmos brincadeiras grosseiras e provocativas entre amigos. São apelidos, rótulos e outras coisas que, não são agradáveis mas que, suportamos porque é normal suportar naquela idade, faz parte da nossa cultura. Mas, quando a idade adulta chega, nos tornamos cada vez mais avessos àquelas mesmas grosserias e provocações. E os costumes e percepções mudam, evoluem, coletivamente também. 

Mas, nem todos pensam, se desenvolvem e amadurecem nesse sentido. Alguns continuam com as mesmas grosserias e provocações de quando tinham 15 anos. Naquela época era chato, mas todos riam. Trinta anos depois, é só muito chato e inconveniente. Ridículo e decepcionante.

Hoje, não tenho mais o ranço que tinha desses amigos perdidos na terra do nunca. Ao contrário, sinto empatia. Deve ser muito difícil e sofrido ser uma criança aprisionada num corpo de velho. E, só existe um remédio para isso; amadurecer.  

Quando a gente amadurece, em vez de detestar envelhecer, descobre que as coisas boas podem não acabar nunca.

Ainda bem que, por outro lado, existem também aqueles reencontros que fazem nossa alma brilhar e descobrir novos talentos de velhos amigos.

Mas não consigo deixar de sentir uma certa tristeza quando reencontro amigos que nunca cresceram. Estão deixando de aproveitar uma excelente parte da vida.

– Edmir Saint-Clair

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DEIXA PRA LÁ

  

    Um homem fraco e mal educado quase derruba uma senhora, e toma-lhe o lugar no assento do ônibus.  José observa tudo e fica revoltado, mas pensa:

-Deixa pra lá. 

    João está a várias dezenas de minutos na fila para pagar uma conta. Uma mulher, aproveitando-se de sua beleza e da feiúra dele, pede, insinuante que ele deixe-a passar na sua frente. Ele desconcerta-se, sabe que está sendo feito de idiota, mas pensa envergonhado:

-Deixa pra lá.

Nada é mais patético do que o Deixa pra lá nosso de cada dia. 

Deixar pra lá é esconder-se atrás da covardia, para ninguém nos ver...é ficar ainda mais invisíveis do que já somos, envergonhados por nossa passividade crônica. É ajudar a piorar ainda mais tudo à nossa volta.

É no Deixa pra lá que o mal floresce. 

Edmir Saint-Clair

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AS NOVAS TERAPIAS MENTAIS

 

Não sou médico, nem psicólogo. Sou paciente, ou melhor, cliente, que é como alguns psicólogos se dirigem, atualmente, a seus “pacientes”. 

Já na primeira consulta, após a aceitação mútua, minha terapeuta (Psicóloga que utiliza as técnicas de EMDRBrainspoting e outras) focou diretamente em estabelecermos os motivos que me levavam a ela. A partir disso, me ofereceu um contrato de trabalho, onde se estabelece uma relação de compromissos. Existe o compromisso com a superação dos problemas. Isso faz uma gigantesca diferença nas perspectivas e expectativas.

Já havia feito terapia, a última há uns 15 anos. Nos dez anos anteriores, havia passado por diversos terapeutas, de diversas correntes.

Durante aquele período, fui despertado pelo fascínio da possibilidade de me conhecer o mais profundamente que conseguisse e com a possibilidade de poder modificar traços comportamentais que não gosto em mim mesmo. 

Acreditei, durante aquela década, que as terapias eram um meio eficiente do ser humano se conhecer melhor e aproveitar, ao máximo, a vida.

Foram várias tentativas, com terapeutas de diversas correntes. Alguns durante pouco tempo. E, com dois, o tempo de terapia regular e freqüente foi mais extenso.

Dez anos após ter ido ao consultório da primeira terapeuta, era muito claro o quanto aquilo havia me feito avançar: nada.

Nem um passo que eu pudesse identificar. Na minha avaliação de paciente, não consegui ver nenhum avanço que não fosse conseqüência da simples passagem do tempo.

Sempre tive profunda admiração pelos que buscam entender a mente humana. 
Mas, para mim estava claro que, por mais dedicação que houvesse existido, a psicologia e a medicina ainda não tinham desenvolvido uma terapia capaz de alterar a ordenação racional dos pensamentos do indivíduo. Não havia ferramentas que pudessem interferir e alterar efetivamente as respostas neurais do cérebro. E, consequentemente, sobre os comportamentos conseqüentes.

Passou-se 15 anos, durante os quais, minha descrença nas terapias cresceu até se tornar total. Não só pela minha experiência pessoal. Mas por dezenas de outras histórias de experiências e conclusões muito semelhantes, contadas por pessoas próximas. Nunca havia visto ninguém que tivesse “melhorado” por ter feito terapia. Não havia porque acreditar em sua eficácia.

Nesses tempos de descobertas diárias, potencializadas por uma velocidade de disseminação de informações jamais imaginada na época dos precursores das psicoterapias, uma das descobertas mais importantes que me aconteceu veio através de uma pessoa muito próxima, minha irmã. Uma neuro-psicóloga extremamente estudiosa, dedicada, inteligente e com condições financeiras para bancar todos os cursos e pós graduações que até hoje nunca parou de fazer.

Após morte na família, sempre que conversávamos ela me contava sobre os cursos, palestras, conferências onde ela tinha contato com os maiores nomes da neurociência atual.

Mas, santo de casa até faz milagre, mas é muito mais difícil convencer o irmão, absolutamente descrente de qualquer “terapia”, que em pouco menos de duas décadas as coisas estavam tão diferentes.

Mas, estavam e ela me provou isso.

As terapias evoluíram e sua eficácia aumentou numa progressão geométrica, graças às novas técnicas de exames por imagens do funcionamento cerebral em tempo real.  

Descobertas absolutamente inimagináveis para Freud e todos os outros gênios que escreveram as primeiras páginas dessa história.

BrainspotingEMDR e outras que já existem.

Se Freud acordasse de repente e visse o que é possível hoje com essas novas ferramentas, pularia de alegria e gritaria gol! E, poderia comprovar, ou não, todas as suas suposições que jamais pôde ter certeza se estavam, ou não, corretas.

Como paciente e, agora, cliente, passei por essa máquina do tempo.

Minha irmã me indicou uma psicóloga da mesma linha que ela, com quem marquei uma sessão.

Fui e estou maravilhado com os resultados.

Brainspoting e EMDR são de uma eficiência avassaladora

Resultados aparecem com uma velocidade espantosa. E, não são mudanças superficiais. Ao contrário. 

  • Você reprograma o seu cérebro literalmente. 
  • Tira bugs do seu sistema. 
  • Instala novos programas, desinstala ou reinstala outros. 
Em duas sessões dessa terapia, sem contar a entrevista inicial, percebi mudanças pelas quais nunca havia conseguido passar perto, naqueles 10 anos de tentativas, há mais de 15 anos.

- Seu cérebro está se curando.

E a gente sente que está. E, não volta mais ao estado anterior. E, quando volta, tem recursos para sair. E começa a voltar cada vez menos para lugares desconfortáveis da mente. E consegue identificar (Brainspoting) e reconstruir, através do EMDR, caminhos neurais para os melhores lugares de nossas mentes.

É algo emocionante de viver e de sentir. 
É emocionante perceber que estamos aqui para ver e usufruir dessa maravilha que a mente humana descobriu e desenvolveu para cuidar de si própria.

“Seu cérebro está se curando”...

Edmir Saint-Clair
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