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SALTO NO INSANO



Amor, veneno lento,
Veneno bento, amor
Salto no insano, humano
Imenso, sem fundo, sem teto,
Sem nexo

De onde vem essa falta?
Onde se perdeu esse pedaço
Que nunca houve
Esse encaixe que não existe, mas que persiste
 Como peça no jogo de outro
Peça solta para a vida pregar

Entre sonhos e sedas, poesias e versos
Cheiros e hormônios fantasiam os gestos
Encaixes perfeitos, delícias humanas
Matam os deuses que nunca seremos.

- Edmir Saint-Clair

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AS NOVAS TERAPIAS MENTAIS

 

Não sou médico, nem psicólogo. Sou paciente, ou melhor, cliente, que é como alguns psicólogos se dirigem, atualmente, a seus “pacientes”. 

Já na primeira consulta, após a aceitação mútua, minha terapeuta (Psicóloga que utiliza as técnicas de EMDRBrainspoting e outras) focou diretamente em estabelecermos os motivos que me levavam a ela. A partir disso, me ofereceu um contrato de trabalho, onde se estabelece uma relação de compromissos. Existe o compromisso com a superação dos problemas. Isso faz uma gigantesca diferença nas perspectivas e expectativas.

Já havia feito terapia, a última há uns 15 anos. Nos dez anos anteriores, havia passado por diversos terapeutas, de diversas correntes.

Durante aquele período, fui despertado pelo fascínio da possibilidade de me conhecer o mais profundamente que conseguisse e com a possibilidade de poder modificar traços comportamentais que não gosto em mim mesmo. 

Acreditei, durante aquela década, que as terapias eram um meio eficiente do ser humano se conhecer melhor e aproveitar, ao máximo, a vida.

Foram várias tentativas, com terapeutas de diversas correntes. Alguns durante pouco tempo. E, com dois, o tempo de terapia regular e freqüente foi mais extenso.

Dez anos após ter ido ao consultório da primeira terapeuta, era muito claro o quanto aquilo havia me feito avançar: nada.

Nem um passo que eu pudesse identificar. Na minha avaliação de paciente, não consegui ver nenhum avanço que não fosse conseqüência da simples passagem do tempo.

Sempre tive profunda admiração pelos que buscam entender a mente humana. 
Mas, para mim estava claro que, por mais dedicação que houvesse existido, a psicologia e a medicina ainda não tinham desenvolvido uma terapia capaz de alterar a ordenação racional dos pensamentos do indivíduo. Não havia ferramentas que pudessem interferir e alterar efetivamente as respostas neurais do cérebro. E, consequentemente, sobre os comportamentos conseqüentes.

Passaram-se 15 anos, durante os quais, minha descrença nas terapias cresceu até se tornar total. Não só pela minha experiência pessoal. Mas por dezenas de outras histórias de experiências e conclusões muito semelhantes, contadas por pessoas próximas. Nunca havia visto ninguém que tivesse “melhorado” por ter feito terapia. Não havia porque acreditar em sua eficácia.

Nesses tempos de descobertas diárias, potencializadas por uma velocidade de disseminação de informações jamais imaginada na época dos precursores das psicoterapias, uma das descobertas mais importantes que me aconteceu veio através de uma pessoa muito próxima, minha irmã. Uma neuro-psicóloga extremamente estudiosa, dedicada, inteligente e com condições financeiras para bancar todos os cursos e pós graduações que até hoje nunca parou de fazer.

Após morte na família, sempre que conversávamos ela me contava sobre os cursos, palestras, conferências onde ela tinha contato com os maiores nomes da neurociência atual.

Mas, santo de casa até faz milagre, mas é muito mais difícil convencer o irmão, absolutamente descrente de qualquer “terapia”, que em pouco menos de duas décadas as coisas estavam tão diferentes.

Mas, estavam e ela me provou isso.

As terapias evoluíram e sua eficácia aumentou numa progressão geométrica, graças às novas técnicas de exames por imagens do funcionamento cerebral em tempo real.  

Descobertas absolutamente inimagináveis para Freud e todos os outros gênios que escreveram as primeiras páginas dessa história.

BrainspotingEMDR e outras que já existem.

Se Freud acordasse de repente e visse o que é possível hoje com essas novas ferramentas, pularia de alegria e gritaria gol! E, poderia comprovar, ou não, todas as suas suposições que jamais pôde ter certeza se estavam, ou não, corretas.

Como paciente e, agora, cliente, passei por essa máquina do tempo.

Minha irmã me indicou uma psicóloga da mesma linha que ela, com quem marquei uma sessão.

Fui e estou maravilhado com os resultados.

Brainspoting e EMDR são de uma eficiência avassaladora

Resultados aparecem com uma velocidade espantosa. E, não são mudanças superficiais. Ao contrário. 

  • Você reprograma o seu cérebro literalmente. 
  • Tira bugs do seu sistema. 
  • Instala novos programas, desinstala ou reinstala outros. 
Simples assim como está parecendo nesse texto.

Em duas sessões dessa terapia, sem contar a entrevista inicial, percebi mudanças pelas quais nunca havia conseguido passar perto, naqueles 10 anos de tentativas, há mais de 15 anos.

- Seu cérebro está se curando.

E a gente sente que está. E, não volta mais ao estado anterior. E, quando volta, tem recursos para sair. E começa a voltar cada vez menos para lugares desconfortáveis da mente. E consegue identificar (Brainspoting) e reconstruir, através do EMDR, caminhos neurais para os melhores lugares de nossas mentes.

É algo emocionante de viver e de sentir. 
É emocionante perceber que estamos aqui para ver e usufruir dessa maravilha que a mente humana descobriu e desenvolveu para cuidar de si própria.

“Seu cérebro está se curando”...

Edmir Saint-Clair
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ENTREVISTE-SE, VOCÊ VAI DESCOBRIR COISAS SURPREENDENTES A SEU RESPEITO

 

Faço terapia há alguns anos, com resultados que jamais esperaria alcançar na década passada. Com EMDR, Brainspoting e as novas técnicas advindas das pesquisas neurológicas e neuropsicológicas “a coisa anda” e os resultados não param de me surpreender.

Dentre as diversas técnicas que minha terapeuta me aplica, algumas tem como objetivo construir ferramentas que facilitem o meu diálogo interno. Não sou conhecedor das técnicas, sou usuário. Sou paciente, ou cliente como alguns terapeutas gostam de nomear atualmente.

Uma das coisas que considero mais difíceis, no processo terapêutico, é identificar o que realmente sentimos com relação às coisas que fazem parte do nosso universo, nas quais estamos enredados. Essas teias que nos envolvem e, por vezes, paralisam, são como nós cegos difíceis de desatar. Nas ocasiões em que afloram, uma simples decisão pode assumir proporções bíblicas e nos consumir desnecessariamente.

Tudo fica muito mais fácil quando conseguimos identificar, objetivamente, nossos sentimentos. Nomeá-los em voz alta é uma forma eficiente de encará-los e, a partir daí, promover uma dessensibilização e um reprocessamento das reações e emoções advindas daquele nó. Para isso, desenvolvi uma forma pessoal de pegar minhas defesas psicológicas desprevenidas. Um diálogo disfarçado de brincadeira: uma entrevista comigo mesmo.

Pode parecer infantil. E, talvez seja mesmo, mas isso pode ser um valor a mais, já que nossa criança esconde muitas respostas.

Brincar sempre trás leveza a qualquer ação, ainda mais quando lidamos com nossos espaços obscuros. Primeiro, elaboro as perguntas o mais objetivamente que consigo, com foco no assunto em pauta, no nó que desejo desatar. Perguntas incisivas, íntimas, pessoais e intransferíveis.

Quando formulo as perguntas, meu pensamento é unicamente impactar meu entrevistado, sendo invasivo e indiscreto, com crueza e malícia nas perguntas. Não penso nas respostas, penso só nas perguntas. O objetivo é claro e transparente: descobrir o que sinto sobre alguém ou alguma situação.

As respostas, por vezes, são de uma obviedade até sem graça, mas outras são surpreendentes, descubro coisas incríveis. Do choro ao riso, vou me descobrindo de uma forma cada vez mais leve e profunda. É o meu programa do Jô, onde eu sou tudo, até o Jô.

Lembro de ter lido uma postagem no Facebook muito bem humorada e inteligente, que tem muito a ver com esse meu programa do Jô: “Quando for falar mal de mim me chama. Sei coisas terríveis a meu respeito.”

É exatamente isso. Com a garantia de total confidencialidade que só você pode se dar. Experimente, se conhecer pode ser uma brincadeira deliciosa.

 - Edmir Saint-Clair

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A CIDADE DA MINHA INFÂNCIA

 

        A cidade da minha infância não tinha cheiro de mato ao entardecer. Nem rio passando embaixo de uma pequena ponte de madeira. Não tinha igrejinha branca em frente à praça. Não tinha leiteiro, que passava cedo, tocando uma sineta, com sua carroça puxada a cavalo. Não tinha a mercearia do seu Nicolau, que por sinal nem sei quem é. 

Não tinha a Dona Maria, senhora bondosa, que distribuía doces a todas as crianças do grupo escolar. Não tem tinha trem apitando na estação que nunca existiu. 

O cheiro mágico da minha infância é o da maresia de uma cidade praiana e praieira.

    A minha cidade tinha toda a poesia do mundo. Mas, não tinha cheiro de mato, nem rio passando embaixo de uma pequena ponte de madeira, mas cresci muito feliz, na beira do mar. Não tinha o Seu Nicolau, que por sinal nem sei quem é, mas tinha o bar do Seu Antônio, que sabia quem eu era. Cresci jogando pelada na areia e pegando jacarés, não a unha, no peito. Tinha circo em frente à praça, casa com portão e a maioria das pessoas se conhecia. Tinha piquenique no Parque Lage e tinha mistérios nas cavernas. Eu tinha conta no Mate/Limão do Eugênio da praia. Tinha velha fofoqueira, que falava mal de todo mundo. Tinha porteiro que corria atrás da gente. Tinha colégio de Padre e padre chato também.

       Tinha festa aos sábado nos clubes, e depois íamos comer pizza no bar Guanabara, que era ponto final de táxi e o único que ficava aberto até de madrugada.

    Esteja onde estiver, sempre que me lembro da minha infância sinto que meus irmãos de pedra ainda sorriem para mim e comigo, até hoje. Sempre me esperando voltar à nossa cidade mágica, encravada ao sul de Ipanema e aos pés dos meus dois irmãos de pedra.

Edmir Saint-Clair

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O INIMIGO NÃO SÃO OS OUTROS

 

Pensar também tem níveis de qualidade. Existem pensamentos ótimos e outros péssimos. Todos nós os temos de todos os tipos.

Assim como o ato de comer, nem sempre pensar mais significa pensar bem. Assim como comer, pensar bem seria pensar o necessário e somente o necessário, pressupondo que pudéssemos determinar o exato momento de parar de pensar sobre determinado assunto chiclete. 

Sabemos que isso não acontece. Sempre que um assunto se entranha em nossa mente a tendência é que não consigamos desviar a atenção até estarmos fatigados mentalmente e, consequentemente, incapazes de decidirmos sobre qualquer coisa. E, quanto mais relacionado ao aspecto emocional, mais nos empanturramos neuroticamente daquele assunto. Chegamos a ter ressaca moral, como se fosse uma indigestão mental por excesso de pensamentos. Algo como enfiar o pé na jaca da neurose.

Estudiosos da mente humana tem publicado cada vez mais sobre esse tema: o excesso de pensamentos e seus malefícios.

Não sou especialista no assunto, apenas um curioso e ativo utilizador da minha própria mente, além de me utilizar, também, das brilhantes mentes que me socorrem através dos livros e textos que nos deixaram. Pelo menos como veterano utilizador de um cérebro, tenho algum conhecimento empírico agregado ao conhecimento adquirido por impulsos da saudável curiosidade.

O bom desse tempo todo de vida, é que os assuntos começam a se cruzar. Coisas que antes pareciam tão díspares, com o tempo passam a fazer parte de um mesmo enredo.

Uma das coisas que mais gosto na passagem dos anos, é testemunhar a forma como os eventos, lugares e pessoas se entremeiam no enredo de nossas vidas. A forma imprevisível dos acontecimentos é o que nos faz não morrer de tédio. A forma como lidamos com esses imprevistos e a rapidez com que os aceitamos determinam muito de nossa capacidade de vivenciar o que chamamos de felicidade, essa espécie de orgasmo existencial, que sem dúvida nenhuma existe. Geralmente, por apenas um pouco mais do tempo de um orgasmo.

O Viver tenso, sempre vigilante, ansioso, o viver inseguro das cidades grandes, diariamente preocupado...a sensação eterna de corda apertando o pescoço. Se as tensões cotidianas já são, por si só, insuportáveis, a potencialização que um cérebro fatigado e desorientado produz causam é sombriamente imprevisível.

O ser humano aguenta fazer isso apenas por um determinado período de tempo, depois se cansa, se esgota e se deprime. E, ás vezes, nunca mais recupera a capacidade da vida plena.

Muitas vezes, passa-se uma vida inteira sem perceber o quê e muito menos por que a vida aconteceu como aconteceu. O mais triste dessa história é que, na maioria das vezes, não aconteceu como gostaríamos. E, não é por falta de pensar, de tentar resolver, entender e fazer de tudo para melhorar, achando que saturar o cérebro com pensamentos é o caminho. Via de regra ocorre exatamente o oposto, quanto mais nos esgotamos em pensamentos sem qualidade e sem rumo, mais desorientados e doentes nos sentimos. E, menos capazes ainda de resolver satisfatoriamente nossos problemas.

A quantidade de tempo que despendemos pensando não garante a qualidade daquele pensamento. Qualidade no sentido de solucionar de alguma forma aquela agonia a qual damos o nome genérico de problema. Para pensarmos com qualidade só existe um caminho: abastecer nossa mente com informações de qualidade.  Através do Google e com um pouco de vontade de melhorar, podemos ter acesso ao que grandes pensadores, que sabiam pensar com qualidade,  sugerem como caminhos para as soluções das agonias, que são comuns a todos nós humanos. É o único atalho que existe!

Graças a tecnologias desenvolvidas nas últimas décadas, que possibilitaram avanços admiráveis e surpreendentes no conhecimento dos processos e funcionamento do cérebro, a melhor coisa que podemos fazer em benefício da nossa mente e deixar nosso próprio cérebro se curar, num processo chamado homeostase, que é a capacidade dos organismos buscarem o próprio equilíbrio, de tal forma que lhes possibilite as melhores condições de funcionamento, leia-se de vida. Nosso cérebro, assim como todo nosso organismo, é programado geneticamente para fazer isso, é só deixarmos ele fazer.

Ou seja, se aprendermos a parar de pensar excessiva e neuroticamente em tudo que nos rodeia e simplesmente deixarmos nosso cérebro se curar, ele o fará. Cada um tem que desenvolver um método próprio de defesa contra o excesso de informações e estímulos aos quais somos submetidos.

A milenar sabedoria oriental tem ciência disso há tempos, tendo desenvolvido um método extremamente eficaz de deixarmos nosso cérebro descansar e se recuperar em paz: a meditação. Vale a pena experimentar.

Uma corrente de estudos sustenta que a misteriosa e mágica intuição é uma  "resposta natural de um cérebro sadio à uma demanda específica", e que não se define satisfatoriamente através de palavras.

Nosso pior inimigo não são os outros. Somos nós mesmos. 

A gente complica tudo e muito.

Edmir Saint-Clair

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A MEDALHA DE SÃO JORGE

 

A ansiedade era grande. Não via o filho há tempo demais. Saudade apertando, mais ainda quando faltam poucas horas para revê-lo. Diego não quis que Felipe fosse pegá-lo no aeroporto por conta da falta de previsão de tempo nas esperas entre conexões. Estava vindo de Beijing, depois de cinco anos na China.

Felipe resolveu descansar um pouco, a ansiedade desses últimos dias havia sido desgastante. Deitou-se no sofá da sala e adormeceu. Passara a noite acordado, ansioso, pensando na volta do filho. Agora, cedia ao cansaço.

A campainha toca insistentemente. Ele levanta assustado e, ato reflexo, corre para a porta.

O antigo relógio de pendulo da sala, herança do avô, marca 8h e 06m da manhã. Abre a porta.

− Diego... Dá um abraço filhão...

Diego abraça o pai com força e saudade iguais e intensas. Um abraço longo, aconchegante e familiar. Pai e filho que se querem tão bem quanto é possível. Surfistas, rubro-negros e cariocas. Um extenso rol de afinidades. Amor.

Felipe pega uma das malas enquanto o filho às outras. Pelo volume da bagagem, veio de vez. Tomara, pensou.

Vôos internacionais sempre chegam cedo pela manhã. A tempo de aproveitarem e brincar um pouco nas ondas do final do Leblon. Felipe mostra a Diego a prancha que mandou fazer de presente para o filho.

Diego fica emocionado com a recepção e o carinho do pai, e lhe dá mais um daquele demorado e saudoso abraço. Tem orgulho do pai. A felicidade dos dois é transbordante. Aqueles momentos em que o sorriso não sai do rosto e parece que nunca vai sair. Olhar para o outro alimenta ambos os sorrisos. E o silêncio completa.

− Ele é meu filho. Pensou.

− Ele é meu pai. Pensou o filho no mesmo exato milésimo daquele silêncio sagrado. Certas emoções são grandes demais, não cabem em palavras.

A felicidade acontecia explicitamente naquele momento, pai e filho desfrutando a plenitude da presença do outro.

Combinaram que Diego ia dormir um pouco, viajara mais de 30 horas. Estava exausto.

Felipe deu um beijo na testa do filho e saiu do quarto.

Diego não acordaria antes das 14h, ele tinha 6 horas pela frente. Seria bom almoçarem em casa para que Diego pudesse acordar com calma e sem pressa. Lembrou-se da feijoada de sábado do Degrau que sempre comeram desde que o filho era pequeno e ainda não gostava.  Depois da separação, a feijoada tinha se tornado programa obrigatório dos dois. É a pedida perfeita para hoje.

Ele volta até a porta do quarto do filho. Mas não a abre. É só a alegria que não está cabendo.

Uma feijoada e depois uma boa remada no mar de final de tarde de outono. A luz mais bonita do Rio de Janeiro.

Seria perfeito se tivéssemos um baseado para fumar antes do surf. Há anos não fumava. Fumar um baseado com o filho tem um significado especial. Não é um consumo de drogas doentio. É um ritual. O preconceito é uma lente mal construída que torna tudo mais feio. Uma lente de enfeiar o mundo.

Havia algum tempo que Felipe não comprava maconha, e tinha perdido o contato com os eventuais fornecedores do bairro. Geralmente, uma meia dúzia de amigos, moradores do Leblon mesmo, que vendem para amigos.  Ou, a velha opção da vida toda, a doleta da Cruzada. Pequenas quantidades, geralmente um cigarro, vendido a varejo. Nessa altura do fim de semana, se quisesse fumar um baseado antes da praia com o filho, teria que recorrer à Cruzada. Tudo bem, ali é tranqüilo, pensou. Riu sozinho, a última vez que foi na Cruzada comprar um baseado deve ter sido há, pelo menos, uns 25 anos atrás.

Diego voltou três dias antes de completar 30 anos. Um adulto, profissional com formação altamente especializada. Apesar de sempre ter tido um quarto na casa do pai, não importa com quem o pai estivesse casado, só haviam morado juntos nos primeiros dois anos da vida dele. Época da qual, obviamente, não se lembrava. Depois, eram fins de semana, férias e feriados, como todo pai separado. Pouco antes de viajar para a China, passaram onze meses juntos. O maior tempo que passaram até então. Os melhores também.

Felipe mora Rua Padre Achotegui, na Selva de Pedra. A Cruzada fica a um quarteirão. Antes, resolve passar no Degrau e deixar a feijoada reservada para viagem, e garantir que nada saísse errado. A feijoada de sábado do Degrau é concorrida no bairro e costuma acabar cedo. A idéia é, em vez de saírem para comê-la no restaurante, ele a servirá em casa, para que Diego acorde com toda calma e a coma na maior preguiça que conseguir.

Já na praia, depois de passar no Degrau, Felipe percebe que está ansioso e atribui à excitação pela chegada do filho. Ele já chegou, mas ele anseia por conversarem e, realmente, se reencontrarem. O que o intriga é que ele não costuma ficar ansioso nessas ocasiões. Pensava já ter vencido esse fantasma. Considerava-se uma pessoa bastante calma. Uma chopinho no Clipper iria afastar aquela sensação estranha, com certeza. Onze da manhã de sábado, há essa hora é certo que não iria beber sozinho.

•         * * *

Diego não conseguia parar de se mexer na cama, inquieto. Acordou incomodado, achou que fosse o frio do ar condicionado e se cobriu mais. Olhou a hora no celular, 11 horas da manhã. Dormira apenas 3 horas... Isso não costumava acontecer. Geralmente, dormia 6 horas ininterruptas de um sono calmo. Sempre agradecia mentalmente o pai tê-lo introduzido na prática da meditação desde cedo. Atribuía a isso sua calma e equilíbrio. Mas, não naquele momento. Ainda cansado e sem conseguir adormecer novamente, sentia uma sensação estranha, ansiedade. Rolou na cama até o cansaço vencer. Adormeceu.  Mas, o sono não seria repousante.

•         * * *

Felipe terminou o segundo chope, a conversa com amigos da vida toda, sobre a chegada de Diego, é lógico, fizera o tempo passar mais leve. Mas, nem tanto. Enquanto esperava a conta, deu tempo de sentir-se estranho de novo, ansioso, tenso. Ele não era assim, nunca fora e não havia motivo para sê-lo naquele momento. Menos mal, o tempo passara meio-dia em ponto. Hora de passar na Cruzada. Despediu-se e partiu.

•         * * *

Diego acorda sobressaltado de um sono rápido e agitado. Olha o celular, meio-dia. É certo que não conseguiria mais dormir, e ficar na cama seria pior. Atribuiu a angústia à excitação da chegada, ao fuso horário e a tudo junto, pensou. Não estava acostumado a sentir aquela inquietação interna remexendo seu estômago. Não estava acostumado a sentir a sensação de ansiedade, sem motivo, sem sentido. Detestava se sentir confuso. Havia algo diferente e errado.

•         * * *

Felipe atravessou a Ataulfo de Paiva e seguiu descendo a Carlos Góes na direção da Selva de Pedra. Virou à direita na Humberto de Campos e seguiu na direção da Cruzada.  Quando parou no cruzamento com a Av. Afrânio de Melo Franco, notou que a porta da Delegacia estava movimentada. Nunca se preocupara com isso, não seria hoje... Pensou.

O sinal abriu e ele atravessou. Chegando esquina oposta, viu Adilson acenando e saindo da Igreja Santos Anjos, ele acenou de volta. São amigos desde pequenos, jogaram juntos no time de futebol de praia e muitas peladas no Condomínio dos Jornalistas. Distanciaram-se quando chegaram à vida adulta. Hoje, Felipe é arquiteto e Adilson motorista numa empresa estatal. Tem estabilidade no emprego e continua a morar na Cruzada, no apartamento que herdara dos pais. Apesar de ter tido amigos ali, Felipe entrara poucas vezes naquela comunidade. No Leblon, geralmente, algum desses amigos que moravam lá, pegavam os baseados para os outros que não moravam. Faziam “um vôo pros amigos”. Sempre foi assim.

A certa altura de uma conversa formal, Felipe pergunta se Adilson poderia pegar uma Doleta. A reação foi inesperada.

Adilson mostrou-se visivelmente contrariado. Por certo momento, ofendido.

− Felipe, sempre achei você um cara legal. Gosto de você... Temos quase 50 anos, nunca mais me peça isso. Nossas vidas são muito diferentes. Vamos guardar as boas lembranças. O tempo passou. Não tenho nada a ver com drogas, nem quero ter.

O constrangimento mútuo foi bastante incomodo. Os dois se conheciam desde pequenos. Naquele instante, uma distância nunca antes percebida deu-lhes um tapa na cara. A distância que sempre fingimos que não existia, como todos no Leblon, se escancarou ali na esquina da Igreja Santos Anjos.

Deram-se um aperto de mão e Adilson pôs-se a caminhar na direção de sua casa, a Cruzada.

Felipe demorou alguns minutos tentando compreender o que ocorrera. Ficou parado, na esquina, olhando Adilson que já ia vários metros à frente. Sentiu-se envergonhado. Mas, não sabia ao certo por que.

Recuperou-se quando lembrou que Diego o estava esperando. Teria que entrar na Cruzada para comprar. Voltou a caminhar, cuidando para não ir nem rápido, nem devagar demais. Normal. Não estava acostumado. Estava se sentindo agoniado, lamentava ter ofendido o amigo, mesmo que involuntariamente.

Estava passando em frente à portaria dos fundos da AABB quando viu as primeiras pessoas correndo. Em seguida, ouviu dois ou três tiros que ele não soube precisar de que direção vinham. Não sabia que lado deveria proteger. Ouviu sirenes e barulho de carros vindos da direção da delegacia, os tiros aumentaram de intensidade. Percebeu que estava no meio do fogo cruzado. Imediatamente, sentiu algo rasgando e queimando sua barriga, uma dor profunda e o sangue quente jorrando e molhando-lhe os órgãos genitais e as pernas. Caiu com as mãos na barriga e a dor arrancou-lhe um gemido alto. Como se uma flecha de aço em brasa o tivesse penetrado fundo.

Arrastou-se até um pilotis mais próximo. Era tudo que podia fazer naquele momento. Era surreal. Choro de crianças e gritos vindos de todas as direções. Os tiros continuavam, era desesperador sentir o sangue escorrer e nenhuma possibilidade de socorro. Pensou no filho e doeu-lhe a alma. Não podia morrer ali. Não hoje. Os tiros continuavam.

•         * * *

Diego adorava os requintes aos quais o pai se dedicava. Um bom café é um deles. Uma cafeteira de Expresso Italiano sempre com dezenas de opções e variedades de grãos de café que ele moía na hora.

O café estava excelente, mas a ansiedade aumentara. Virou a xícara impaciente, sem degustar. Arrumou-se e resolveu descer até rua. Aquela inquietação desconhecida era agoniante. Por quê? A falta de causalidade aumentava ainda mais a angústia de alguém tão acostumado ao mundo de causa-efeito.

Diego salta do elevador e da portaria já ouve o barulho de algumas sirenes passando. A sensação de quem tem algo errado é cada vez mais intensa.

•         * * *

Felipe tenta manter a respiração sob controle enquanto pressiona o ferimento que continua sangrando, empoçando na laje da rua. Felipe sente que está enfraquecendo, sente medo. Tenta manter a clareza. Pensar. Os tiros parecem que pararam. Adilson é o primeiro a aparecer na sua frente.

− Puta que pariu! Que merda meu véio! , gritou Adilson assustado, enquanto digitava o celular chamando o SAMU. Ali na Cruzada todos tem o número desse telefone. Após a ligação, Adilson agacha-se ao lado de Felipe que já está bastante pálido. O tiro era de grosso calibre e atingira o lado direito do abdômen. A hemorragia era grande.

Felipe falou com a voz enfraquecida:

− Adilson, por favor, avisa meu filho.

− Você ainda mora na Rua Padre Achotegui?

Felipe confirmou com um movimento de cabeça. Percebeu que Adilson estava chorando. Isso não era um bom sinal.

Adilson arrancou um pingente do pescoço e partiu a medalha em dois:

− Fica com isso na mão e pede pela sua vida. Do jeito que você souber rezar. Pra São Jorge de Ogum. Vou dar a outra metade pro Diego.

Apenas percebeu quando os enfermeiros abriram espaço e o colocaram na maca. Tudo parecia nebuloso e distante. Os sons e vozes tinham eco. Os paramédicos fizeram alguns procedimentos ali mesmo. Ainda deu tempo de reforçar o pedido a Adilson.

Felipe apertou a metade da medalha nas mãos e começou rezar do jeito que ainda se lembrava.

Os solavancos da maca sendo encaixa na ambulância fazem com que a dor volte intensa, mas ele solta apenas um leve gemido. Ele percebe que os paramédicos estão sérios e concentrados. Apesar do tubo de oxigênio, sua respiração está acelerada e irregular. Ele tenta ficar acordado, mas as vozes e os ruídos se tornam cada vez mais distantes. Aperta a metade da medalha e faz força para coordenar os pensamentos tentando rezar. Não consegue mais manter a consciência. Sente literalmente a vida se esvaindo até desfalecer.

•         * * *

Em poucos minutos vários moradores já estavam na rua, é sempre assim quando acontece alguma coisa extraordinária nessa parte do Leblon. A Selva de Pedra tem um jeito próprio de ser. Diego continuava cada vez mais ansioso e angustiado. Tentando entender algo daquela agitação, recebe uma explicação do porteiro do seu prédio. Troca de tiros na Cruzada com um baleado grave.

Diego sentiu um calafrio percorrer sua coluna como um bisturi gelado cortando suas costas. Percebeu um homem caminhando a passos rápidos vindo da praça na direção de sua portaria e o reconhece. É Adilson, amigo do pai que jogou futebol de praia com ele e morava na... Cruzada!

Sentiu as pernas se curvarem sem forças. Não podia ser. Mas, quanto mais Adilson chegava perto, mais seu olhar deixava claro quem era o baleado. Mas, Não fazia sentido!

Adilson conhecera Diego desde que este nascera.

Chegou perto e o tirou da presença de outras pessoas.

− Diego, seu pai foi baleado. Está indo pro Hospital Miguel Couto e pediu pra você ir para lá. Eu vou com você. Mas, antes ele pediu pra você pegar os documentos dele que estão na mesinha de cabeceira.

− É grave? Perguntou Diego.

− Estava sangrando muito, mas os paramédicos não falaram nada.

Adilson toca o ombro de Diego antes que ele saísse em direção à portaria para pegar os documentos. Tira a outra metade da medalha de São Jorge de Ogum e a entrega a Diego.

− Fica com isso na mão e pede pela vida do seu pai. Reza do jeito que você souber rezar. Para São Jorge de Ogum. A outra metade está com o Felipe. Agora vai, começa a rezar desde agora.

Diego está em estado de choque e procede como um robô, agindo mecanicamente. Ele não sabe rezar. Nunca aprendeu, nunca o ensinaram. Mas, a necessidade é a mãe de todas as invenções e ele pede a São Jorge de Ogum, com todas as forças e com a fé que nunca soubera ter. O elevador chega. Ele entra, toca o número de seu andar e volta para sua reza improvisada, mas cheia de fé. Fecha os olhos e imagina o pai sorrindo como há algumas horas atrás. Consegue sentir literalmente o abraço que se deram. Sua alma se acalmou, estranhamente, se acalmou. Quando abriu os olhos, ainda estava no segundo de dez andares. Parecia haver passado muito mais tempo. Abriu a mão e a metade da medalha havia marcado sua palma, tamanha a força com a qual a apertara.

O elevador chegou ao andar e ele abriu a porta. Quando saiu da cabine e olhou para a porta do apartamento de seu pai tomou um sustou que quase o derrubou. Suas malas estavam na porta. Ele se olhou e estava com a mesma roupa de quando chegara pela manhã. O que era aquilo?

A única coisa que ainda estava ali era a metade da medalha, em sua mão marcada. Mas, não tinha tempo a perder, depois pensaria naquilo. Seu pai estava morrendo no hospital e precisava dele. Buscou a chave do apartamento no bolso e não a encontrou. As suas malas ali na porta eram desconcertantes. Por impulso, tocou a campainha e ouviu movimentos vindos do outro lado da porta. Tocou de novo. Ouviu o barulho da fechadura sendo aberta e, nesses infinitos milésimos de segundos, desejou o impossível. A porta se abriu e Felipe aparece com a cara mais assustada que ele já havia visto. Os dois se abraçam e choram. Cada um com a sua metade da medalha de São Jorge de Ogum na mão.

O antigo relógio de pendulo da sala, herança do avô, marca 8h e 06m daquela manhã.

Apenas abriram as mãos, ambos, e mostraram para o outro a sua metade da medalha. Não falaram nada. Nunca mais tocaram no assunto. Tinham medo. Nunca mais encontraram ou souberam notícias do Adilson.

- Edmir Saint-Clair

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OS LACERDINHAS

Nunca mais vi um Lacerdinha. Nem ouvi falar. Pensando bem, faz anos, talvez décadas, que não tenho notícia. O Lacerdinha era um inseto menor do que um mosquito. Mas, o Lacerdinha não transmitia doenças.

Não era um mosquito. Era um inseto pretinho que infestava o Leblon, principalmente as transversais, numa certa época do ano. Minhas lembranças deles estão ligadas à época em que morava na Rua José Linhares.

No final da tarde, eram cigarras cantando e Lacerdinhas caindo das árvores. Às vezes, nos olhos. Ardia e coçava muito! Deixava os olhos inchados e mãe preocupada.

Eles eram atraídos por roupa clara, principalmente amarela. Por vezes, atingia os olhos e provocavam irritação e ardência intensa. Esses minúsculos (mediam poucos milímetros) insetos eram chamados de Lacerdinhas, em referência a um antigo político carioca, Carlos Lacerda, governador no tempo do estado da Guanabara.

Descobrimos que eles ficavam nas folhas mais novas ainda enroladas, nas árvores. A gente as desenrolava e surgiam um monte de Lacerdinhas em seu interior.

Para mim, os Lacerdinhas despertam uma lembrança marcante. Uma história que me provoca vergonha até hoje. Eu tinha uns 5/6 anos e era acostumado a brincar na rua. Havia muitas crianças, tanto no meu prédio quanto nos vizinhos. Naquela época a maioria das casas tinha uma empregada que morava na favela Praia do Pinto ou na Cruzada São Sebastião. Quando, por algum motivo, a empregada da minha mãe levava o filho para o trabalho, no caso a minha casa, ele se tornava um amigo a mais, que passaria o dia brincando comigo, meu irmão e nossos outros amigos. Seu apelido era Bilico, o nome era Bernardo, o dia era sábado, 10 de maio de 1969, véspera do Dia das Mães. Dona Celestina e minha mãe estariam ocupadas com o almoço comemorativo do dia seguinte.

Bilico era muito gente boa, mais novo que eu um ano e mais velho que meu irmão apenas alguns meses. Era negro com os dentes grandes e brancos. Era tímido, mas engraçado, falava de uma maneira diferente que eu achava legal. Quando Bilico passava o dia lá em casa fazia tudo junto comigo e meu irmão; almoçava, tomava banho, brincava, lanchava, descia para brincar e era sempre divertido.

Nesse dia, Bilico chegou cedo tomou café conosco e descemos pra rua pra brincar. Sábado não tinha aula e o dia era todo nosso. Era época de Lacerdinhas.

Dentre os garotos que brincavam na rua, tinha um que era especialmente assustador para mim e meu irmão. O Arlindo era mais velho, mas não andava com os garotos da idade dele. Andava conosco, dois a três anos a menos. Nessa idade, isso faz uma grande diferença.  Gostava de nos intimidar e bater. Ninguém ficava com pena quando o pai dele aparecia chamando-o, sempre gritando e batendo nele. Também tínhamos medo do pai dele.

Nessa tarde, estávamos catando Lacerdinhas nas árvores. Abríamos as folhas e ficávamos observando os Lacerdinhas se mexendo lá dentro. De repente, o Arlindo pega uns Lacerdinhas no dedo e empurra no olho do Bilico, que observava bem de pertinho.

  Tá com fome? Toma neguinho!

Arlindo falou aquilo com mais raiva do que lhe era peculiar, todos tomamos um susto. E ele nem conhecia o Bilico...

Bilico começa a coçar o olho e a chorar com a ardência. Todos os meninos começaram a rir. Menos eu, meu irmão e o Bilico, que saiu andando e chorando na direção da portaria do nosso prédio.

Lembro que foi um sentimento estranho e desconfortável que eu nunca havia experimentado antes (anos mais tarde eu saberia que o nome era constrangimento), e que nunca me saiu da memória. Eu senti vergonha de alguma coisa que não sabia o que era.

Bilico não subiu para nossa casa, ficou num canto da portaria chorando baixinho. Falou que se chegasse lá em cima chorando e com o olho inchado sua mãe iria brigar com ele. Não queria que ele arrumasse confusão com os "filhos das madames".

Depois de algum tempo, ele parou de chorar e subimos. Pela escada. Naquela época, os empregados e "pessoas de cor" só podiam subir pelo elevador de serviço. Bilico só subia pela escada.  Quando chegamos em casa, a primeira coisa que Dona Celestina viu foi o olho do filho inchado e muito vermelho. Não falou nada, mas fechou a cara. Chamou o Bilico para a cozinha e de lá só o vimos quando eles foram embora, bem mais tarde. Lembro bem da cara de choro dele se despedindo da gente.

Aquele sábado me marcou para sempre.

No dia seguinte, 11 de maio de 1969, Dia das Mães, a casa da Dona Celestina e do Bilico pegou fogo junto com toda a favela da Praia do Pinto. Não sobrou nenhum barraco de pé.

Dona Celestina nunca mais voltou e o Bilico nunca mais veio passar o dia conosco.

Tenho saudades até hoje.

-  Edmir Saint-Clair


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NÃO HÁ LEI QUE POSSA OBRIGAR


 Não há lei que possa obrigar um ser humano

A sentir saudade

A se emocionar com a alegria alheia

Nem a abraçar alguém que chora


Não há lei que possa obrigar um ser humano

A desejar a felicidade de outro

A chorar pela morte de um desconhecido

A sonhar um futuro melhor para um mundo

                                                                  No qual não irá viver


Mas, sentimos, nos emocionamos, abraçamos,

Sonhamos e nos importamos, todos os dias,

Com todos os outros seres, humanos ou não,

Porque o ser humano é assim; bom.


Essa é a nossa natureza 

Esse é o sentido da vida

Cuidar de toda a natureza utilizando nosso maior poder:

o amor.


- Edmir Saint-Clair


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