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RELAÇÕES MÁGICAS

RELAÇÕES MÁGICAS

 Post-it com frase sobre relações mágicas e verdadeiras entre pessoas sensíveis

Relações verdadeiras e profundas fazem mágicas reais. Acontecem entre pessoas sensíveis que entram numa sintonia única e extraordinária, que desperta no âmago de suas almas, o melhor de cada uma delas, fazendo com que se apaixonem uma pela outra e ambas por si mesmas. Quanto mais se fazem bem, mas bem fazem cada um a si mesmo, aos outros e ao mundo...

São raras, mas existem. 

Edmir Saint-Clair

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Contos  EDMIR SAINT-CLAIR  OUTRAS VIDAS 

OUTRAS VIDAS

OUTRAS VIDAS

 

    Um menino de seis anos nascido em Piracuruca, no Piauí, começou a descrever com precisão a vida de um alemão rico que morrera cinquenta anos antes na cidade de Punta del Este, no Uruguai.

O psicólogo Túlio Linhares, da Universidade de Campinas, investigou o caso com rigor científico, viajando três vezes ao local. Confirmou cada detalhe relatado: a casa de três andares à beira da água, a família Schmieden, os negócios de couro, a mala marrom e a morte nos anos 1940. A história tornou-se referência internacional porque desafia as fronteiras conhecidas da memória e da consciência.

A criança e as memórias impossíveis

4.680 quilômetros separam João Benício, uma criança de Piracuruca, no interior do Piauí, da cidade de Punta del Este, no Uruguai. Uma enorme distância geográfica, cultural e histórica. Mesmo assim, o menino começa a descrever com precisão a vida de um homem alemão rico, morto meio século antes de ele nascer, naquela cidade à beira do Rio da Prata.

Ele fala de uma casa de três andares construída sobre a água, com um píer onde barcos atracam. Atrás, haveria uma igreja. Ao lado, a propriedade de uma mulher famosa: Evita Dolores, conhecida na América do Sul e marcada por escândalos judiciais.

O detalhe mais intrigante surge quando o menino menciona a família Schmieden — donos da casa, ligados ao comércio de artigos de couro. João diz que o patriarca carregava sempre uma mala de couro marrom e só passava os verões naquela residência.

O olhar cético da ciência

Nada fazia sentido para seus pais, trabalhadores simples e católicos dedicados, cuja crença não inclui nada parecido com reencarnação. Como uma criança do sertão poderia inventar tais detalhes sobre um lugar que jamais visitara?

Em 1997, o psicólogo Túlio Linhares, da Universidade de Campinas, decide investigar. Cético por natureza, viaja até Piracuruca e entrevista o menino. Com um gravador de mão, anota e grava cada informação: a casa à beira da água, a igreja atrás, a vizinhança de Evita Dolores, a família Schmieden, a mala marrom, a morte entre 1940 e 1941.

Ao retornar ao gabinete, Túlio enfrenta a escolha: arquivar o caso como fantasia infantil ou testar cientificamente as afirmações. Opta pela segunda via.

A primeira viagem: a casa existe

A primeira ida a Punta del Este o surpreende. A residência de Evita Dolores é localizada sem dificuldades. Ao lado dela, exatamente como descrito, surge uma casa de três andares, construída sobre a água, com um píer na frente e uma igreja atrás. Estava abandonada, mas correspondia ponto a ponto à narrativa de João Benício.

Um vizinho idoso confirma: sim, um alemão morou ali décadas atrás. Mas, não havia mais nenhuma informação sobre a família que ali residira. A pista inicial se transforma em um enigma maior.

A confirmação histórica

Em 1998, Túlio retorna ao Uruguai. Consulta historiadores locais, especialistas na memória dos bairros de Punta del Este. Um deles confirma: a casa pertencia a um alemão da família Schmieden, casado com uma italiana, com três filhos. O homem era lembrado por sempre carregar uma mala de couro marrom e só ocupar a residência durante os verões. A família tinha negócios de couro em Montevidéu. A morte, registrada por volta de 1940, coincide com o relato do menino.

O detalhe final reforça o mistério: João Benício dizia que o nome do homem significava “bom homem” em alemão. Pesquisando, Túlio descobre que a expressão existia e era usada de forma respeitosa em tempos passados.

A terceira viagem: eliminando dúvidas

Determinando-se a fechar o quebra-cabeça, Túlio viaja uma terceira vez. Investiga registros de comunidades italianas ortodoxas e encontra indícios de que os filhos da família realmente receberam nomes italianos.

O quadro se completa: casa, localização, vizinhança, família, ocupação sazonal, negócios, mala, idioma, nomes. O menino brasileiro havia descrito com precisão elementos que nem mesmo historiadores locais lembravam de imediato.

A repercussão internacional

Os resultados são publicados em periódicos científicos e apresentados em conferências. Ian Stevenson, referência mundial nos estudos sobre reencarnação, elogia o trabalho como “exemplar, detalhado e verificável”.

O caso repercute em debates acadêmicos pelo mundo. Para alguns, é a prova de que memórias extra conscientes existem. Para outros, apenas coincidências estatísticas. Túlio mantém a posição equilibrada: não afirma que João Benício seja a reencarnação de ninguém, mas mostra que há fenômenos que escapam à lógica tradicional.

O ceticismo e a impossibilidade das explicações

Com a fama vêm as críticas. Pesquisadores analisam se a família poderia ter tido acesso a livros ou relatos sobre Punta del Este. Outros buscam conexões ocultas com alemães no Brasil. Nenhuma hipótese encontra sustentação.

A distância de 4.680 km, o isolamento da família no agreste do Piauí e a ausência de interesse em publicidade tornam improvável a fraude ou a coincidência. Para muitos estudiosos, a solidez metodológica do trabalho de Túlio transforma o episódio em um dos casos mais impressionantes já documentados.

O fim das memórias

Como em relatos semelhantes, as lembranças de João Benício desaparecem com a adolescência. Hoje adulto, vive uma vida comum, sem falar do que um dia marcou sua infância.

Na ciência, porém, o caso permanece. Para uns, prova de que a consciência pode sobreviver à morte. Para outros, um mistério ainda sem explicação.

O que se mantém indiscutível é o impacto: um menino pobre do sertão brasileiro descreveu com precisão a vida de um alemão morto a milhares de quilômetros, décadas antes de seu nascimento. E um pesquisador obstinado, aplicando o método científico, confirmou cada detalhe.

Mas o que João Benício realmente reviveu? Uma memória guardada em algum ponto desconhecido da mente? Uma coincidência impossível? Ou a prova silenciosa de que a vida não termina onde acreditamos que acaba?

A resposta permanece em aberto, perdida entre ciência e mistério — como uma casa abandonada à beira da água, onde ainda ecoam lembranças.

Edmir Saint-Clair  

Disclaimer

Esta é uma obra de ficção literária. Embora inspirada em atmosferas, relatos e mistérios que circulam pelo imaginário humano, não se apoia em fatos documentados nem tem compromisso com a realidade histórica. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas, lugares ou acontecimentos, é mera coincidência — ou talvez apenas o eco de outras vidas.

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ADOECER-SE OU CURAR-SE  EDMIR SAINT-CLAIR  Pensamentos  Poesia  Reflexões 

ADOECER-SE OU CURAR-SE

ADOECER-SE OU CURAR-SE

 Post-it com frase de Edmir Saint-Clair sobre sentimentos que adoecem e curam

"Os sentimentos são a vida. Por isso, é tão importante aprender a distinguir entre os que nos adoecem e os que nos curam."
— Edmir Saint-Clair

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CADA MOMENTO É ÚNICO ETERNAMENTE  EDMIR SAINT-CLAIR  MESMO NA ETERNIDADE  Pensamentos  Reflexões 

CADA MOMENTO É ÚNICO, ETERNAMENTE.

CADA MOMENTO É ÚNICO, ETERNAMENTE.

 Post-it com frase: Ainda que fôssemos eternos, cada momento continuaria sendo único

"Ainda que fôssemos eternos, cada momento continuaria sendo único."
— Edmir Saint-Clair

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ANSIEDADE E MOTIVAÇÃO  Crônicas  DIRIGIR A SI MESMO  EDMIR SAINT-CLAIR  ensaios 

ANSIEDADE E MOTIVAÇÃO

ANSIEDADE E MOTIVAÇÃO


        Vivemos num mundo saturado de estímulos e demandas.
E reagimos inconscientemente a todos eles, no piloto automático na maioria da vezes, confundindo movimento com direção. Mas o verdadeiro poder, a liberdade genuína, nasce de uma habilidade rara: dirigir conscientemente a si mesmo. Ter o poder de controlar as próprias ações e reações.

 O autoconhecimento é o único método que pode nos auxiliar no desenvolvimento de ferramentas internas eficientes que podem nos auxiliar na conquista de nossa autonomia decisória. Só o autoconhecimento é capaz de nos revelar o que nos move e o que nos paralisa; de nos mostrar as forças invisíveis que nos impulsionam ou nos freiam.

Compreender nossas próprias reações de forma acolhedora é um ato de protagonismo. Não se trata de julgar os próprios sentimentos — eles são parte inseparável da nossa natureza — mas, sim, de interpretá-los, compreendê-los e canalizá-los de forma consciente para que se tornem combustível para nos locomovermos existencialmente. Para que se convertam de ansiedade paralisante em motivação realizadora.

O livre arbítrio autêntico é o resultado de um árduo trabalho interno, diário e incansável. É uma de nossas maiores conquistas possíveis. É a única chance de transcendermos nossa natureza animalesca que nos impele, o tempo todo, a reagirmos no modo luta ou fuga.

    A neurociência já provou que pequenas ações, se repetidas com resiliência, são capazes de redesenhar conexões cerebrais e criar novas rotas emocionais. Novas sinapses. É assim que podemos nos tornar os programadores da nossa própria psiquê.

Uma dessas mudanças sinápticas possíveis é a transformação da ansiedade em motivação.

Não é metáfora — é fisiologia. A ansiedade e a motivação são irmãs quase gêmeas: ambas aceleram o coração, elevam a energia e inflamam o sistema nervoso. E, isso não é negativo por si só. É fisiológico.

Para que estes afetos se tornem forças produtivas, temos que alterar a lente com que enxergamos essas manifestações.  
A ansiedade não é obrigatoriamente negativa, ela nos prepara fisicamente para darmos conta de algum evento possível de acontecer. Essa preparação prévia, por vezes, é o que determina nossa capacidade de fazer frente a uma demanda.

Com resiliência e determinação, a troca de percepção se torna um hábito. O que antes ameaçava paralisar, pode se converter em combustível para o desempenho desejado. Se transformar em vontade de realizar.

O resultado é: energia psíquica reorganizada, foco determinado e a sensação concreta de estar no controle do que é possível ser controlado.

E assim, assumimos o poder de dirigir a nós mesmos. De caminhar na direção que desejamos.

    Para mim, o livre arbítrio é um software que não vem instalado de nascença em nosso cérebro. Ao contrário, é difícil de ser adquirido, sendo assim, a maior conquista pessoal que um ser humano pode almejar.

Cabe a cada um desenvolver seu próprio software, aliando conhecimento e as ferramentas científicas disponíveis para auxiliar no aprofundamento do autoconhecimento. Não é fácil, nem garantido. É individual e solitário.

Mas, quem conquista o poder de conduzir a si próprio jamais será conduzido pela vontade dos outros.

Edmir Saint-Clair

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ANTES DA PEDRA  CONTO CURTO  Contos  Crônicas  EDMIR SAINT-CLAIR 

ANTES DA PEDRA

ANTES DA PEDRA


Ele estava bem desanimado, apesar de ter a vida inteira para ficar desanimado. Depois de mais um dia procurando trabalho, chegou em casa cansado e com fome.
Ligou a televisão e foi esquentar café para tomar com o pão que, se ainda não era dormido, já estava bem cansado...fora comprado pela manhã. Uma reportagem chamou sua atenção para o telejornal. Na saída do turno de uma empresa, um empregado declarava ao repórter:
- A situação está difícil, nossos salários estão muito defasados. Estamos tendo que tirar leite de pedra.
Enquanto acabava de requentar o café e o pão, resmungou para a televisão:
- E eu, que ainda não tenho nem a pedra?!
Lembrou-se de Carlos Drummond...

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EDMIR SAINT-CLAIR  Pensamentos  PERGUNTAS E RESPOSTAS  Poesia  Reflexões 

PERGUNTAS E RESPOSTAS

PERGUNTAS E RESPOSTAS

 Post-it com frase: Somos nossas perguntas e ainda mais nossas respostas

"Somos nossas perguntas e ainda mais nossas respostas."
— Edmir Saint-Clair

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ANOITECEU  ANOITECI  Contos  EDMIR SAINT-CLAIR 

ANOITECI

ANOITECI

 

    Meus últimos vínculos familiares haviam acabado de se quebrar. Em frente ao laptop, ouvindo o tema de Cinema Paradiso, senti o peso de minhas dores. São muitas, são todas que nunca esperei sentir, que lutei a vida inteira para não sentir, e que me levaram a desistir de sentir qualquer coisa só para não senti-las.

A música tem esse poder sobre mim, abrir minhas comportas colapsadas, fazendo-me cair diante de minhas tristezas e chorá-las. De nada adianta a raiva com que tento ocultá-las de mim. A raiva que sinto da dor e a raiva que sinto de mim por senti-las.

Não sou mais, há muito, o amante de corpo e alma se deliciando com a vida, com os encontros e com as manhãs cheias de sol. Não tenho mais luz para brilhar.

Já não gosto  das manhãs, sei o que pode vir depois delas. Gosto de acordar após o meio do dia, se possível bem depois, longe das manhãs. Sou entardecer, anoitecer, não manhãs. Há muito, nada nasce em mim. Só morre.

A noite me fascina, o breu, o silêncio, o nada.  Não há mais mistérios nas minhas noites, só descanso. Não há mais o que esperar das manhãs.

Anoiteci.

– Edmir Saint-Clair
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Crônicas  EDMIR SAINT-CLAIR  UMA FÁBULA DE ANO NOVO 

UMA FÁBULA DE ANO NOVO

UMA FÁBULA DE ANO NOVO



        Era uma vez um planeta triste no qual morava um homem muito alegre  que adorava inventar coisas. Numa certa manhã, sem motivo algum, ele resolveu inventar que dali a 7 dias, a partir daquele dia, tudo ia mudar à meia-noite.

- Por quê? perguntaram todos.
 - Porque mudar é sempre bom, respondeu ele

E conseguia convencer mais gente a cada esquina, pessoas que não só passavam a acreditar, como começavam a falar para todos que encontravam,  que uma grande festa tinha que acontecer para que todos no planeta resgatassem a alegria perdida.

Porque não? Pensavam todos. Verdade ou não, mal não faria.

E a ideia foi se disseminando de uma forma viral, crescendo em progressão exponencial, como nunca se vira antes naquele mundo triste.
As comunicações digitais sem fronteiras daquela civilização altamente desenvolvida, logo incluíram todo planeta triste na divulgação daquela ideiaque, àquela altura, já havia se transformado num movimento planetário.
A coisa toda era muito simples: a partir do final do por do sol, e durante toda a noite até o nascer de sol seguinte, todas as pessoas do planeta deveriam sair de casa com suas melhores roupas, deveriam cumprimentar todos que cruzassem seus caminhos. Mesmo que nunca tivesse visto aquela pessoa antes. E assim foi feito.
E, durante toda a noite, cada ser daquele planeta triste ofereceu e recebeu sorrisos e cumprimentos de quem nunca havia visto antes.
 As consequências imediatas foram as gentilezas mútuas que se seguiram. Com o passar das horas ninguém se contentava mais em dar apenas um sorriso ou fazer apenas uma gentileza. E toda a população daquele planeta triste se embriagou de sorrisos, gentilezas, elogios, agradecimentos e de tudo que provocasse o sorriso e a felicidade alheia. 

Se embriagaram de bondades, cada um mais sorridente e gentil que o outro. E extrapolaram no melhor sentido possível, incluindo espontaneamente parentes, amigos, conhecidos e todos que lhes cruzassem o caminho.
Foi a maior festa que já havia acontecido na história daquela civilização.
A noite acabou e o dia seguinte nasceu diferente de todos os anteriores na história daqueles seres.
Aquela invenção havia gerado uma explosão de alegria e de empatia que  jamais acontecera e fez cada indivíduo dar um

sorriso que não daria e ser mais gentil do que, normalmente, seria.  E as consequências foram todas.

 A partir daquela noite, e em todos os dias que se seguiram, a vida naquele planeta nunca mais foi triste.

Feliz Ano Novo!

Esteja em que planeta você estiver.

- Edmir Saint-Clair




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CONVERSAS NECESSÁRIAS  Crônicas  EDMIR SAINT-CLAIR  ensaios 

CONVERSAS NECESSÁRIAS

CONVERSAS NECESSÁRIAS

"Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Mas faltam-me as conversas que não tive."
(Adaptação livre inspirada em “Tabacaria” Álvaro de Campos)

Todos nós temos pendências emocionais e existenciais. Assuntos que nos incomodam muito e que, por isso mesmo, evitamos pensar e abordar.
Algumas dessas questões envolvem pessoas importantes e queridas em nossas vidas. Importantes demais para que as deixemos se perder de nós, e nós delas, sem que aconteça uma tentativa de esclarecimento que deixe, ao menos, a alma mais leve. Alguma atitude que nos permita dizer:
— Eu tentei de verdade.

Quantas vezes nos pegamos divagando numa conversa imaginária com aquela ex-companheira ou ex-companheiro com quem vivemos um grande amor, mas tivemos um final confuso e cheio de mal-entendidos. Ou a conversa com o parente muito próximo com quem tivemos conflitos nunca esclarecidos. Às vezes, nos afastamos de pessoas queridas por nunca termos tido a iniciativa de ter uma conversa que pudesse trazer luz àquele assunto pendente. Apenas para esclarecer, para clarear a questão e buscar um entendimento. Sem vencidos, nem vencedores.

A vida nunca foi uma competição.
A maioria de nós tem a tendência a ir acumulando pendências emocionais. Questões mal resolvidas, que foram varridas para debaixo do tapete. Situações espinhosas que nos causam um mal-estar interior, das quais não nos damos conta na maior parte do tempo, mas que brotam nos momentos mais improváveis e desagradáveis, sempre atrapalhando alguma coisa boa.

Isso quando não vêm à tona tarde demais — quando já não há mais nada a ser feito.
Muitas vezes, não é má vontade ou descaso. É medo. Medo de não sermos compreendidos, medo de nos sentirmos fracos ao nos expor. Há também o orgulho ferido, a vergonha de voltar atrás, ou a crença equivocada de que já é tarde demais. Cada um carrega suas barreiras internas, e é justamente por isso que a conversa necessária exige coragem. Coragem para se despir das defesas e estender a mão.

Situações que poderiam ter sido esclarecidas e não foram provocam mais que frustração — provocam distanciamento. E, por isso, se retroalimentam, criando distâncias que se tornam intransponíveis. Que permanecerão para sempre — como nódoas que mancham todo dia branco. Aquela pontinha de espinho que nunca deixa de incomodar.

Uma coisa é certa: não adianta tentar tocar em frente uma relação que sofre com pendências. Não adianta tentar varrer para debaixo do tapete. Porque, na vida, não tem tapete — e o chão é sempre bem duro. E não tem embaixo, nem em cima. É tudo a mesma vida, uma coisa só. E uma só vez. Não tem reprise, não tem segunda chance.

Não podemos deixar tudo a cargo do tempo. Essas conversas necessárias precisam acontecer, antes que se transformem naquelas dores nas costas que nos paralisam sob o peso invisível do que não foi dito. Temos que correr atrás, agir para esclarecer nossos mal-entendidos com as pessoas queridas. Não podemos deixar algo tão importante por conta do acaso. É muito arriscado. A vida é uma só. O tempo passa sem parar, nem por um segundo, e, se deixarmos por conta dele, as distâncias podem se alongar até que a possibilidade de volta não exista mais. Não existe relação, em nenhum nível, que não possa ser estragada pela falta de esclarecimentos mútuos sobre assuntos mal resolvidos.

A mágoa deixa marcas, nódoas, cria barreiras e distâncias que o tempo não resolve — ao contrário, só alimenta. Esclarecer pendências com as pessoas queridas é necessário. O orgulho tolo — ou a infantilidade de querer ter razão — é uma escolha pouco inteligente e profundamente prejudicial. Uma conversa sincera, onde a única intenção seja o entendimento mútuo, é o único caminho para que a distância definitiva não se estabeleça.

Poder ver, através do olhar de quem amamos, a nossa versão mais bonita é um dos momentos mais sublimes e felizes que podemos experimentar na vida. Sentir que somos amados por quem amamos é ser feliz.

Reduzir essa possibilidade, ao se afastar de pessoas queridas, é abrir mão de uma parte imensa da felicidade que ainda nos será possível viver. Definitivamente, varrer pendências sentimentais com pessoas que nos são caras para debaixo de um tapete que não existe é um erro que pode nos custar muito caro.
Pode nos custar quem amamos.

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Crônicas  EDMIR SAINT-CLAIR  REGENERADO 

REGENERADO

REGENERADO

 

Ninguém o convidava mais para nenhum evento social do condomínio de alto luxo em que morava há pouco mais de quatro meses, na Barra da Tijuca. Era arquiteto e andava ganhando concorrências públicas aos montes, graças aos conhecimentos do pai e do sogro que,  juntos, lhe garantiam trabalhos. Ele era talentoso e sempre se dedicara aos estudos, nem precisaria das mamatas. Mas, nunca saberia disso, uma pena para sua autoestima. Esses trabalhos, ainda lhe garantiam boa mídia, que lhe garantia novos trabalhos, que lhe pagavam cada vez mais. Ou seja, ele estava mais do que garantido, numa espiral ascendente. Um perfeito produto das capitanias hereditárias cariocas.

Mas, de nada adiantava seu sucesso naquele reduto de iguais. Parecia que ninguém gostava de sua presença. Até que sua esposa lhe jogou na cara com todas as letras:

- A mulher do Dantas me falou que ninguém te aguenta porque você ganha todas.

- Como assim?

- Ela disse que em todas as dúvidas nas conversas você está sempre certo...ninguém aguenta mais.

Então, o problema era esse! Por isso, em tão poucos meses, ninguém comentava mais nada na frente dele...

Aquele condomínio era composto por moradores absolutamente iguais e qualquer um que apresente uma diferença perceptível é rejeitado. Se for escamoteado, tudo bem, todo mundo finge que não sabe.  Tipo; todo mundo é, mas todo mundo finge que não é, e todo mundo finge que acredita. Sinceridade, nem pensar, é feio.

O grande pecado de Felinto era raciocinar e ter uma certa cultura e, por isso, nunca tinha dúvidas e estava sempre certo sobre a maioria os temas nas conversas. Não que fosse um gênio, os outros é que deixavam muito a desejar...e não se importavam com isso. 

No meio daqueles $abichõe$, e em tempos de Google, uma dúvida não leva mais que 15 segundos para ser sanada. E fosse qual fosse o assunto não tinha erro, o Felinto estava sempre certo. Um belo sábado, em que ele chegou no bar dos tenistas, onde o pessoal se reunia, apesar de ninguém jogar tênis, uma discussão acalorada sobre em que ano foi lançado o Chevette acontecia.  Felinto não teve dúvida e falou:

-Dia 24 de abril de 1973.

Todos ficaram em silêncio. Sabiam que Felinto estava certo, ele sempre estava. E, na milésima vez, ninguém mais ousou contestar-lhe. Nem naquele dia, nem em qualquer outro. Havia sido a gota d'água. A partir dali, sempre que Felinto chegava num ambiente onde uma conversa acontecia, o silêncio baixava. Ninguém queria correr o risco de falar algo errado e passar a vergonha de ser corrigido em público pelo Felinto. Ficou conhecido como o "desmancha bolinho" do condomínio, onde ele chegava o grupo se dispersava rapidamente.

    Até que aquele dia,  sua esposa teve a ideia que salvaria suas vidas comunitárias. Combinaram a estratégia e a esposa ficou de conseguir uma oportunidade para que pudessem colocá-la em prática.

        Com pena do casal, as esposas do condomínio (esposa em condomínio da Barra não tem nome, é só esposa) resolveram ajudar a pobre da Marilda, esposa do Felinto.

Elas organizariam uma festa e não avisariam aos maridos que o casal Felinto e Marilda seria convidado. Quando todos já tivessem chegado, o casal rejeitado apareceria de surpresa,  não dando opção de fuga aos convidados.

Na ocasião, uma das esposas louras do condomínio combinou com Marilda que faria perguntas ao Felinto, e este teria que responder errado. Ela faria uma segunda, e de novo ele deveria errar. E assim por diante, até que sua fama estivesse completamente arruinada. Não seria difícil, os $abichõe$ de condomínios da Barra não são muito espertos para coisas que exijam raciocínio.

Chegada a grande noite, o casal esperou ansioso o horário combinado. Eles deveriam chegar apenas após os últimos convidados. Seguiram a risca as instruções. Como sempre, assim que entraram no deck da piscina onde se realizava o evento, o silêncio foi tomando conta do local. Quando eles já começavam a se sentir por demais incomodados, a anfitrião brada:

- Felinto, duvido que você saiba em que ano foi lançado o forno de micro-ondas?

Silêncio total. Além do inusitado daquela pergunta completamente aleatória e sem sentido, a anfitriã ousara mais do que qualquer um jamais se atreveria.

Felinto quase responde na bucha, mas sua mulher consegue dar-lhe um beliscão a tempo. Convicto como sempre, Felinto responde:

- 1957!

Seguem-se os 15 segundos mais torturantes da vida de Marilda. Felinto parece tranquilo enquanto todos os presentes consultam seus iPhones. De repente, ouve-se um grito como se fosse um gol do Flamengo no maracanã:

- Errooouuuuuu!!!!

Os presentes vibram e festejam. Marilda é a mais empolgada. Mas, antes que a vibração adormecesse, a anfitriã o desafia novamente:

- Felinto, em que ano inventaram o secador de cabelos?

Fez um silêncio ainda maior do que o primeiro.

Felinto hesita, contempla a face alegre da esposa e responde:

- 1932!

Não demorou muito até que todos os presentes explodissem num só grito:

- Errooooouuuuu!!!

    Outros se animaram e todos quiseram desafiar o Felinto, que vibrava cada vez que perdia. Marilda, finalmente, teve sua noite se sentindo  uma legítima moradora de um condomínio da Barra da Tijuca. 

    A partir daquela noite viveram felizes até um trair o outro. Ela com a vizinha do lado e ele com o vizinho do outro. Mas, nenhum dos dois se mudou do condomínio e continuam amigos e felizes até hoje. 

Edmir Saint-Clair

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EDMIR SAINT-CLAIR  Poesia  PREDADOR 

PREDADOR

PREDADOR

 

O tempo vai  arrancando pedaços,

Imperceptíveis, ou que fazem mancar para sempre,

Quando não tira de si, tira de outro,

E leva junto nacos de almas,

Perdidas, descoloridas, insípidas,

Pedaços abandonados no caminho,

Do mundo grande, que diminui, consumido,  

                                                              que se definha,

Deserto de tudo que acolhe, 

Pedaços em memórias duvidosas,

Do que um dia foi todo o universo.


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EDMIR SAINT-CLAIR  Poesia  UM MINUTO 

UM MINUTO

UM MINUTO

 

De silêncio, de paixão, de prazer. O minuto anterior ao gozo, o gozo, um minuto de êxtase, de felicidade, sem saber onde termina meu corpo e começa o seu. O olhar que muda a vida em um minuto. O minuto feito de sessenta eternidades, mas a eternidade terá sempre o último minuto. Cabe-nos viver intensamente todas as nossas eternidades. Tudo que torna a vida maravilhosa não dura mais que um minuto. Mas a dor é longa, e consome quase todos os nossos minutos. O presente é sempre o minuto seguinte, mas só o percebemos depois que passa, porque não sabemos ser eternos. Mas haverá sempre o minuto seguinte.

O minuto de paz nos teus olhos, no silêncio da noite, no sorriso que brotou espontâneo. O minuto feito de sessenta eternidades. A eternidade antes do primeiro beijo, antes de desvendar teu corpo, antes de poder dizer que te amo, antes de sentir teu amor.

A eternidade depois do último beijo, depois de me acostumar com teu corpo, depois de descobrir que ainda te amo, depois de sentir tua ausência. A eternidade de chorar sozinho e o vazio profundo após a última lágrima.

O último minuto com você, e o desejo desesperado de retornar ao primeiro. Passamos a vida inteira atrás desses minutos, dessas sessenta eternidades, que farão o resto todo  valer a pena. Mas, só percebemos o valor do primeiro quando chegamos ao último e, então, já haverão se passado muitas eternidades.

O último minuto em que nos amamos foi feito de sessenta despedidas, todas sem que soubéssemos. E a dor, com o poder que só a dor tem, multiplicou sessenta por sessenta por sessenta eternidades, e ainda estou a espera do último.

Em que minuto te perdi?

- Edmir Saint-Clair

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A EVOLUÇÃO DA ESPÉCIE  Crônicas  EDMIR SAINT-CLAIR  MUITO ALÉM DO PRÓPRIO UMBIGO  Pensamentos  Reflexões 

MUITO ALÉM DO PRÓPRIO UMBIGO

MUITO ALÉM DO PRÓPRIO UMBIGO

 Foto de conflito urbano com pessoas em confronto nas ruas, ilustrando crônica sobre violência e evolução da espécie humana

     “Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com pedras e paus.” Albert Einstein

        Além da Rússia, dos Estados Unidos e de todas as potências europeias, a China também está no cenário bélico atual de maneira cada vez mais insidiosa — o que pode levar o mundo a um ponto ainda mais crítico na tensão em torno de uma guerra atômica. Ou evoluímos, ou, não sei não... pode dar merd4.

As tensões internacionais têm aumentado de forma perigosa e, sem ser alarmista, de uma maneira assustadora e rápida, contrapondo, como nunca antes, forças atômicas capazes de aniquilar a vida no planeta. Todas as potências nucleares do mundo estão em rota de colisão — e algumas já colidindo.

Vem-me à cabeça um pensamento que me acompanha há décadas. Na verdade, é um raciocínio em que comparo o estágio evolutivo-civilizatório humano com as etapas da vida de um indivíduo comum.

É simples: tomo por base o surgimento do Homo sapiens, que corresponderia ao nascimento de um indivíduo, e as eras seguintes da evolução da espécie seriam os diferentes estágios do crescimento humano. Ou seja: primeiro aprende a se levantar e ficar ereto, depois a andar, a falar, a se comunicar; depois entra na primeira infância, adolescência, juventude, maturidade — até chegar ao estágio máximo de progresso intelectual possível ao tempo de vida de um ser humano.

Por isso, para alcançar a era da sabedoria — que corresponderia à fase madura da evolução de um indivíduo — só será possível se a humanidade a alcançar como um todo.

É preciso que todos a alcancem de forma universal, o que só é possível através das contribuições individuais — e que delas se beneficiem de forma integral, pessoal e social.

Como resultado de um progresso construído pela humanidade como um todo, ao longo de milhares de anos, por caminhos abertos por todas as gerações precedentes, que foram deixando seus legados para que as gerações seguintes agregassem suas contribuições individuais e, assim, garantissem a continuidade dos avanços e conquistas.

Para que isso aconteça, temos que resolver a intrincada — e, até agora, insolúvel — equação de satisfazer a todos e a cada um, ao mesmo tempo. Não só para os humanos, mas incluindo todo o planeta.

Na minha aleatória opinião, a humanidade ainda está no início da adolescência: medindo forças, tamanhos, pesos, testando limites e desafiando a morte — briguentos, inconsequentes, irresponsáveis e loucos. Governados pelos hormônios. Vivendo como se não houvesse nem amanhã nem gerações futuras que terão que arcar com as nossas inconsequências.

A lei do humano mais forte é ainda mais cruel e impiedosa que a da natureza. Porque, entre os homens, as armas modernas — ditas convencionais — multiplicaram covardemente seu poder de matar indiscriminadamente populações inteiras e de destruir países e seus povos. Isso sem falar no pesadelo das armas atômicas!

Mesmo vivendo cada vez mais, poucos conseguem chegar ao estágio da maturidade, por falta de conhecimento sobre si mesmos e sobre a vida.

Porque não se importaram com o que é mais importante.

A maioria só envelhece — sem nada ter aprendido ou acrescentado.

Sem ter contribuído para a evolução da espécie.

Submergem na mediocridade, sem questionamento algum, apenas seguindo o rebanho — sem nada de pessoal a acrescentar.

Todos nós fazemos parte dessa jornada rumo à era da sabedoria, e todos temos como tarefa dar nossa contribuição pessoal para que tudo continue caminhando... e a contribuição de cada um — só esse “um”, individualmente — poderá dar.

Cada um de nós é original e único, e carrega em si uma pequena, mas insubstituível, peça do complexo quebra-cabeça da existência.

Mas poucos conseguem entender que o sentido da vida vai muito além... do próprio umbigo.

Edmir Saint-Clair


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AMAR E SER FELIZ  Crônicas  desesperadamente  EDMIR SAINT-CLAIR  FELICIDADE 

AMAR E SER FELIZ - (Felicidade, desesperadamente)

AMAR E SER FELIZ - (Felicidade, desesperadamente)



           Fruto do mais legítimo acaso, caiu-me nas mãos um livro particularmente necessário para mim, naquele momento.

Identifiquei-me profundamente com os pensamentos ali expressos. Trata-se da transcrição de uma palestra do filósofo francês contemporâneo André Comté- Sponville.

 O nome do livro é Felicidade, desesperdamente.

Ele faz um passeio pela história da filosofia, e através da ótica de várias escolas filosóficas, discorre sobre as emoções humanas e, mais particularmente, sobre como o sentimento que chamamos de amor afeta diretamente nossos pensamentos e ações.

O livro me fez compreender o que sempre pensei e nunca havia conseguido enunciar e entender de forma tão clara e objetiva.

A identificação com a condução do raciocínio em torno do tema proposto pelo escritor foi completa. A primeira coisa que me fez ver, é que eu havia, finalmente, compreendido o que é amar de verdade, para mim. Não no sentido de intensidade, mas, no sentido de profundidade e amplitude. E, principalmente, no sentido da ação.

O amor saudável é aquele que desperta, espontaneamente, nossas melhores características pessoais. O lado mais humano, amigo, parceiro. É o que provoca a atitude de fazer o outro feliz em cada interação. É o cuidado de utilizar a percepção, que a sintonia com a pessoa amada provoca, para chegar aos mais deliciosos, profundos e nobres requintes do amor. 

E, por causa dessas atitudes bonitas para com o ser amado, nos vemos mais bonitos, iniciando um ciclo muito saudável. Nossa autoestima aumenta, o que nos faz amar o amor que sentimos pela outra pessoa. E, esse ciclo se estende ao sermos retribuídos e, por isso, amamos ainda mais a pessoa que nos faz sentir todo esse prazer de viver. Isso aumenta e se fortalece a medida em que transformamos esse amor em novas atitudes, nos fazendo capazes de sentir felicidade pela felicidade do outro.  Isso vai aprofundando cada vez mais um aspecto extremamente acolhedor e compensador numa relação: cultuar as afinidades.

Cada um do seu jeito, com as suas verdades. Unidos apenas pela felicidade de estar juntos. Pela alegria e o prazer que o amor pode proporcionar. 

É preciso aprender a amar saudavelmente e isso leva tempo. E, na maioria das vezes, dói aprender.

 A felicidade não existe para o amor dos imaturos, do desejo egoísta que quer o objeto porque não o tem. Do que quer a posse, o controle, o poder de manipular o outro através dos sentimentos.

Estes estão condenados a infelicidade.

Acredito no amor saudável que traz consigo a possibilidade real de felicidade. Que nos faz sentir alegria apenas com o pensamento de que a pessoa amada existe, e também nos ama. A simples ideia da existência do outro já é razão de se sentir alegria.

No amor saudável não existe posse. Existe desejo.

Não existe obrigação. Existe vontade.

Cada encontro acontece porque o desejo impulsionou. Porque traz prazer e alegria. Resultado de elementos químicos secretados se combinando e produzindo sinapses que inundam o cérebro com sensações arrebatadoras e quase incontroláveis. É o impulso do desejo no seu estado mais primitivo.

Quando este estado é potencializado pela sensação de se sentir o objeto de desejo do nosso objeto de desejo o prazer é indescritível, é o momento mais mágico da vida.

O amor saudável é capaz de produzir a sensação de felicidade além da própria felicidade; é o sentir felicidade pelo felicidade do outro tornando-a parte integral da nossa própria e assim, duplicar as possibilidades e a intensidade das felicidades compartilhadas. 

Dito dessa forma parece simples. Mas, definitivamente não é.

Exige muito aprendizado e vontade de ser e fazer a nossa vida e a de quem amamos, ser uma caminhada que valha a pena ser compartilhada.

- Edmir Saint-Clair


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