A DOIS
Não é preciso muito para que o mundo se
acomode. Um mergulhado nas páginas de um livro, o outro viajando pela internet,
sem pressa. Não há cobrança. Apenas um silêncio que não pesa.
Um domingo à tarde, quando o tempo se
estica preguiçoso, pode ser mais pleno que uma festa. Porque há cumplicidade no
simples ato de estar juntos sob o mesmo teto.
E quando a noite chega e as palavras
resolvem brincar de madrugada, não há quem queira dormir cedo. A conversa vai e
volta, se demora em lembranças, inventa futuros. O coração ganha aquela leveza
rara — a de saber que, entre risadas e confidências, ou mesmo no silêncio, a
vida encontra sentido.
Não é o que se diz, é o que se sente.
Não é a festa, é a casa. Não é o barulho, é o eco de duas almas que se
aconchegam para descansar uma na outra.
Edmir Saint-Clair
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