RÁDIO 101 SMOOTH JAZZ - N.Y.

MEU ROCK IN RIO - 1985

Janeiro de 1985. Verão quente, ano novinho em folha e o maior festival de Rock de todos os tempos há pouco mais de uma hora de distância de pular do meu mais improvável sonho para o maior palco que eu já havia visto na minha frente. 

Uma linha especial de ônibus foi criada, exclusivamente, para levar o público do festival, coletando-o  a partir de vários pontos determinados do Rio de Janeiro. 

Eu e uma galera gigante do Leblon terminamos de lotar um dos ônibus logo no primeiro ponto. A tensão, a expectativa e a proximidade de algo tão especial gerava o tipo de ansiedade mais saudável que existe, aquela que nos faz entender totalmente a expressão "rindo à toa".  No ônibus cheio, os sorriso à mostra são tão evidentes que a impressão é que alguém contou uma hilária e interminável piada. Qualquer movimento virava motivo para uma gargalhada. 

Chegamos ainda dia claro, poucos minutos antes dos portões serem abertos. Todos os dias o ritual era o mesmo. Os portões se abriam, passávamos pelas roletas e pela revista da segurança, que só estava interessada em coibir armas e objetos metálicos. Cigarros podiam, todos os tipos. 

O por do sol foi deslumbrante com ultra leves voando por sobre um público jovem e absolutamente extasiado diante da grandiosidade de tudo em volta. A paisagem, o sol se pondo e os primeiros acordes da música tema do festival tocando numa altura e qualidade de som que o Brasil nunca havia ouvido. 

"Todos numa direção, numa só voz, numa canção

Todos num só coração, num céu de estrelas...

Se vida começasse agora, se o mundo fosse nosso de vez,

Se a gente não parasse mais de sonhar...de cantar....de viver."

E todos cantavam com a propriedade contagiante e autêntica dos jovens dos anos 70/80 que viviam numa cidade que desejava Paz e Amor e acreditava nisso, por mais ingênuo que, hoje, isso possa parecer.

E foi nesse clima que assisti a um show mágico e maravilhoso do cantor James Taylor, num sábado ainda sem chuva, num céu completa e absurdamente estrelado, sentado ao lado de dezenas de amigos que ouviram aquelas mesmas músicas, comigo, nas festinhas do clube campestre. Foi um dos shows mais emocionantes que já presenciei. 

Aquela noite, houve uma catarse gigante entre o público e um James Taylor extasiado diante de 250 mil pessoas que cantavam junto suas músicas. Ele estava vindo de um período de declínio acentuado na carreira, naquela noite aconteceu sua redenção, e ele sentiu isso ainda no palco, durante a apresentação. E externou essa emoção através da sua arte, presenteando o público com uma apresentação perfeita e muita mais longa do que o previsto. Tocou todos os seus grandes sucessos, não faltou nenhum. O que se passou foi sublime, poesia em forma de vida. Público e artista vivendo a mesma intensidade de emoções que ficaria, para sempre, na história de ambos.

O primeiro Rock in Rio me presenteou, ainda, com um show inesquecível do QUEEN, onde a histórica gravação do coro de mais de 300 mil pessoas se perpetuou, também diante de um Fredie Mercury, Brian May e cia absolutamente em estado de graça, extasiados. Eu estava lá e cantei junto.

E, no último dia, assisti, pela primeira vez, a banda que mais toca a minha alma: YES. A emoção que senti dura até hoje.

Foi perfeito para fechar o último dia do maior festival de Rock de Todos os Tempos.

Essa é a minha parte da história de um Festival que ficou para a história de muitas gerações.

Edmir Saint-Clair

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            Recebi várias manifestações com relação a crônica "Meu Rock in Rio - 1985", todas tão cheias de lembranças intensas como as minhas. Resolvi fazer uma edição com imagens da época e a música tema do Festival.

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