ORIENTADOR LITERÁRIO

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FELIZ DIA DOS PAIS

Por todos os lados a figura do pai ideal vende tudo que é possível e desnecessário. Não para o pai de carne e osso, com seus jeitos, manias e chatices, mas para aquele que o imaginário coletivo cria para preencher as carências comuns a todo ser humano.

Esse é tipo um pai herói, que aparece na hora certa para dar um conselho, para mostrar o caminho. É o amigo que a gente sempre quis, o ombro que a gente precisa. Ele não tem rosto, não tem nome, mas está sempre ali, nas histórias que a gente ouve.

É a voz que fala baixinho na nossa mente, o abraço que esquenta a alma, mesmo quando ele não está por perto. Esse pai que a gente imagina, sem as chatices do dia a dia, é a cara do que a gente busca: um guia, um protetor além do bem e do mal. Ele nos dá força para sonhar alto, para ir além, e perdoa a gente sem fazer drama.
No final das contas, a gente descobre que essa figura inventada não existe.

O Dia dos Pais, é o dia em que a gente se dá conta de toda essa mitificação a qual a figura paterna é submetida. E como o pai ideal não existe. Mas, o nosso pai existe, com todos os defeitos e qualidades de todos os outros seres humanos. 

 
Essa percepção faz com que uma onda de ternura e compreensão nos invada. Um amor diferente, humano. Um amor entre pai e filho. Único e Verdadeiro.

Edmir Saint-Clair


SEXTA-FEIRA: TÕ ACHANDO QUE É HOJE

 

        Sexta-feira não começa na sexta. 

Começa na quarta, quando alguém manda no grupo: “Sexta vai rolar ou vai flopar?”. E ali já brota, feito espinha em adolescente, a ansiedade do amor em potencial.

Homens ajeitam a barba como quem afia esperanças. Mulheres fazem a unha como quem desenha destino. Uns puxam ferro na academia com mais fé do quem joga na mega sena acumulada. Outras passam creme no cabelo com a mesma devoção de quem prepara oferenda pra Iemanjá.

Todos disponíveis, todos à espera do épico: um beijo de cinema, uma troca de olhares que pare o tempo, ou — no mínimo — alguém que saiba usar vírgula e não diga “menas”.

Chega a noite. Os copos tilintam, os corpos se aproximam, os celulares somem nos bolsos e o coração vira bússola: será aqui? Será hoje?

E se não for, tudo bem. Amanhã é sábado. E sábado, no fundo, é só a sexta com ressaca emocional e mais fé ainda no acaso.

Edmir St-Clair


LIVRE-ARBÍTRIO — SIM, NÃO… OU TALVEZ?

        Os neurocientistas dizem que nossas decisões são tomadas milissegundos antes de acharmos que decidimos. Ou seja: o cérebro escolhe primeiro, e depois a gente inventa uma justificativa bonitinha para parecer autor da história. Livre-arbítrio ou marketing pessoal do córtex pré-frontal?

Os filósofos, por sua vez, se dividem entre os que acreditam que somos senhores do nosso destino e os que acham que estamos apenas cumprindo o roteiro de um universo irônico e com péssimo senso de humor.

Com certeza, o livre-arbítrio não é um botão "liga/desliga". Depende do pensamento, do trabalho do cérebro. Envolve genética pessoal, ambiente cultural e mais todas as crenças que formam um indivíduo.

Compartilho da desconfiança de que seja uma espécie de músculo da consciência, que a gente vai desenvolvendo — ou atrofiando — ao longo da vida. Um viés evolutivo que nos torna cada vez mais humanos.

Talvez, em vez de perguntar "existe ou não?", a pergunta mais importante deva ser:
Quanto você já conquistou de autonomia sobre si mesmo?

Porque todo mundo quer liberdade. Mas poucos topam pagar o preço: autoconhecimento, responsabilidade e aquele silêncio incômodo de quando você para de culpar o mundo e se depara com a responsabilidade sobre as próprias decisões.

Penso que, talvez, o livre-arbítrio não seja simplesmente um dom humano e, sim, uma conquista.

A resposta a essa pergunta tem consequências muito profundas — e bem mais determinantes do que podemos supor à primeira vista.

Edmir Saint-Clair 


CONVERSAS NECESSÁRIAS - À VENDA



 

CONVERSAS NECESSÁRIAS

Memórias, Contos e Ensaios 

Há histórias que entretêm. Outras, que inquietam.
E há aquelas que nos encontram — 
no silêncio de uma lembrança, no espanto 
de uma revelação, ou naquele instante 
em que tudo parece fazer sentido.
“Conversas Necessárias” é um convite 
ao leitor que busca mais do que palavras:
busca entendimento, evolução e autoconhecimento.

Crônicas reais, contos fantásticos e ensaios filosóficos se entrelaçam 

neste livro que percorre o vivido, o imaginado e o pensado — 

com lirismo, ironia e profundidade.

Porque há conversas que mudam o mundo. 
E outras, que mudam a gente.