ORIENTADOR LITERÁRIO

O ORIENTADOR LITERÁRIO - especializado em redação criativa - desperte sua criatividade adormecida.

DESTINO MENINO.

  


 Todo minuto é momento

Um invento, um sentido,

Por fora, por dentro,

É cada segundo, sem tempo,

É quase nada no vento

 

A vida são horas correndo

e se existe ou não um destino,

Ele é só um menino 

                                        que não sabe onde ir

 

A verdade é que nada se sabe,

Se é do errado que se chega ao certo,

Se é para frente, para trás ou para os lados,

Porque não tem lado certo, nem errado

Não tem nem em cima, 

                                            nem embaixo

 

E os minutos continuam correndo,

E a gente sempre mais lentos,

Sem saber para que andar

Já que é o tempo que nos carrega

Até onde quiser nos levar

 

A mim, que me leve 

                                em qualquer pé de vento

Para um tempo que seja de amar.


– Edmir Saint-Clair


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A FELICIDADE


        Ele nunca havia sido desleal ou infiel a ela, e sabia que era plenamente correspondido. 
Foram o primeiro amor um do outro, desde adolescentes se entenderam sem esforço algum. Aqueles casos em que o amor e a amizade vão crescendo lado a lado, um alimentando o outro. Um encontro de almas.

Foram descobrindo a vida juntos numa parceria e intimidade que só a pureza de quem nunca amara antes poderia proporcionar. Riam de seus próprios desconhecimentos de seus corpos, tornando tudo uma brincadeira excitante, deliciosa e sem expectativas demasiadas.

Consequência natural, numa sociedade que não dava muitas opções, casaram-se muito cedo.

A ascensão profissional de ambos, a leveza e a cumplicidade cresciam na mesma proporção. Se davam bem. Combinavam sem esforço.

Num dado momento, como em toda relação, a rotina, antes um orgulho pela sincronização e conveniência para ambos, se instalou de uma forma perfeita demais.

Tão perfeita, que era impossível melhorá-la. Até as manhãs de mau humor aconteciam em forma de revezamento, de maneira que um estava sempre são, para compensar o descompensado.

Haviam encontrado um ponto de equilíbrio que poucos casais conseguem alcançar. Eram a exceção que confirmava a regra de que casamentos são feitos para fracassar.

A relação deles contrariava a tudo e a todos.

Após 15 anos, eram os únicos do extenso grupo de amigos do bairro natal, no qual ainda moravam, que permaneciam casados. Se juntasse com o tempo de namoro, passava de 20 anos.

O fato é que os amigos viviam comentando sobre a harmonia perfeita do casal, alguns com espanto, outros com inveja e outros com elocubrações regadas a muito álcool.

Até que aquele “incomodo alheio" pela felicidade do casal começou a chegar até eles, de forma fragmentada e de maneira cada vez mais incômoda e invasiva.

Emprenhados, por fragmentos de conversas carregadas de muito veneno e servidas como caipirinhas entre amigos, o casal foi sendo contaminado pela dúvida.

Foram presas muito fáceis da inveja humana.

 Só haviam conhecido um ao outro. A desconfiança que começou a nascer, não foi com relação ao outro, mas com a avaliação que cada um fazia de si mesmo.

Como poderiam saber se realmente eram felizes tudo que poderiam ser, ou se apenas imaginavam que aquilo era felicidade, já que não tinham nenhuma experiência que pudessem usar como comparação ou referência.

Sempre foram muito amigos e se prometeram a sinceridade que só a confiança extrema comporta.

Não tardou para que os questionamentos tomassem conta de todas as horas. Sempre compartilhados, sem que nenhum dos dois conseguisse respostas.

Não sabiam mais dizer se eram felizes ou se haviam entrado na perigosa zona de conforto, última moda nas conversas psicologizadas.

 E o que era leve, não era mais. Os silêncios não eram mais os mesmos, e é no silêncio que um casal mais se entende.

Numa conversa angustiada, mas cheia de sinceridade, sentimentos e carinho, decidiram que deveriam se separar naquele momento, para que pudessem ter alguma chance de se reencontrar num futuro em que já haveriam de ter suas respostas.

Mas, não se deve deixar a felicidade nas mãos do acaso.

É preciso abraçá-la, fazendo o impossível, para que ela nunca queira ir embora.

Nunca mais se reencontraram e se arrependeram daquela decisão pelo resto de suas vidas.

Edmir Saint-Clair


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MISTÉRIO NO LEBLON


 Rio de Janeiro - Bairro do Leblon,
início do outono, 20h55m.

            Saio da academia Lucinha & Cláudio e atravesso a Rua Humberto de Campos em direção à Rua José Linhares, que fica a menos de cinquenta metros. Assim que dobro a esquina, vejo uma senhora idosa caminhando na direção contrária. Ela dá uma topada numa pedra portuguesa solta na calçada, se desequilibra e começa a acelerar o passo sem controle. O corpo frágil e cansado não consegue se reequilibrar. Ela vai cair.

Corro em sua direção para tentar ampará-la mas, antes que eu chegue perto o suficiente, surge do nada uma mulher muito esguia, de cabelos pretos curtos, que a segura, colocando-a de pé , sumindo em seguida.

Tudo não dura mais do que poucos segundos.

Fico petrificado com a cena. Sinto-me muito estranho, um desconforto cerebral físico, extremamente desagradável, como se tivesse levado uma pancada forte na cabeça, por dentro. Uma confusão agoniante. Uma perda total da noção do que é ou não realidade. Como uma pane inexplicável no meu sistema mental.

Como alguém aparece e desaparece do nada? Sim. Ela não surgiu e foi embora de forma gradual, como acontece naturalmente. Ela apareceu e desapareceu, como um flash fotográfico.

A senhora idosa mostra-se atônita e tão perplexa quanto eu. Quando conseguimos trocar olhares, são de puro espanto! Aproximo-me um pouco mais e pergunto-lhe o que tinha acontecido. Ela relata exatamente a mesma coisa que eu vi. Utiliza, inclusive, as mesmas expressões: “apareceu do nada” e “desapareceu do nada”. Ela descreve o que eu presenciei com a mesma precisão de detalhes que captei. Ou seja: quase nenhum. A velocidade do evento foi como a de um vídeo em câmera extremamente acelerada. 

Logo percebemos que há uma prova física e inequívoca do ocorrido: a senhora idosa veste uma blusa branca de mangas compridas. Nela, estão estampadas com nitidez duas marcas de mãos, perfeitamente visíveis e brilhantes, no exato local onde o “ser” a segurou. Olhamos para as marcas e, em seguida, um para o outro — ainda com expressões dominadas pela mais absoluta incredulidade.

Naquele momento soube que testemunhara algo fantástico e extraordinário. E que não existiam palavras capazes de descrever aquele flash inacreditável e bizarro.

Ficamos em silêncio, eu e a senhora idosa, tomando fôlego e reiniciando os pensamentos. Pouco depois, seguimos caminhando lentamente até a entrada do prédio para onde ela se dirigia. Ambos em choque e no mais absoluto silêncio.

Despedimo-nos com o olhar, sem trocar mais nenhuma palavra. Não havia nada a dizer. Nossos olhares se acenam, confirmando a cumplicidade que acabara de nascer.

Nunca mais a vi e nunca entendi o que havia acontecido.

- Edmir Saint-Clair





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INTOCÁVEL

 

            Éramos muito jovem, nos últimos momentos da adolescência, quando a vi pela primeira vez — no pôr do sol, no Arpoador, num verão.

A multidão contemplava, embevecida, aquele show de luz e sombras, enquanto o sol se deitava aos poucos, aconchegado pelo Dois Irmãos. O mar, o sol e a montanha reunidos no mesmo espetáculo sublime e  diário da natureza carioca. Assim que me posicionei sobre a pedra, vi aquela garota linda — e ela também me viu.

A partir daquele instante, fiquei alheio a tudo que acontecia ao redor. Ela me fitava de forma acintosa e eu também. Menos de dez metros nos separavam, além das dezenas de pessoas entre nós. Apenas nos olhávamos fixamente, e a distância não impedia que isso fosse absurdamente evidente: nossas pupilas haviam se conectado além de tudo e todos. Além de nós mesmos. Não sorrimos, não piscamos, não fizemos menção alguma de nos aproximarmos — ficamos imóveis, absurdamente focados. Como num transe profundo. Algo que eu não conhecia estava acontecendo, profundo e arrebatador.

  Enquanto ainda havia luz suficiente para distinguir traços no escuro, permanecemos ali, ligados por algo indescritível e inédito  — até o sol se pôr completamente e a vida virar noite. Saímos misturados à multidão, sem que nos encontrássemos.

  Passaram-se quarenta anos.

  Mais uma vez, um pôr do sol no Arpoador, num verão que só existe no Rio. Após uma vida inteiro, lá estava eu e lá estava ela. A reconheci pela luminosidade dos olhos quando cruzamos nossos olhares. Ela também.

Agora, um homem e uma mulher já envelhecidos. Depois de toda uma vida, estávamos no mesmo lugar, à mesma distância, diante de um momento tão sublime quanto aquele que jamais esqueci.

Novamente, mergulhamos no mesmo transe de antes, enquanto a natureza repetia seu espetáculo de verão. Permanecemos exatamente como há quarenta anos.

  As minhas pupilas engolidas pelas dela — e as dela pelas minhas — à distância, saciando uma fome antiga da alma. Não nos aproximamos. Não valia a pena tocar aquela lembrança tão bonita, profunda e intensa com as ásperas mãos que as mazelas da vida haviam calejado .

  Sabíamos que estávamos sentindo exatamente a mesma coisa. A experiência que os anos nos haviam ensinado nos fazia ter certeza disso. O mesmo sentimento habitava nossos corpos naquele momento, pela segunda vez. Intocado.

 O inexplicável, o etéreo e o sublime se encontraram em nós, nos arremessando à uma dimensão singular onde nossos sentimentos se entrelaçaram num abraço de almas, num poema silencioso e perfeito escrito, com rara sensibilidade, pela magia da vida.

Até que o sol se pôs por completo, quando cada um levou o outro consigo para sempre. 

Mesmo sem nunca termos nos conhecido, sabíamos que compartilhávamos aquele mesmo sentimento inexplicável, profundo e intocável.


COMO ENCONTRAR O SEU ANJO – GUIA PRÁTICO


        Todos gostaríamos de ter nosso próprio anjo da guarda, exclusivo, nos protegendo, nos acompanhando e fazendo nossa guarda dia e noite.

Com este guia prático você vai ver que isto é possível, basta vencer a barreira do absurdo. Isso é muito fácil, já que ela não existe mesmo.

Para começar a procurar seu anjo faça o oposto, identifique seu demônio particular. Esses dias estressantes facilitam bastante essa tarefa, e a toda hora ele se manifesta. Primeiro, perceba que seu principal antagonista é você mesmo. Somos nossos piores e mais implacáveis sabotadores e críticos. Se a gente pudesse quebrar a própria cara, de vez em quando, não seríamos assim.

Por isso, se não podemos vencê-lo, juntemo-nos a ele, no caso, a nós mesmos. Às vezes, transformamos nossas próprias vidas num verdadeiro inferno, como se estivéssemos com o diabo no corpo, nesses momentos, não vacile, atraque-se com seu capeta e mostre quem manda na porra toda.

A primeira providência é, numa ocasião propícia, convidar seu crítico para conversar. Ofereça-lhe um chazinho, todo crítico adora um chazinho. Durante a conversa, faça-o ver que ele o está se criticando muito severamente e revele a grande verdade, ele é você. No começo ele pode relutar um pouco, mas depois, fatalmente terá que concordar. Ou então, se interne logo porque seu caso está perdido. E, não adianta partir para a agressão, eu garanto que você vai apanhar.

Passada esta fase meio insana, vamos para a segunda etapa.

Que é, ainda, mais insana.

Essa prática seguinte tem suas vantagens. Você pode praticá-la em casa, sozinho, não paga dízimo e não tem sermão de ninguém, nem tem que ler nada. E não precisa ver programa de pastor gritando em canal de televisão.

O incenso é opcional, não é necessário.

Agora vamos lá; na sua sala ou quarto, fique o mais relaxado que puder, sente-se no chão e assuma a posição de Lótus. 

Pode ser também a posição de Ferrari ou McLaren.

Essas posições importadas geralmente são bastante confortáveis. Mas, tem gente que se arranja bem até com a posição Fiat Uno. Tem que ter muito mais flexibilidade, é claro.

Ah, antes coloque um som instrumental que você goste, porque se deixar para colocar depois de fazer a posição escolhida, vai dar o dobro do trabalho.

Comece a pensar em quantos Eus existem em você.

Acesse as memórias de você quando criança, imagine que está se encontrando com ela, com a criança cheia de sonhos que você foi, convide ela para brincar, pergunte o que ela sente, o que ela precisa, o que lhe falta.

Chame seu autocrítico, também, e apresente-o a ele mesmo.  Perceba toda a abrangência de sua própria pluralidade.

Desculpe seus erros, faça um pacto de amizade consigo. Faça a paz entre todos os seus Eus.

Grande parte das pessoas esconde sentimentos de si mesma. Ou seja, nem amigos confidenciais de si mesmos são.

Essa é a pior solidão, a ausência de si mesmo.

Temos que nos aceitar, ficar do nosso lado, isso é fundamental. Mesmo quando não compreendemos por que fizemos aquela merda colossal! Quanto mais difícil é uma situação, mais fortemente precisamos contar com nosso próprio apoio. Sem o acolhimento e a amizade de si mesmo, não há santo, nem anjo, que aguente viver.

Seu anjo da guarda existe e está esperando por esse encontro, há tanto tempo quanto você.

Agora, levante-se e fique bem em frente ao espelho. 

Se olhe com toda a atenção, sem pensar em nada, apenas se olhe, sem pressa, vá se reconhecendo, lentamente, em cada mínimo detalhe, até se enxergar profundamente, com os olhos de sua própria alma.

E, então sorria.

Imediatamente, você verá o seu anjo lhe sorrindo de volta.

Edmir Saint-Clair

 



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O ROUBO QUE NUNCA ACONTECEU

 

    A partir daquele momento, ele precisaria dosar a agressividade, calma, objetividade e a rapidez. Era só seguir minuciosamente cada passo planejado.

Assim que o alvo atravessa as duas pistas da praia, vindo de sua rotineira corrida vespertina pela orla de Leblon e Ipanema, entra na Rua Cupertino Durão onde mora. Jair apressa o passo e rapidamente alcança o outro lado da rua, onde o alvo tem que passar, obrigatoriamente. Encosta-se numa das árvores, entre dois carros estacionados, e aguarda. Ninguém vindo de nenhum dos lados. O alvo passa e é abordado de forma agressiva, não deixando margem para reação alguma.

— Sérgio, está arma está engatilhada e pronta para disparar. Fique quieto e preste atenção. Vamos até a sua casa, andando devagar e conversando como dois velhos amigos. Se você fizer qualquer coisa errada morre. Ouviu? Responde! Ouviu?!

Jair foi bastante agressivo na aproximação, não deixando espaço para argumentações. Sérgio estava paralisado e apenas balbuciou um sim quase inaudível.

Sempre foi uma pessoa muito medrosa. Jair continua.

— Quanto mais nervoso você ficar mais perigoso fica para nós dois. Então fique calmo e tudo vai dar certo.

Com a arma dentro do agasalho, mas já devidamente apresentada a Sérgio, os dois continuam a andar na direção do elegante prédio do jovem deputado.

Sobem direto, sem parar na portaria. Morador não precisa se identificar. E, na maioria, nesses prédios, não se dá boa noite a porteiros. Sérgio mora sozinho.

Na ampla sala, Sérgio percebe que não é um assalto comum.

Ele nunca fora dos mais corajosos, por isso estava acostumado a ser submisso sem questionar. Jair o manda sentar-se no sofá da sala.

À essa altura, por todo o contexto percebido, Sérgio começa a desconfiar porque Jair está ali. Ainda bastante nervoso tenta amenizar o clima.

— Fique tranquilo, pode levar o que quiser. Não vou causar nenhum problema. Só, por favor, sem violência, pelo amor de Deus.

Sérgio tem a voz trêmula. Seu medo é visível e patético.

— Sérgio, sei que você tem meio milhão de dólares em cédulas e cheques de viagem aqui no seu apartamento. Sei a que horas, onde, e a mando de quem você pegou esse dinheiro. Sei que ninguém pode saber que esse dinheiro existe e muito menos que está aqui na sua casa.

Sérgio ficou completamente branco. Pensou que seria roubado, mas aquilo era bem mais do que isso. Definitivamente, não era um simples assalto. Havia algo por trás.

Ainda sem entender, Sérgio percebe que Jair já não parece tão violento quanto no início, mesmo assim não consegue parar de tremer. Sempre fora medroso. Era óbvio que não estava lidando com um ladrãozinho pé de chinelo. Pelo linguajar e pela postura, Jair é profissional. Talvez, das forças de segurança. Na verdade, não fazia ideia de quem se tratava e de onde surgira aquele homem.

Jair pega seu celular e começa a filmar Sérgio.

— Você vai gravar? Por quê?! Pergunta Sérgio.

— Se levanta e vai pegar a mala com o dinheiro. Diz Jair apontando o celular.

Sérgio hesita: — Não está mais aqui... o secretário do senador já pegou...

A voz de Sérgio falha e irrita Jair, que rapidamente

troca o celular pela pistola, engatilha e aponta para ele.

O corajoso deputado se transfigura apavorado, e imediatamente revela que a mala está dentro do armário do quarto.

Jair não segura o riso. Os dois se recompõem, Jair volta a falar manso e nota que o deputado havia mijado nas calças.

Sérgio entra em seu quarto, abre o armário, pega a mala, coloca-a sobre a cama e a abre. Jair grava tudo ininterruptamente com o celular. Enquadrando o quarto inteiro, alternando com closes da mala e dos retratos de família no quarto do deputado, para caracterizar, com detalhes, onde estão naquele momento.

A seguir, voltam para a sala e Jair continua gravando a mala aberta sobre a mesa de jantar e a sala inteira ao fundo.

Pronto, aquele vídeo não deixa dúvidas de que aquele dinheiro esteve com o deputado dentro de sua casa.

Jair recolhe a mala cheia de dólares. Diante do atônito e medroso deputado mijado, recoloca seu agasalho esportivo, guarda o celular e a pistola no bolso.

— Sérgio, agora vai ser o seguinte: daqui a duas horas vou enviar para você, pelo seu WhatsApp, o vídeo que fizemos agora. Ou seja, eu tenho a prova de que você estava com meio milhão de dólares em dinheiro vivo, e que, obviamente, não tem como explicar porque vieram parar aqui sem comprometer muita gente graúda.

Mostre esse vídeo para o seu "pessoal", porque ele também garante que você não pode ser preso para não delatar. Ou seja, não ter acontecido nada aqui será melhor para todo mundo.

Se eu souber que tem alguém atrás de mim, jogo esse vídeo na internet na hora, os jornalistas vão adorar e isso vai virar o próximo escândalo nacional da semana.

Sérgio ouviu calado.

Afinal, oficialmente, aquele dinheiro nunca existiu e ninguém poderia reclamá-lo sem se incriminar. Não tinha nada a dizer. Não podia fazer nada. A não ser aguardar o vídeo para garantir que continuaria vivo e interessante para o poder que representava.

Jair saiu do prédio tranquilamente, não sem antes perguntar ao simpático porteiro quanto estava o jogo do Flamengo contra o Botafogo no Maracanã:

— 4 x 0 para o Mengão, doutor! E ainda tá no primeiro tempo...

Era o que faltava para coroar aquela início de noite para Jair. Afinal, como diz a sabedoria popular: ladrão...que rouba ladrão...está perdoado!

Este trecho faz parte do livro CONVERSAS NECESSÁRIAS.

Edmir Saint-Clair

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